Sanatório de Mont’Alto ou Sanatório de Valongo


Uma Necessidade;

Cartaz: B.C.G. Mais Vale Prevenir do que Remediar
Coleção da Tuberculose – 1955, In http://www.insa.min-saude.pt

A propagação da tuberculose teve um exponencial crescimento nas duas ultimas décadas do século XIX, o elevado nível de contagio e o desconhecimento das precauções para com a epidemia, estiveram na origem da sua dimensão.

Cartaz: Assitencia Nacional aos Tuberculosos
Coleção da Tuberculose – 1930 – In http://www.insa.min-saude.pt

Também Portugal viria a ser atingido com o surto e assim como a maioria dos países desenvolvidos ou, tecnicamente, em vias de desenvolvimento, teve que adotar medidas que podassem dar resposta não só aos casos diagnosticados, mas também salvaguardar os sãos. A capacidade hospitalar para os receber, com o acrescido risco de contagio e a necessidade de isolamento, ficavam muito aquém do necessário.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto numa sala de tratamentos.
In http://portugalparanormal.com, s/d

já no inicio do século XX começam a surgir sanatórios por todo o país, de norte a sul, do inteiro ao litoral. O aparecimento destas unidades hospitalares está diretamente relacionado com a doença, desde a escolha da sua localização geográfica até a sua especialização médica.

Ilustração Alusiva a Homenagem à Rainha Dona Amélia
pelo reconhecimento das suas acções beneméritas.
In http://restosdecoleccao.blogspot.com, s/d

A Rainha Dona Amélia, esposa do Rei Don Carlos e ultima a ocupar esse cargo antes do asilo entre França e Inglaterra, fundou a 11 de junho de 1899 o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculoso, que esteve na origem da construção dos sanatórios em todo o país.

A ATNP (Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal ) ,
hoje é uma IPSS que tem como objetivos o apoio a crianças, jovens e famílias, na saúde, educação, cultura, desporto e intervenção comunitária.
In Facebook da ATNP

Outras instituições surgem com o intuito do combate à doença, em 1930, com a fundação da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal (ATNP) pelo professor António Elísio Lopes Rodrigues, a região ganha novo fôlego no combate ao flagelo. É então que o Sanatório de Mont’Alto, conhecido como Sanatório de Valongo, mas localizado em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, começa a ganhar vida, ultimo a ser construído no país, as obras arrastaram-se anos e anos e o Sanatório, que começou a ser construído em 1932, só foi inaugurado em 1958, entre financiamentos bloqueados e petições populares.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

O local escolhido, Monte de Santa Justa, um dos três pontos de maior elevação das “Serras de Valongo”, a pouco mais de 6 km da cidade do Porto e repartidas entre os concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes, foi escolhido pela proximidade dos grandes centros e ao mesmo tempo pelo isolamento geográfico e ainda porque a altitude de 367 metros proporciona um ar de qualidade superior, fator importantíssimo para o tratamento da doença sobretudo relacionada com os pulmões.

A Memória e Obra de um Arquiteto

Júlio José de Brito (1896-1965)
Arquiteto, Engenheiro e Professor.
In sigarra.up.pt

A obra de Júlio de Brito contribuiu para a construção da imagem da cidade do Porto na primeira metade do século XX, num entanto a sua obra extensa e distinta tem hoje maior visibilidade do que seu próprio nome. Filho do pintor homónimo Júlio de Brito, seguiu os passos do pai enveredando pelo mundo das artes, estudou também na Escola de Belas Artes do Porto, onde se formou em arquitetura e onde acabou por lesionar durante vários anos, mais tarde inscreveu-se também na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto onde se viria a formar em engenharia civil.


Foto do Teatro Municipal Rovoli, Projeto de arquitetura e engenharia da responsabilidade de Júlio Brito, propriedade da Câmara Municipal do Porto, situa-se na Praça D. João I e foi inaugurado em 1913 como teatro e em 1932 reinaugurado com as adaptações como cinema. In Wikipédia.pt e editada.

Paralelamente ao ensino, desenvolveu importantes projetos de engenharia e arquitetuta, projectou grandes e pequenas construções, umas mais notáveis, outras dentro dos gostos encomendados. Seguidor do mestre José Marques da Silva, um dos principais responsáveis pela introdução da era modernista na cidade do Porto, Brito soube desenvolver e, nalguns momentos, evoluir em paralelo.

Foto do Coliseu do Porto, Projeto arquitetónico estilo “Arte Deco” resultado da pareceria dos arquitetos Júlio Brito, Cassiano Branco e Mário Abreu, propriedade da “Companhia de Seguros Garantia”, situa-se na Rua Passos Manuel e foi inaugurado em 19 de dezembro de 1941. Foto de Paulo Pimenta in Jornal Público e editada.

Parte da sua obra fica para a História como o Teatro Municipal Rivoli e o Coliseu do Porto, mas também a Faculdade de Engenharia e os Edifícios Garantia (da Rua de Sá da Bandeira, da Avenida dos Aliados e de Famalicão), cujos formulários serviram de paradigma às gerações de arquitectos que se seguiram.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da fachada principal do edifício ainda em funcionamento.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Júlio de Brito esteve perfeitamente integrado na “Escola do Porto”, movimento caracterizado por um modernismo arquitetónico estabelecendo ligações entre a arqutetura clássica e o “Arte Deco”, potenciadas pelas tecnologias e necessidades atuais. Num entanto nunca abandonou de fato a arquitetura tão apreciada pelo regime do Estado Novo, a “Casa Portuguesa” com caraterísticas ancestrais e intrínsecas da cultura portuguesa.
Júlio José de Brito foi um artista do seu tempo, lembrado pela Câmara Municipal, que, por deliberação de 7 de Julho de 1992, atribuiu o seu nome a uma rua da freguesia da Foz do Douro Rua de Júlio de Brito.

Foto de visitantes e familiares de doentes internados no Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da entrada principal do edifício, localizada na lateral e ainda a escola no lado direito.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Uma das suas primeiras grandes obras viria a ser o imponente Sanatório de Mont’Alto, Inaugurado em 1958, o enorme edifício está inserido numa área de 88.000 metros quadrados, aproximadamente nove campos de futebol,possuía 5 pisos e um recuado, camas para internamento com capacidade de 500 pacientes, para além da imensidão do Sanatório, a área envolvente contava ainda com uma escola, uma lavandaria, uma igreja com acesso interior direto, uma capela e um reservatório de água, todos eles estão hoje devolutos e em avançado estado de degradação.

Foto da Vista Aérea do Complexo dos Edifícios que Integram o Sanatório de Mont’Alto. Foto in avalache-lazer.blogspot.com,num artigo relacionado com o desporto PAINTBALL.
Fachada rpincipal da pequena escola do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Fachada lateral da igreja em primeiro plano,
parte da lavandaria em segundo plano
e o reservatório de agua ao fundo em terceiro plano,
Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Como já referido anteriormente a ideia da construção do Sanatório no inicio dos anos 30, aparece ligada a fundação da ATNP, o problema é que para alem da demora da sua conclusão, cerca de 26 anos, chega numa altura em que a doença começa a ser tratada em deambulatório, desde 1958 a 1972 podemos dizer que para a dimensão e capacidade do edifício, foi um período de funcionamento muito curto, face ao investimento projetado.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A partir dos anos 70, os sanatórios perdem a sua importância com o aparecimento de tratamentos mais eficientes sem necessidade de internamento e por isso tornam-se obsoletos, sendo relegados para o esquecimento: Em 1972, já havia muito poucas pessoas no Sanatório e a grande maioria funcionários do Couto das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova, alí muito próximo e também extinto nos anos 70, fruto da descida do preço do petróleo que passou a configurar uma opção mais rentável para a industria.

Atualmente o Sanatório de Mont’Alto;

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Um complexo hospitalar cujo pico de atividade terá rondado os 300 pacientes no inicio dos anos 60, atualmente, relativamente às funções para que fora projetado, já só restam memórias, não se encontram vestígios óbvios de que, um dia, aquele lugar tenha sido um hospital de fato.

Pormenor das janelas da área de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Vista de cima das pequenas escadas de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar, vista parcial da sala principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Corredor de acesso aos quartos do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Sem uma única porta, uma janela, apenas salas amplas completamente vazias, corredores descaracterizados, casas de banho completamente vandalizadas, ausência de corrimão e caixas de elevadores vazias são traços em comum nos seis pisos que compõem o edifício.

Pormenor da paredes do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Terraço da varanda e fachada exterior do piso recuado de Mont’Alto
Ruína em 2018

As paredes, principalmente a do ultimo andar, são dos poucos elementos que apresentam alguma vida, cobertas de grafites que embora não combinem com o lugar, conferem alguma beleza artística que talvez um dia tenha tido.

Perspetiva do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018

O ultimo piso, um recuado já sem teto e com uma ampla varanda a todo o cumprimento do edifico, é talvez a maior atratividade ou a melhor recompensa para quem explora o local, a vista fabulosa que proporciona, num dia completamente limpo, prolonga-se até ao mar.

Capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Capela do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018
Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também da igreja e da capela não há vestígio de qualquer aspeto artístico original, as paredes destas encontram-se também decoradas ao gosto casual de quem por lá passa e deixa testemunhada a sua arte.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Não foi apenas o tempo o grande responsável pelo estado de degradação dos edifícios, depois que a instituição deixou de trabalhar com doentes de tuberculose, e com o estrito relacionamento que mantinha com o Estado Novo, depois do golpe militar, os seus edifícios foram saqueados, extinguiram-se os mecenas e o sanatório de Mont’Alto foi-se degradando.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Após o saque de que foi alvo, ainda é possível encontra objetos pertencentes ao sanatório por várias casas da região, desde camas, cadeiras, de entre outros utensílios. O Sanatório foi também fustigado por incêndios como é possível constatar pelo seu estado débil assim como pelas árvores queimadas nas imediações do espaço.

Pormenor das cosinhas e casas das máquinas do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Das atividades que caracterizavam o lugar há mais de 50 anos, não há vestígios, muito embora saibamos que a medicina, a religião e o ensino tenham sido atividades de grande relevância para os utentes.


Ângulo da Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Hoje o potencial do lugar é explorado por um leque de atividades mais diversificados, a criatividade é o limite de quem visita o lugar.

Foto da organização de um simulacro no edifício
do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína s/d
Foto do Exercício de simulação de situação sísmica
na capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína 2015, In verdadeiroolhar.pt

Talvez das mais importantes e com maior interesse para a população em geral, estão os testes e simulacros promovidos pelos Bombeiros e Proteção Civil, apesar de estes provocarem alguns danos acrescidos ao já degradado edifício.


Reflexo do Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Outra das atividades óbvia e com maior intensidade, até pela dimensão e versatilidade do espaço são os grafites, não equaciono a legalidade nem tenciono, o fato é que edifícios abandonados, pelo menos os que visitei, são lugares bastante apetecíveis para a realização desta atividade que nem sempre está relacionadas com a arte, mas não no meu ponto de vista.

Programa da organização de de uma atividade radical no Sanatório Mont’Alto,
Ruína, 2018
Parede do corredor de um dos pisos, fustigada com as balas do paintball,
Ruina 2018

Ainda dentro das utilizações mais comuns, está o paintball, quem já explorou o lugar e conhece os recantos do complexo consegue perceber o interesse que existe associado para a prática deste desporto, estruturas labirinticas cheias de corredores, aberturas de portas e janelas, edifícios de várias altitudes e o próprio isolamento, são características do agrado dos amantes da modalidade. Várias as empresas “vendedores de experiências” desportivas, promoverem eventos no local. São visíveis nas paredes as pintas coloridas dos disparos falhados do decorrer da “caçada”.

Foto de noiva as ruínas do sanatório de Valongo,
s/d, In fotofigueiredo.com

O edifício acolhe ainda, casualmente, fotógrafos de várias áreas de atividade, desde eventos familiares, fotógrafos de moda, fotografia artística entre outras que encontrem potencial nos cenários proporcionados pelo local.

Foto de registos alegadamente sobnaturais.
Ruínas, s/d In http://portugalparanormal.com
Foto de um dos corredores do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

É também muito conhecido pelo “darck tourism” é mesmo um dos mais conhecidos do país, talvez pela sua atividade associada a morte, tenha popularizado como um local ligado ao mundo sobnatural, certo é que das duas vezes que o visitei reparei em algumas situações evidentes de “atividades” decorrentes ligadas ao oculto mais conhecidas como rituais. Encontram-se com alguma facilidade reportagem filmadas no local sobre o tema, no youtube, por exemplo.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também percebi que no piso térreo, pelo menos, até há bem pouco tempo, o espaço serviu de abrigo para pessoas sem condições financeiras, os vestígios eram bastante recentes.


Foto do ultimo patamar das escadas principais, onde é visível a reconstrução com tijolos da vedação do patamar, edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Toda via é visível alguma manutenção no espaço, claramente é efetuada a remoção de resíduos e também se tenta asseguara a limitação de acesso a locais que possam oferecer maior perigo, como por exemplo o acesso as escadas e poços de elevadores.

Especulação sobre o Sanatório de Mont’Alto;

Captação Aérea efetuada o complexo do Sanatório de Mont’Alto
s/d In datario.net

Em cada abordagem que é feita a história do sanatório, são varias as especulações que se atribuem ao futuro do lugar.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

A ATNP, instituição responsável pela gestão do local, tem uma ambição definida para o complexo, é imperativo promover a sua reabilitação, entendem que o potencial do lugar deverá ser canalizado para a saúde ou o turismo, de uma forma integrada com os cerca de 9 hectares de terreno. Turismo porque beneficiaria toda aquela zona de Gondomar e saúde para ser usado pela comunidade. O Sanatório cresceu com o apoio da população para ajudar as pessoas mais debilitadas e enquanto IPSS, os objetivos de vertente social são prioritários.

Capela do Sanatório de Mont’Alto, vista do terraço,
Ruína em 2018

O equacionamento de projetos ambiciosos para o local, pela dimensão do investimento e pelo interesse publico local, passa por parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal de Gondomar.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A verdade é que o Sanatório de Mont’Alto continua ao abandono há quase 50 anos e, apesar de terem surgido ideias de alguns projetos na comunicação social local, como um hospital para os retornados do Ultramar ou um hospital psiquiátrico, um lar de idosos também foi uma possibilidade, mas a verdade é que nada avançou e ainda hoje se especula sobre a reabilitação do edifício principal, espero que encontrem uma solução, com maior antecipação face ao eventual estado irreversível de ruína, do que foi a sua inauguração em função dos tratamentos efetivos para a época.


4.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Fontes:
portugalparanormal.com/
monumentosdesaparecidos.blogspot.com/
jpn.up.pt/
flickr.com/
Júlio José de Brito, arquitecto e engenheiro civil– um artista no Porto – Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo GRAÇA


Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
vista sobre o Porto
Ruína em 2018


Antigo Restaurante Chalet da Trofa

Postal Ilustrado(editado) do Antigo Restaurante Chalet da Trofa, s/d

Começo pelo Restaurante Chalet, porque foi o que primeiro me despertou a atenção depois da Velha Estação Ferroviária já restaurada.

Postal Ilustrado(editado) da Estação Caminhos de Ferro da Trofa,
ainda em funcionamento, s/d.

Todo a área envolvente à antiga estação, desde a desactivação das linhas em 2010, está a ser alvo de uma profunda intervenção, espero que a requalificação já efectuada dê seguimento também aos restantes edifícios de comércio e habitação circundantes, que apresentam sinais de avançado estado de degradação e alguns já em ruínas.

Foto das obras de reabilitação da antiga Estação desativada,
por traz da estação a todo o comprimento podemos observar uma série de edifico, todos degradados, incluindo o pequeno chalet, que também se pode ver na imagem,

Ainda antes da construção da antiga estação, o lugar já era um centro de atividades com alguma intensidade, que justifica o aparacemimento de pequenos edifico de comércio e habitação, entre eles o pequeno mas não menos charmoso Restaurante Chalet, deve ter sido com toda a certeza um lugar bastante acolhedor não só para saborear as comidas da terra, mas também para descontrair e trocar “duas de letra” com os conhecidos que casualmente cruzavam o espaço.

Foto do Restaurante Chalet, da Trofa,
esta foto foi tirada já depois de 2010.

Configurava um belo recanto da cidade, outrora um largo, hoje a Rua Américo Moreira da Silva, entre a antiga estação dos Caminhos de Ferro e o ainda mais antigo Restaurante Chalet, representa um cenário que parece imergir de duas realidades paralelas, se por um lado contemplamos a requalificação da estação e edifícios anexos para utilização fundamentalmente cultural e de lazer, do outro lado temos uma série de edifico com identidades muito diversificadas, que partilham em comum o mau estado de conservação.


Foto das obras de reabilitação da antiga Estação desativada,
por traz da estação a todo o comprimento podemos observar uma série de edifico, todos degradados, incluindo o pequeno chalet, que também se pode ver na imagem,


Não sou habitante da cidade nem tão poco conhecedor profundo das politicas do Ordenamento do Território e Urbanisação da União das Freguesias de Bougado (São Martinho e Santiago), pelo pouco que pesquisei, a zona envolvente as Alamedas da Estação, vem sofrendo constantes alterações, mesmo antes da existência da mesma.


Igreja de São Martinho de Bougado, Igreja Matriz da Trofa

Curiosamente, o atual edifício da bela Igreja de São Martinho de Bougado, Igreja Matriz da Trofa, nasce também de um restauro e aumento, efetuado em 1916, com origem em uma pequena e antiga igreja edificado no local, cuja data de inauguração remonta a 1780 pelo então o Abade Manuel Joaquim de Oliveira.

Foto de uma porta da fachada principal do Restaurante Chalet.

Muitos outros edifícios existiram do local, foram demolidos para dar lugar a outros que possam melhor potencial a sua localização, nomeadamente a Serração António Sampaio e a antiga Central Eléctrica que durante muitos anos forneceu energia para a cidade, situavam-se onde hoje encontramos os novos edifícios de habitação da Rua de S. Martinho, também as antigas fábrica de chapéus de pelo e fábrica de tecidos Abílio da Costa Couto, importante personalidade da cidade, que por reconhecimento lhe atribuíram o nome de uma rua, foi demolida para dar lugar às já também remodeladas instalações da Ráfia.

Foto da sede da Vigent Group,
Antiga Fábrica da Ráfia, 2018

Ainda na sequência do encerramento das linhas, o Vigent Group , dono da Metalogalva e da Brasmar, comprou as instalações da Ráfia, empresa Fabril da Trofa, um reconhecido edifício industrial do século passado, foi reabilitada e modernizada para acolher todas as equipas dos serviços corporativos deste grupo, inaugurado no final de 2018.

Foto do Restaurante Chalet, da Trofa,
decorridos relativamente poucos anos,
após o devoluto do edifício, são visíveis os sinais de avançada degradação, 2018

Em 2016 foi apresentado um Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) do Núcleo Central da Cidade da Trofa que indica a intenção do caminho a traçar pelo Município em relação as politicas a implementar na Área de Reabilitação Urbana (ARU), foi efetuado um levantamento dos pontos críticos, e estipulado um horizonte temporal limitado até o ano de 2025, para concretizar o plano, já foram dados alguns passos fundamentais no sentido da sua materialização. Sob orientações emanadas do Plano Diretor Municipal (PDM), em vigor desde Fevereiro de 2013, o presente PERU corporiza também uma das apostas políticas de maior alcance estratégico que se encontram a ser prosseguidas pelo atual Executivo camarário.

Foto da varanda, 1.º andar do Restaurante Chalet da Trofa

Fontes:
Programa Estratégio de Reabilitação Urbana do Núcleo da Cidade da Trofa, Município da Trofa, IMPROVECONSULT – CONSULTORIA E ESTUDOS, LDA., 2016.

eatrofaeminha.pt

Minas de Carvão de S. Pedro da Cova, meio século passado depois do fim…

Foto editada da Torre-Cavalete,
MIN – Monumento de Interesse Nacional desde 2010

Perde-se, pois, nos tempos históricos a fundação medieval da hoje Vila de S. Pedro da Cova. De cariz profundamente agrícola, ela torna-se um centro industrial de grande importância após a descoberta, do carvão e antracite em 1795, mas só nas primeiras décadas de 1900 é que a exploração das minas atingiria o o pico, com uma extração de cerca de 330 mil toneladas por ano.

Foto das escadas do Cavalete da mina de carvão

O carvão era transportado para o Porto, mais concretamente para o Monte Aventino (zona das Antas), em pequenos vagões, suspensos por um cabo aéreo, com nove quilómetros de extensão. No regresso, as vagonetes paravam na estação de Rio Tinto para carregar a madeira que servia para escorar as paredes subterrâneas.

Foto de algumas das ruínas relativas aos armazéns de e estaleiro de carga.

Tornou-se então um centro catalizador de migração. Várias gerações de trabalhadores fizeram desta terra o seu ganha-pão, contribuindo assim para um ascenso demográfico assinalável. Isolada que estava, apesar da proximidade do Porto, viu rasgarem-se novos horizontes e o nome de S. Pedro da Cova, começa então a ser conhecido em Portugal como “Terra Mineira”.

Foto de Eletrico igual ao que percorrias as linhas entre o Porto e s. Pedro da Cova.

Como consequência surge a primeira ligação de transportes ao Porto, com a construção da linha do elétrico, proporcionando um contacto mais regular com uma nova realidade, consubstanciada na grande cidade.
Nos tempos áureos, as minas davam trabalho a gente do Douro Litoral, Minho e até do Alentejo. Chegaram a empregar mais de 1800 pessoas, entre homens, mulheres, rapazes e raparigas. De um dia para o outro, acabou tudo.
A baixa dos preços do petróleo traz a crise e as Minas fecham a 25 de março de 1970.

Foto da entrada na Torre-Cavalete

Quase 50 anos depois, S. Pedro da Cova é um dormitório da Área Metropolitana do Porto, freguesia praticamente estagnada, com poucas aspirações e muitos dependentes do Rendimento Social de Inserção. O espírito de união e a identidade dos que ali viviam (“quase toda a gente tinha alcunhas”) foi-se diluindo. São cada vez menos os que carregam memórias do tempo das minas.

Foto de pormenor da extremidade da Torre -Cavalete de S. Vicente.

Paradoxalmente, as populações, que julgariam perdidas todas as esperanças de vida, integram-se perfeitamente num mundo laboral novo, completamente diferente do seu. Fica para trás o atraso secular então reinante e novas perspectivas se abrem com melhores condições.
Com a evolução dos tempos vai surgindo um novo tipo de operariado e de serviços. S. Pedro da Cova deixa de ser fechada para se abrir ao mundo exterior e, passo a passo, dilui-se na grande área Metropolitana do Porto, passando a ser um autêntico dormitório da cidade.
Simultaneamente, novas indústrias como a Ourivesaria, a Metalomecânica, Mobiliário, Maleira, Elétrica, Comércio e até Serviços vão aparecendo.

Foto da ruína da fábrica.

Passou praticamente meio século, desde o fecho oficial das minas e começam a escassear as memórias que possam transmitir o seu testemunho vivo em primeira pessoa, daquele que terá sido o acontecimento com maior impacto económico, financeiro e social, na região, mas com repercussões geográficas bastante mais alargadas a nível nacional.
O encerramento das minas trouxe consigo um silencio entristecedor e uma já não boa melancolia que por sí só também não consegue encubrir o desalento e o derrotado espírito das pessoas que já não se fazia sentir há mais de 100 anos, a falta do som de máquinas a trabalhar, do carvão a encher as vagonetes, a sirene a chamar operários, os veículos rodoviários e ferroviários que percorrias as ruas da vila, assim como os transportes de tração animal, os cestos cheios de carvão que desfilavam pelos cabos suspensos nas linhas até ao Porto, tudo isto fazia parte de um passado recente, cuja feridas ainda cicatrizam.

Foto exemplar de uma Vagoteta ou como também designavam de “Berlinas”.

Para alem das memórias, dos que morreram suterrados, os muitos mineiros deparam-se agora com as maleitas consequenciais de muitos anos em contato com produtos nocivos, diagnósticos de sequelas irreversíveis nos pulmões. Foram esses que sentiram na carne o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar as vagonetes, chamadas berlinas, totalmente cheias, chegando cada uma aos 700kgs, ou seja a equivalência a 7 “pirus” designação dos carros que transportavam o carvão.

Foto de um gasómetro,
Objeto em visas de extinção.

Os mineiros com um gasómetro desciam até às profundas minas autenticas galerias hiantes e escuras,por uma espécie de elevador ou gávea onde trabalhavam expostos ao excessivo calor e humidade, sem ar respirável e ainda sujeitos à poeira do carvão causadora da silicose, doença profissional crónica, por inalação de sílica.
Quanto às mulheres, também altamente sacrificadas trabalhavam afincadamente no empurrar das berlinas e na função de escolhideiras do carvão, separando o de mais brilho que era o melhor. Havia também as britadeiras que de joelhos em frente dos tanques de lama executavam bolas.

Foto de Edificio habitacional das minas em ruínas.

Em sinal de apoio a estes trabalhadores foi construído um Bairro Mineiro do qual faziam parte as Casa de Malta, com 2 pequenos quartos e uma cozinha,uma mercearia, escola, farmácia, um campo de futebol e uma espécie de salão recreativo. Aí viviam os mineiros com suas mulheres e filhos que a partir dos 14 anos eram obrigados a ir trabalhar para a mina, pois se houvesse recusa a habitação era-lhes tirada. E ainda hoje, duas das mais ativas instituições da freguesia, a banda de música e o clube de futebol, foram uma criação desse sistema no qual a empresa mandava em tudo.

Foto de um chapéu objeto do fardamento de um mineiro.

Era assim a vida miserável das “toupeiras humanas”,nome que teve origem no livro de Emile Zola o “Germinal” que tão bem e minuciosamente descreve este clã, ou não tivesse o próprio autor vivido numa mina para aquilatar esta desumanidade de vida.

Capelinha de Santa Barbara,
Padroeira dos Mineiros.

Valha-les Santa Barbara, mesmo em dias de trovoadas ausentes ou de poucas explusões, a imagem da padroeira, retirada do fundo da mina quando a exploração cessou, foi entretanto recuperada, a imagem foi transportada para o exterior pelos últimos mineiros a deixar o subsolo. Hoje, a mesma imagem encontra-se numa pequena capela junto do antigo complexo mineiro. Desde há alguns anos para cá, a 4 de Dezembro, retomou-se a tradição da procissão, realiza-se a Procissão de Velas em Honra de Santa Bárbara, Padroeira dos Mineiros.

Foto editada da Igreja Matriz de S. Pedro da Cova

Quando desce de Gondomar até S. Pedro da Cova, com alguma facilidade, por entre a paisagem das suas encostas, arvoredo e a bela torre sineira, consegue também desfrutar das belas ruínas que emergem pelo meio da vegetação, como quem quer apelar pela memória de sua existência.

Foto da ruína da capela da mina.

A Torre-Cavalete ergue-se por traz da capela, quase em ruína, à espera que alguém a recupere e o transforme num museu vivo, com possibilidade de descer à mina e experimentar a sensação de “trabalhar enterrado”, como os mineiros diziam.

Foto da Torre-Cavalete de S. Vicente

Esta Torre-Cavalete do Poço de S. Vicente é, não obstante o seu estado de degradação, o Ex-Libris de São Pedro da Cova, classificado como MIP – Monumento de Interesse Publico, com proteção legal pela Portaria n.º 221/2010, DR. 2.ª Série, n.º 55, de 19-03-2010.

Foto da Torre-Cavalete de S. Vicente

A Torre -Cavalete é um dos elementos edificados mais relevantes para a conservação da memória histórica das minas de carvão, simboliza o período áureo da exploração das Minas de Carvão a que está definitivamente ligada a história da Freguesia de São Pedro da Cova que desde a descoberta, em 1802, das Minas de Antracite se tornou num centro catalisador de migração.

Foto da Torre-Cavalete de S. Vicente

É um notável exemplo de construção industrial, pelas suas dimensões, 38,5 m de altura, por ser construído em betão armado o que é raro no seu tempo e também pela sua localização.
O departamento de minas da Faculdade de Engenharia do Porto esteve de uma forma muito especial ligada a esta obra, utilizando frequentemente as instalações para estudos específicos. Para homenagear esta obra o departamento de minas da Faculdade de Engenharia, escolheu o desenho do Cavalete para “logotipo” do seu papel timbrado.

Foto do Museu Mineiro de São Pedro da Cova ,
antiga Casa da Malta.

Um dos outros edifícios destinados à perpetuação das memórias da mina é a Casa da Malta, assim designada por nela habitarem os trabalhadores oriundos de outras regiões do país, com o fecho das minas, surge a intenção de cristalizar a memória produtiva em um museu, 1.ª ‘Casa da Malta’, constituindo, na verdade, em 1989 o único núcleo museológico deste tipo em Portugal, também esta classificado como MIP – Monumento de Interesse Publico, pela mesmo portaria, pela designação inclusiva “Cavalete de extracção de carvão e instalações do poço de São Vicente da Mina de São Pedro da Cova, incluindo a casa da Malta”.
o Museu Mineiro de São Pedro da Cova tem como missão valorizar, dinamizar e divulgar o seu património mineiro e geológico.

Foto da Zorra preservada à espera de restauro.

À porta está parada e à espera de conseguir fundos para ser reabilitada uma zorra, carro eléctrico que transportava carvão para a central termoeléctrica de Massarelos, no Porto, onde hoje é o Museu do Carro Elétrico.

Foto do Museu do Carro Eléctrico , antiga
Central Termo-Eléctrica de Massarelos

Central Termo-Eléctrica de Massarelos. Hoje, parte das instalações são o Museu do Carro Eléctrico, “A Recolha” e presumo que ainda estão guardadas e em perfeito estado muita da maquinaria e fornos utilizados à época.

Foto das ruínas dos armazenes de depósito do carvão para britar.

Em 2001, mais de 200 mil toneladas da Siderurgia Nacional foram depositadas nas antigas minas daquela localidade de Gondomar, com autorização a Camara Municipal de Gondomar, por serem considerados residuos inertes e sem grandes implicações ambientais.
Um estudo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) confirma que os resíduos são de facto muito perigosos.

Foto da plataforma da Torre-Cavalete, para entrada no Poço de S. Vicente.

Entre outubro de 2014 e maio de 2015 foram retiradas 105.600 toneladas, mas entretanto foi revelado que existem mais resíduos, tendo sido anunciado no local, a 24 de março do ano passado pelo ministro do Ambiente, que o concurso público com vista à remoção total das 125 mil toneladas que restam seria lançado em julho e a empreitada levada a cabo em 2018.

Foto da parte superior de depósitos de carvão.
Foto da parte inferior de depósitos de carvão,
por onde saia o carvão para britar e carregar as berlinas.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte revelou que o concurso público internacional para a segunda fase da remoção dos resíduos acolheu sete propostas.
O Ministério do Ambiente anunciou a alocação de 10 milhões de euros do Fundo Ambiental para a remoção definitiva de 125 mil toneladas de resíduos perigosos. Entre outubro de 2014 e maio de 2015 já tinha sido feita uma parte da limpeza mas ficou bastante aquém da solução definitiva que se pretendia para o problema.

Foto da estrutura envolvente á Torre-Cavalete de S. Vicente.


Segundo garantiu o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, foi lançado um concurso público para apar até o final de 2018, os resíduos estarem totalmente removidos de S. Pedro da Cova.
Segundo o Presidente da União de Freguesias de Fânzeres e S. Pedro da Cova, Daniel Vieira, Neto de Mineiros, para além do processo de remoção havia um compromisso do governo relativamente à questão da monitorização ambiental e que existe uma garantia de que a contaminação das estruturas circundantes não chegou a acontecer, apesar de o risco ser real.

Foto de ruínas de um edifício habitacional,
e grande plano da Torre-Cavalete de S. Vicente.

Também segundo o Presidente da União de freguesias, para além do plano ambiental, há um objectivo claro de requalificar esta zona no plano cultural por constituir um exemplar único da história industrial mineira, não haverá melhor compensação do que a requalificação desse património e respetiva devolução à população, para que também ali pudesse ser criado um pólo atrativo turístico e cultural para preservação da memória.

Foto do cais de carga, grande plano do armazém de depósito
e do carvão e da Torre-cavalete

Na realidade, quem vai espreitar o que outrora foram as minas, leva um enorme choque pois tudo não passa de uma carcaça, um rico património da arqueologia industrial destruído, à boa maneira portuguesa.
Ainda é possivel um Museu, recuperando o que ainda há, melhorando o espaço, construindo pavilhões para exposições temporárias e permanentes,sala multimédia, auditório, percurso histórico com guias ligando as minas à Casa da Malta ( actual Museu)e aos bairos mineiros, criação de um Centro de Documentação e Investigação, sala de convívio,estabelecer protocolo com as Escolas de forma a inserir alunos e professores no projecto, etc, de forma a ligar de novo o espaço à comunidade e até ser uma fonte de receita.

Foto das ruínas dos balneários.
Fotos das ruínas de um edifício habitacional.

Em ruínas e ao abandono, o balneário, a farmácia, os escritórios, a cantina, a portaria, são apenas algumas das peças de um passado escrito com o carvão descoberto em 1795.

Foto das ruínas da portaria das minas.

Quanto ao Museu Mineiro, instalado na antiga Casa da Malta onde os mineiros vindos do Douro Litoral, do Minho e até do Alentejo eram acolhidos, reúne ferramentas, a maqueta de uma galeria subterrânea, cadastros de ex-trabalhadores, entre outros espólios, e faz, sobretudo a comitivas de escolas, visitas guiadas.

Foto das ruínas do armazém de depósito de carvão.

Fontes:
cinemateca.pt/
olhares.sapo.pt/
porto24.pt/
joelcleto.no.sapo.pt/
doportoenaoso.blogspot.pt/
cris-sheandbobbymcgee.blogspot.pt/
restosdecoleccao.blogspot.pt/
monumentosdesaparecidos.blogspot.pt/
roteirodeminas.pt/
portojofotos.blogspot.com/
fanzeres-saopedrodacova.pt/
jpn.up.pt/
lugaresesquecidos.com/
expresso.pt/
visao.sapo.pt/
ocastendo.blogs.sapo.pt/
portoarc.blogspot.com/
pt.wikipedia.org/
rtp.pt/
jn.pt/local/noticias/porto/gondomar/

Prémio Valmor de 1931 – Casa do Pintor Manuel – Alterado em 1957


Fachada principal da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 1952.

Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro, Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94
Em 1931 foi premiado um edifício situado na Rua de Infantaria 16,n.ºs 92-94 da autoria dos arquitetos Miguel Simões Jacobetty Rosa e António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985) para o pintor Manuel Roque Gameiro.


Baixo-relevo em pedra, na fachada principal da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 2016.

Construção modernista, sofreu alterações na sua estrutura em 1957, por proposta da proprietária Raquel Roque Gameiro Ottolini, com o acréscimo de dois pisos, a sua traça inicial foi alterada e o edifício premiado tornou-se irreconhecível, pode passar despercebido, mas este edifício sóbrio, com um baixo-relevo em pedra, mereceu o prémio por ser um dos primeiros prédios modernistas construídos em Lisboa, destina-se ainda hoje a habitação, muitos curiosos da arquitetura lamentam não entender como é que um edifício destes consegue uma distinção com um prémio de arquitetura com tal prestigio, mas a resposta passará sem duvida pela introdução do conceito da arquitetura moderna na cidade.


Aspeto atual da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 2016.


O arquiteto Vasques Cardoso, em representação da Câmara Municipal de Lisboa, não concordou com a atribuição do prémio, não tendo por isso este sido atribuído por unanimidade. Esta atitude é revelação e prenúncio da crise que o projeto “moderno” irá desencadear. Obra modernista caracterizada por um comedido tratamento dos vãos e um grafismo sóbrio, onde se evidencia um baixo-relevo em pedra, que beneficia o piso térreo, conferindo ao conjunto da fachada um tratamento harmonioso e bem integrado.


Arquiteto António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985):

Natural de Ançã (Coimbra), conclui o curso de Arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1927, tendo no 3.º e 4.º anos do Curso Especial recebido o prémio só conferido ao aluno com mais de 16 valores em todas as Cadeiras, pelo menos 18 numa e média superior à de todos os mais alunos desse ano. São desta época dois projetos, uma entrada monumental de um Panteão duma grande metrópole e uma campo santo que a revista “Arquitetura”, N.º 11/Ano I/1927 arquivou nas suas páginas.

Obteve o Prémio Valmor de 1931, conjuntamente com o Arq.º Miguel Simões Jacobetty Rosa, pelo edifício construído na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94. Respeitante aos anos de 1942 e 1945, receberia ainda o Prémio Valmor pelos prédios construídos, respetivamente, na Rua da Imprensa, N.ºs 25-25-D e na Av. Sidónio Pais, N.º 14.


Arquiteto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970):

Natural de Alcobaça, era diplomado em Arquitetura Civil, desde 1926, pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, a cuja Associação Académica pertenceu, e possuía o curso da Escola Normal para o ensino de Desenho Exato e Construção Arquitetónica. Foi professor provisório da Escola Industrial Marquês de Pombal, no ano letivo de 1928-29 e agregado efetivo na Escola Industrial Fradesso da Silveira, em Portalegre, de 1929 a 1938.

Foi autor de várias pousadas na província, entre elas, a de Santa Luzia (Elvas), Santiago do Cacém e São Brás de Alportel.

Em conjunto com o Arq.º António Maria Veloso dos Reis Camelo obteve o Prémio Valmor de 1931 pela construção do edifício situado na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94.


Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016
bonecosdebolso1.blogspot.com/2011/01/
premiosvalmor.blogspot.com/
opactoportugues.blogspot.com/…/premio-valmor-ano-de…

Duas histórias e um mesmo destino:


Mintaro, 1881, Malbourne, Itália

Mintaro é um palacete italiana de 1881 com dependências associadas a um ambiente paisagístico perto de Romsey, 58 km ao norte de Melbourne.

Diz a lenda urbana que a casa é inspirada na Casa do Governo de Melbourne. Não seria de todo impossível que o arquiteto James Gall se tivesse inspirado nessa edifício histórico, uma vez que o mesmo foi edificado 6 anos antes da construção de Mintaro, num estilo bastante popular na época – “Italianated vitoriano (alto)” – também não seria descabido se Gall estivesse apenas construindo um palacete moderno contemporâneo, cujo estilo de Gall, também evidenciado em outras construções, apresentava características contemporâneas do estilo Vitoriano.

A terra onde Mintaro se encontra, fezia parte de grandes prados destinados à pastorícia, sabe-se que em 1844, pertencia a John Pascoe Fawkner. Em 1860, a propriedade foi tomada pelo Capitão Robert Gardiner, um escocês que fez uma fortuna nos transporte marítimo, na caça de baleias, mineração de ouro e exploração agricula.

No final da década de 1870, Gardiner contratou o arquiteto de Melbourne, James Gall, para projetar uma grande casa, em 1879, os concursos foram solicitados para sua construção e, em abril de 1881, estava concluída a constroção do edifício. 
Os interiores foram desenhados pelo distinto artista de decoração W Brettschneider, nascido na Alemanha. O Seu interior apresenta um tipo de luxo muito urbano, com extensos tratamentos de parede, trabalho em mármore e tratamentos de teto normalmente não encontrados em outras propriedades rurais da época. Um dos mais proeminentes historiadores da arquitetura australiana, Miles Lewis, abordou a sofisticação dos interiores de Mintaro em várias de suas palestras.

Após a morte de Gardiner, em 1890, Mintaro foi comprado pela “Methodist Church” e tornou-se um “Reformatory Home for Girls”, onde as meninas aprendiam habilidades domésticas.

Foi comprado em 1914 pelo Dr. Crivelli como uma casa de família. Em 1934, a propriedade foi adquirida pela família Real e, depois de ser usada pelo exército para abrigar alojamentos, entre 1941 e 1946, permaneceu na família Real até 2012.

Em 2014 e 2015, o palacete e propriedade serviram de cenário para a Série televisiva Glitch, produzida pela Netflix, correspondiam à propriedade oitocentista da personagem do Governador Paddy Fitzgerald que ironicamente a encontrou arruinada pela família, quando voltou do mundo dos mortos para a reclamar. O edificio despertou o meu interesse, primeiro pelas semelhanças estruturais que partilha com o Palaçete do Rei do Lixo em Coina, em segundo lugar por ter verificado os sinais de degradação que o edificio apresentava na série e comprovadamente na vida real tambem, por entre as demais coincidências da ficção e da realidade que partilham.

O destino mais recente da casa não é “tão alto”. A propriedade de quase 10 hectares está a ser utilizada para albergar mais de 150 carros antigos e sucatas que esperam ser vendidos, o mais triste é que o estado degradado da mansão não destoa da “decoração” do meio envolvente, quase se conseguem ouvir os gritos de pedidos de ajuda do edifício solicitando a merecida recuperação.


Palácio do Rei do Lixo, 1910, Barreiro, Portugal

Palácio do Rei do Lixo, também conhecido como a Torre de Coina, ou Palácio da Bruxa, está situado na freguesia da Coina, Barreiro, sendo bem visível da estrada nacional n.º 10.
Trata-se de um local misterioso e repleto de lendas urbanas que se perpetuaram no tempo sem que, nos dias de hoje, se saiba ao certo de são verdade ou mentira. O certo é que esta imponente torre salta facilmente à vista e desperta a curiosidade e o imaginário de quem com ela se depara. A sua traça além de estranha e de gosto duvidoso, não deixa de ter imponência e de ser um marco incontornável da nossa arquitetura, a sua simetria e ornamentação, construção isolada em altura e cheia de ângulos, torre e muitas portas e janelas, são características contemporâneas do estilo de arquitetura Vitoriano.


A quinta onde se encontra o palácio foi propriedade rural, no século XVIII, de D. Joaquim de Pina Manique, irmão do intendente de D. Maria I, Diogo Inácio Pina Manique. A propriedade foi depois adquirida, no século XIX, por Manuel Martins Gomes Júnior, comerciante de Santo António da Charneca, que em 1910 mandou construir o palácio, diz-se, para que “conseguisse avistar a propriedade que possuía em Alcácer do Sal”.
Manuel Martins Gomes Júnior era conhecido como o “Rei do Lixo”, devido ao exclusivo que tinha para a recolha dos detritos da cidade de Lisboa, e tendo feito fortuna a comprar e vender lixo. Profundamente ateu, Manuel Gomes Júnior transformou a ermida da propriedade em armazém e estábulo e batizou a herdade de “Quinta do Inferno”. 


Manuel Martins Gomes Júnior morreu em 1943 em circunstâncias estranhas, a causa da sua morte nunca viria a ser apurada. Deixou um enorme legado de propriedades e 143 mil contos que doou à Misericórdia. Assim a Quinta do Inferno passou para o seu genro António Ramada Curto, que a transformou numa importante casa agrícola.
Em 1957, foi vendida aos grandes proprietários e industriais de curtumes Joaquim Baptista Mota e António Baptista, contudo o palácio, nunca foi habitado, retomaram o cultivo da quinta, introduziram exploração pomícola e melhoraram os seus jardins palacianos. A Quinta do Inferno mudou então de nome e passou a chamar-se Sociedade Agrícola da Quinta de S. Vicente.

Em 1972 foi novamente vendida, desta vez a António Xavier de Lima, conhecido urbanizador da margem sul. Este último afirmou publicamente ter um projeto para reconverter a quinta, e transformar o palácio numa pousada de cerca de 85 quartos.
Mas noite de 5 de Junho de 1988 o palácio foi totalmente devorado pelas chamas, Xavier de Lima disse ao jornal “A CAPITAL” que o restauro implicava um investimento não suportável. Desde aí o palácio encontra-se num total abandono e recentemente abateu toda a parte intermédia e o terceiro terraço. Transformando-se dia para dia a transformar-se numa enorme ruína.

Fontes:

vhd.heritagecouncil.vic.gov.au/places/2879
radicalterrace.com/…/mintaro-james-gall-monegeetta-l…
vortexmag.net/a-incrivel-historia-do-palacio-d…/
ruinarte.blogspot.com/…/o-palacio-do-rei-do-lixo-coi…

Prémio Valmor de 1928 – Palacete Vale Flor – Alterado / Demolido 1952/53


Palacete Vale Flor, projeto original do Arquiteto Pardal Monteiro,
Fotografia de 1952, pouco antes da reabilitação do edificio.

O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor na Calçada de Stº Amaro, 83-85, projetado pelo Arquiteto Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária.
Edificado em 1925, era uma habitação isolada de estrutura ainda bastante clássica, o júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. 


Foto do edifício atual da Calçada de Stº Amaro, 83-85, Lisboa.


O edifício virai a ser desocupado e vendido, sofreu fortes remodelações em 1953, há quem defenda que tenha sido praticamente demolido, o novo edifício também de habitação atualmente serve de instalações à Embaixada da República da Hungria. Do projeto original do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro não vislumbram grandes semelhanças arquitetónicas entre os edifícios, o termo “remodelação” terá servido para a perpetuação do prestigiado título de arquitetura atribuído ao projeto de Pardal Monteiro.
De entre 1923 e 1943, período correspondente à 2.º fase da Arquitetura premiada com o Prémio Valmor, verificou-se uma irregularidade na atribuição do prémio, apelas atribuídos 11 prémios em 21 anos, depois de três anos sem atribuição do prémio, em 1927 e 1928, o júri verificou a falta de projetos assinados por arquitetos no conjunto de muitos projetos apresentados, uma percentagem bastante diminuta, razão pela qual, a linda cidade de Lisboa, tão encantadora pela natureza, se foi tornando tão banal e antiestética pela obra do homem.


Porfírio Pardal Monteiro (Pero Pinheiro, Sintra, 16 Fevereiro 1897 – Lisboa, 19 Fevereiro 1957) foi um arquitecto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal.

Pardal Monteiro foi distinguido 5 vezes com o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»), na fase inicial da sua carreira que ficou caraterizada por uma fase de gosto internacional e de influência evidente da Arts Déco, são exemplos o prédio da Avenida da República (1923) e na moradia da Avenida Cinco de Outubro (1929). Já referente à sua fase modernista, destacamos a Igreja de Fátima que foi o edifício a ser premiado em 1938 e do edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade (1940). Com Miguel Jacobety Rosa e Veloso dos Reis Camelo que trouxeram novidades técnicas, foram premiadas as moradias nºs 92-94 da Rua da Infantaria 16 (1931, posteriormente acrescentada com dois pisos, que também será abordada), e ainda com Raul Lino, ficou marcada uma rutura com os júris do prémio Valmor com o estilo da Casa Portuguesa (1930, Rua Castilho, nº64, demolida posteriormente). A partir de 1943 elegeram-se um dos melhores prédios do “português suave” onde a arquitetura moderna lisboeta se conformava ao historicismo limitativo do regime político. O Prémio do legado Valmor foi assim sendo adaptado ao tempo, épocas e contextos políticos, económicos e sociais do país. Essas adaptações construíram uma linguagem própria da arquitetura nacional e desenharam uma linha condutora na História da Arte da Nação e permitiram-nos igualmente entender de que forma as influências estrangeiras foram assimiladas e aplicadas em Portugal nos edifícios e na restante arte.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
monumentos.gov.pt
pt.wikipedia.org
chooseroyal.wordpress.com
archive.is
jaimeroriz.com
comjeitoearte.blogspot.com
restosdecoleccao.blogspot.com

Prémio Valmor de 1927 – Pensão Tivoli/ Hotel Tivoli / Lis Hotel /Forum Tivoli – Alterado (1930 e 1980)


Lis Hotel, 1952

A história do Prémio Valmor de 1927 do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior, o edifício de linhas modernas nos números 176 e 180 da Avenida da Liberdade, começa em novembro de 1923, quando o construtor civil José de Sousa Brás pede à Camara Municipal de Lisboa autorização para construir um prédio no seu terreno, destinado a albergar uma pensão, o projeto original sofreu alterações, uma vez que em Abril de 1925 era feito um requerimento para substituir a fachada principal do prédio em construção (curiosamente a única parte do edifício original a chegar ao dias de hoje).


Lis Hotel, 1927 (Aspeto do hotel logo no inicio da sua fundação)

 As qualidades que mais impressionaram o júri ” (…) foram as condições do conjunto e do remate desse mimo arquitetónico, expresso pela sua fachada (…).”.Este todo, uno que vive do encanto que reside na sua própria balsa que constitui um pequeno notável conjunto de Arte, não podendo ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura, embora de bôa arquitetura e que lhe desmancha por completo o ambiente que se desenvolve com prejuízo da educação do público (…)”


Lis Hotel e Cinema Tivoli, 1967(Grande plano do Hotel e da Avenida da Liberdade)

Aquele que começara em 1926 como pensão, passaria um ano depois a Hotel Tivoli pelas mãos de José Francisco Cardoso e Dr. Joaquim Gonçalves Machaz, junto ao Cinema Tivoli onde foi buscar o nome tendo-se transferido para o quarteirão em frente e alugado o Palacete Rosa Damasco que transformaram em hotel entretanto também já transformado num grande edifício.


Lis Hotel, 1940


Edifício marcadamente urbano, traduz uma arquitetura civil comercial eclética, frente muito reduzida onde é ocupada toda a profundidade do terreno e completamente abolido qualquer espaço livre, foi alterada logo em 1930, a propósito destas alterações José Alexandre Soares, Arquiteto Chefe do Conselho de Arte e Arquitetura da Câmara Municipal de Lisboa, opõe-se à execução, embora sem sucesso, considerando o remate da casa, como elemento mais interessante, não podendo este ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura.


Fachada do Edificio integrada no Tivoli Forum, 2000


Sendo ampliado deu lugar ao Hotel Lis que foi demolido em 1980 à exceção da fachada. Fachada essa, de estrutura marcadamente vertical, dividida em dois corpos, um rematado por frontão triangular com pináculos nos acrotérios e o outro rematado por platibanda em balaustrada. Evidencia-se o tratamento das cantarias, nomeadamente no remate da porta principal com ática triangular interrompida por composição escultórica de festões e medalhão central, assim como nos apontamentos em estuque como festões, dentados ou óvulos, sobretudo a inscrever os vãos, patentes em todo o pano murário. Esta esteve amparada por uma cintura de ferro e depois foi integrada no Hotel NH Liberdade inserido no complexo do Tivoli Fórum.


Foto de Manuel Joaquim Norte Júnior , s/d, Autor desconhecido.

Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) foi um dos mais prolíferos arquitetos da sua geração, com uma participação notável em toda a extensão das Avenidas Novas, entre um rol extenso de obras que marcam o seu currículo, sobretudo entre Lisboa, Faro, e Sintra. 

Diplomou-se pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi um dos mais ativos arquitetos do princípio do século.

Arquiteto da Casa de Bragança, é também autor de vários projetos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Cúria, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril e o Palácio Fialho em Évora.

A Sociedade a Voz do Operário em Lisboa e a Associação dos Empregados do Comércio em Lisboa, entre muitos outros edifícios e remodelações são também esboços deste importante arquiteto.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º
VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
cm-lisboa.pt;
arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt

Prémio Valmor de 1930 – “Casa Portuguesa” de Sacadura Cabral – Demolido em 1982

O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, coube a uma moradia na Rua Castilho, 64-66, um projeto do arquiteto Raul Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte.

Esta moradia refletia as preocupações do arquiteto com a temática da «casa portuguesa», sobre a qual se debruçou durante vários anos, traduzidos nas formas arquitetónicas portuguesas tradicionais, com jardim circundante e o uso de elementos característicos como o alpendre, os beirais, as cantarias e o azulejo. Demolida em 1982, as cantarias, colunas e portões foram posteriormente utilizados na construção do Pátio Alfacinha. Atualmente o espaço é ocupado por um parque de estacionamento.


Nesse ano foi também atribuída uma Menção Honrosa a um edifício de habitação na Avenida da República, 54, com projeto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas, foi demolido em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios, foi objeto de análise em post anterior.


Arquiteto Raul Lino da Silva

Raul Lino da Silva foi um arquiteto de um paradigma consistente e inovador. Criando espaços voltados e organizados para pátios interiores, onde existe a criação de sombras e espaços de transição, em que valoriza os alpendres, uma pouco numa perspetiva anti-urbana. Designada romanticamente por Raul Lino como espírito do lugar, muito ao jeito de Frank Lloyd Wright (1876-1959), a sua arquitetura valorizava a articulação com a paisagem, segundo uma composição orgânica, sábia e intuitiva, com gosto pelo uso de materiais tradicionais, que apesar de terem um carácter decorativo são essencialmente funcionais, de acordo com os modos tradicionais do Arts and Crafts. 


Arquiteto Raul Lino da Silva, (1879-1974)

Ao longo da sua vida, projectou mais de 700 obras, tais como a Casa dos Patudos, em Alpiarça, para José Relvas (1904), a Casa do Cipreste, em Sintra (1912), o Cinema Tivoli, em Lisboa, (1925) e o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português de 1940.
Foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre o problemática da arquitectura doméstica popular, como A casa portuguesa (1929), Casas portuguesas (1933) e L’évolution de l’architecture domestique au Portugal (1937).
Posteriormente, alguns textos foram reunidos num livro publicado pelo jornal O Independente em 2004, de nome “Não é artista quem quer”.

“Passeio central com árvores, vivendas; o bonito aspeto da Rua Castilho nos anos 30/40 em dia soalheiro. Avistava-se a estátua do Marquês de Pombal sobressaída do casario.”
Raul Lino da Silva
“Naquele terreno há um parque de estacionamento mas dali não se avista a estátua do Marquês. Tenho impressão que hoje nem nos dias mais soalheiros o Sol banha aquele passeio. As luminárias esgotaram-se na demolição…”
Raul Lino da Silva


Fontes
pt.wikipedia.org
http://www.jaimeroriz.com
lisboadeantigamente.blogspot.com
biclaranja.blogs.sapo.pt
archive.is/

Prémio Valmor de 1910 – Casa de António Macieira -Demolido (1961)


Prémio Valmor de 1910, Av. Fontes Pereira de Melo, 30, [1910-14].
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Localizada na Avenida Fontes Pereira de Melo, n.º 30, em Lisboa, encomendada por António Macieira, nasce aquela que foi uma das obras mais assinaláveis do arquiteto Ernesto Koorodi, distinguida em 1910 com a atribuição do Prémio Valmor. Por contemplar uma exigência perante o conforto interior ou o aconchego do sweet home, como concebem e praticam os ingleses, e sem despender de recursos desnecessários. 


Casa António Macieira, Foto da Fachada Principal,
Ernesto Korridi, 1910

A planta de forma quadrangular era dividida com grande rigor, funcional e técnico ao mesmo tempo que a economia de meios se refletia no alçado lateral, virado para o logradouro privado da casa, onde se denotava uma generalizada simplificação decorativa. No fundo, a racionalidade construtiva, aliada à económica, refletia o rigor da obra, relativamente à sua organização espacial e funcional, num registo de continuidade e de inovação.


Casa Antonio Macieira, Planta do piso térreo da casa, Ernesto Korrodi, 1910

Ernesto Korrodi (1870-1944), fui um dos pioneiros e mais bem sucedidos arquitetos da Arte Nova em Portugal, tendo conquistado duas vezes o Prémio Valmor. Para além da Casa de António Macieira, em 1917 o mesmo galardão lhe foi atribuído pelo prédio na Rua Viriato, n.º 5, propriedade de António Macieira Júnior, destacam-se ainda da sua autoria, os projetos para o Castelo da D. Chica, em Palmeira, o Paços do Concelho e a Recuperação do Castelo de Leiria, Casa Museu Egas Moniz (Avanca), de entre outros.


Castelo da D. Chica, também referido como Castelo de Palmeira, Casa da Chica ou Palácio de D. Chica .
Trata-se de um edifício apalaçado, de características ecléticas sobre um estilo romântico, projetado pelo Arquiteto suíço Ernesto Korrodi.
A sua construção iniciou-se em 1915, por iniciativa de Francisca Peixoto de Sousa, nascida no Brasil, que mandou vir do seu país muitas das espécies arbóreas actualmente existentes na mata envolvente.
Ao longo de sua história mudou várias vezes de proprietário, arrastando-se as obras por décadas, só sendo concluídas em 1991, adaptado a restaurante e bar.
Foi homologado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 20 de Fevereiro de 1985.
Atualmente o imóvel encontra-se num estado de abandono e degradação, depois de passar por uma disputa judicial quanto à sua posse, envolvendo várias entidades.


As suas obras decorrem de uma atitude paradoxalmente eclética e moderna, apoiando-se por um lado, numa reinterpretação de soluções referenciadas no período medieval ou na Renascença; por outro lado também e simultaneamente, em fórmulas sediadas nos movimentos Arts and Crafts, Arte Nova (Art Nouveau) ou Secessão. Nos seus projetos persistem determinadas dependências e hierarquias, mas estas se cruzam com as necessidades despertadas pelas inovações técnicas, o que faz com que se preocupe também com a resposta à eclosão de novas funções e mobiliário na casa, a par das exigências higienistas do momento.


A Câmara Municipal de Leiria (CML), Foto de 2014.

O prédio acabaria por ser demolido no finai de 1961 para dar lugar ao Teatro Villaret, infelizmente não foi o único “sacrificado”, numa artéria que praticamente perdeu todo o seu referencial de origem, também o palacete Silva Graça, projeto de Miguel Ventura Terra e Viria, que mais tarde, viria a transformar-se no Hotel Aviz, foi demolido em 1962 para ali se construir o Sheraton e o Imaviz.


Teatro Villaret, foto da Inauguração, 1965.
Propriedade da Tebo-Teatros de Bolso, Lda., do ator Raúl Solnado, que desempenhava também as funções de diretor do espaço, teve o nome em homenagem ao ator João Villaret. Projetado e decorado pelo arquiteto Daciano Costa.

Fontes:
RESDOMUS, Camilo Korrodi: entre a tradição e a modernidade, Ana Filipa Pinto Pinhal (Arquiteta, FAUP/PDA), 2015
lisboasos.blogspot.com
pt.wikipedia.org
restosdecoleccao.blogspot.com
jaimeroriz.com

Prémio Valmor em 1919 – Palacete Alfredo May de Oliveira – Demolido a 1961

Foto do Palacete Alfredo May de Oliveira , 1961

Numa data que não se consegue precisar, o Sr. Dr. Alfredo May de Oliveira teve a ideia de construir um palacete no terreno que possuía na Av. Duque de Loulé, nº 47. Para materializar as suas intenções mandou chamar o arquiteto Álvaro Machado. Alfredo May de Oliveira apresentou um projeto para licenciamento à Câmara Municipal de Lisboa, no dia 2 de Janeiro de 1918, para construção de uma moradia. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919.

O edifício estava em construção em 1919, quando no dia 17 de Janeiro do referido ano, foi apresentado um projeto de alterações de fachadas e outros pormenores para adaptação do piso térreo a estabelecimentos comerciais. No espólio doado, ao Museu do Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura, Instituto Superior Técnico, há um desenho emoldurado (datado de 1918) de um capitel idêntico aos que decoravam parte dos vãos, do terceiro piso, desta moradia. Álvaro Machado ocupa todas as frentes neste lote de gaveto, com um pátio no interior. A verticalidade e elegância sugerida pelos vãos marcavam este edifício, contrastando com a horizontalidade da cimalha e vãos do terceiro piso. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919


Álvaro Machado foi autor de diversos projetos para bairros e moradias na zona de Lisboa, entre os quais se contam o Bairro das Roseiras, uma casa e o atelier em Algés para um escultor. Foi autor do túmulo dos Viscondes de Valmor em 1900, do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em Lamego e possivelmente autor do Palácio do Comércio da Associação Comercial de Lisboa em 1917. Na capital portuguesa destacam-se ainda o atual Museu Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, que recebeu a menção honrosa do Prémio Valmor, bem como o prédio já demolido na Avenida Duque de Loulé, n.º 47, que venceu aquela prestigiada distinção em 1919. Colaborou com Rosendo de Araújo Carvalheira no Sanatório da Parede, tendo desenhado a enfermaria de doenças contagiosas para aquela instituição.
Na década de trinta o novo proprietário, João Jorge Carlos Pinto, apresenta um projeto para alteração de fachadas e planta para converter o piso térreo em estabelecimentos comerciais. O projeto deu entrada no dia 19 de Outubro de 1934, o construtor civil, inscrito na Câmara Municipal de Lisboa segundo o número 75, foi Manuel Panto Nunes. No dia 23 de Setembro de 1961, o proprietário (João Manuel de Castro Júnior) pede licença de 30 dias para a total demolição do edifício.

Fontes:
maislisboa.fcsh.unl.pt
toponimialisboa.wordpress.com