Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia)

Gravura (editada) da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Refiro-me a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, ora em análise e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, a qual será abordada posteriormente. Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Gravura da fachada principal da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Situada nos números 5 e 7 da Rua Pascal de Melo em Lisboa, esta constatação é particularmente relevante ao permitir estabelecer uma conexão natural, entre a casa burguesa de influência ainda novecentista e a casa moderna, o projeto foi publicado na prestigiada revista “A Arquitectura Portuguesa”, ano VIII, n° 3, 1915, foi encomendado por Richard Eisen, diretor técnico da fábrica de cerveja Germânia ao arquiteto e “condutor de obras públicas” António Rodrigues da Silva Júnior (1868-1937) em 1913, figura proeminente nas áreas da engenharia e arquitetura portuguesa, recebeu em 1914 a menção honrosa do Prémio Valmor de Arquitetura pela construção do edifício, aquele vivia a ser demolido em 1967.


Gravura da lateral e traseiras da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


No edifício, nas opções estéticas ou no tipo e qualidade de construção, existiu uma intenção de criar riqueza arquitetónica na sequência da redução intencional da área de habitação, uma casa de menores dimensões, pode ser uma casa socialmente representativa e uma habitação confortável. Este aspeto metalinguístico, constitui o elo que marca a continuidade entre a arquitetura do final do século XIX e o início da modernidade. 
Nesta casa, não estaremos perante limitações económicas, mas também não existe uma intenção de produzir um palacete. A casa ao adequar-se a um lote urbano de gaveto, regista uma notável eficiência na sua relação com a rua, tratando o gaveto com um corpo cilíndrico mais baixo que articula os volumes edificados. É importante notar que o percurso de acesso da entrada até ao átrio central é organizado de forma a surpreender o visitante quando chega a este espaço. Este dispositivo de transição, entre a rua e o interior, contrai o espaço de passagem para maximizar o efeito de escala da entrada no grandioso átrio central. O ponto de chegada do visitante a este espaço central, situa-se em frente da escada, de dois lanços, situada no lado oposto e iluminada por um vão lateral, num encenação cuidadosamente elaborada.


Ficha técnica da planta da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Ao longo da sua carreira, António R. da Silva Júnior produziu mais de duas centenas de projetos, de raiz ou de readaptação, entre os quais se salientam os dos estabelecimentos termais do Estoril e Vidago, da Praça de Touros do Campo Pequeno, edifícios da Casa da Moeda e edifício da Fábrica de Cerveja Portugália Lda. (dona da cerveja Germânica) à semelhança de várias casas particulares, quartéis da Guarda Fiscal e instalações alfandegárias entre outros.O projeto de alterações (“apropriações”) do Palácio Alverca em Lisboa, futuro Monumental Club ou Magestic, tem a assinatura do arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior. Obra notável de qualidade e rapidez ainda para os nossos dias, esta adaptação foi um trabalho gigantesco.
Arquiteto do imaginário sintrense. Autor do estudo A Atlântida (Subsídio para a sua reconstituição histórica, geográfica, etnológica e política), publicado em Lisboa na revista “A Arquitetura Portuguesa”, de janeiro de 1930 a maio de 1933.

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
opactoportugues.blogspot.com;
lisboasos.blogspot.com;
arquivodigital.cascais.pt;
tracodoarquiteto.cm-sintra.pt;
arquivodigital.cascais.pt.

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