Ruínas da Igreja Matriz de Arcozelo

Foto da entrada no Cemitério de Arcozelo e
Ruínas da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

A procissão em honra da padroeira, Nossa Senhora de Entre as Vinhas, ainda passa, todos os anos pelos dias 7,8 ou 9 de setembro, pelas ruas da freguesia dos Arcozelos, mas não ao toque dos sinos da torre da antiga Igreja Matriz.
Apesar do notório estado de ruína, em que se encontra, continua a ser o monumento mais emblemático da freguesia dos Arcozelos. Edificada no século XVII, no lugar de Arcozelo do Cabo, possuía, no seu interior, quatro altares, designadamente o de Nossa Senhora de Entre as Vinhas (a padroeira), o do Santíssimo, o do Senhor da Aflição e o do Coração de Jesus, e ainda duas capelas particulares: a de Santa Isabel (onde aparecia gravado na pedra o ano de 1517), pertencente à família dos Sás, e a de Santo Agostinho, da família dos Rebelos, ambas com os respetivos brasões. Possuía ainda as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Santo António e Santa Bárbara. Tinha já em 1758 uma irmandade do Coração de Jesus.

Foto do Sino da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Arcozelos é o resultado da junção das povoações de Arcozelo da Torre e de Arcozelo do Cabo. A sede de freguesia era na altura o Arcozelo do Cabo, onde foi criada a primeira escola, que passa em 1885 para o Arcozelo da Torre, por esta altura, uma ligeira rivalidade, que há muito se faz notar, entre as localidades da freguesia, com implicações sobretudo a nível da administração local, vai influenciar também as decisões paroquiais.


Foto da fachada da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Com a necessidade de realização de obras de reparação na Igreja Matriz, surgem intenções de a “deslocar” para terreno “neutro” às duas localidades, desta forma, e depois de vários anos de impasse em que a grande penalizada foi a Velha Igreja Matriz, acaba por ser construída, já em pleno século XX, uma nova Igreja Matriz, na localidade de Arcozelos, que viria a sentenciar a ruina literal da então Igreja Matriz.

Foto da fachada principal da Nova Igreja Matriz


Estendem-se as terras arcozelenses desde a ribeira de Leomil até à Quinta de Porquinhas, passam pelas matas do Verdeal e espraiam-se pelos campos da Ribeira do Tedinho. Toitam, Admeios, Porquinhas, Seixo, Arcozelo da Torre e Arcozelo do Cabo são os topónimos mais importantes que assinalam a aglutinação da comunidade arcozelense. Fez sempre parte do concelho de Caria, passando para o de Moimenta da Beira em 1834. Freguesia mais recente que os povos que a formam, (Toitam é o povo mais antigo dos Arcozelos, certamente anterior ao século XII, possivelmente erigido a partir do velho Castelo de Caria), surge no século XV/XVI, como capelania da Vila da Rua. Foi depois elevada a paróquia, tendo arquivo paroquial próprio desde 1583. Era curato anexo à reitoria da vila da Rua, passando mais tarde a reitoria.


Foto da fachada principal e lateral da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Terra de casas senhoriais, algumas das quais brasonadas, tendo existido, numa delas, uma torre onde se arrecadavam os foros reais, segundo informação da memória paroquial de 1758, escrita pelo padre Inácio Vicente. Terra de sepulturas remotas escavadas na rocha (na Gaia e na Senhora da Cabeça), de espécimes artefactos raros como a Pedra do Responso, de fontes antigas e de dois ribeiros que obrigaram à construção de pontes arcadas. Terra de Rebelos, Sás, Coutinhos e Lencastres que deixaram para os vindouros resquícios da sua remota existência. É também terra de belos monumentos religiosos, uns do povo outros de particulares, alguns dos quais soçobraram com o tempo, nomeadamente a capela do Mártir, a capela de Nossa Senhora da Cabeça, a capela de Santa Eufémia, a ermida de Santo António, a capela de S. Sebastião, a capela de N. Sra. da Encarnação, a capela de N. Sra. da Conceição, a capela de S. José e a capela de N. Sra. da Piedade.

Foto de pedra tumular deslocada


A pesquisa arqueológica feita até ao momento indica que o território que constitui a freguesia dos Arcozelos foi parcialmente romanizado e os principais vestígios medievais são sobretudo referentes a enterramentos, sendo eles nomeadamente uma sepultura escavada na rocha no lugar da Gaia e uma tampa presumivelmente sepulcral, colocada junto à Fonte dos Baptizados, no Largo da Bandeira, contudo, já incompleta, onde foram gravadas uma cruz e uma espada.

Foto da porta principal da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Pressupondo-se ainda que, no Toitaínho, ter-se-á edificado uma das fortalezas de Caria, concelho a que pertenceu até ao ano de 1834, antes de integrar o município de Moimenta da Beira, o destaque vai, no entanto, para o legado arquitetónico da Época Moderna, solarengo e especialmente religioso, quando, por algum tempo, as suas terras estiveram sob a jurisdição da Universidade de Coimbra, demarcação essa que ainda se pode observar pela colocação de blocos graníticos com a inscrição “DE V”, nos lugares de ribeira do Tedo, Costeira e Leiras.

Foto do Sino da torre da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Fontes:
AVATARES DA MEMÓRIA, História, Paisagem e Património do concelho de Moimenta da Beira, Jaime Ricardo Gouveia, 2013;
Informações foram colhidas, informalmente, junto de habitantes locais;
memoriaportuguesa.pt;
cm-moimenta.pt;
moimentananet.blogspot.com;

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