Sanatório de Mont’Alto ou Sanatório de Valongo


Uma Necessidade;

Cartaz: B.C.G. Mais Vale Prevenir do que Remediar
Coleção da Tuberculose – 1955, In http://www.insa.min-saude.pt

A propagação da tuberculose teve um exponencial crescimento nas duas ultimas décadas do século XIX, o elevado nível de contagio e o desconhecimento das precauções para com a epidemia, estiveram na origem da sua dimensão.

Cartaz: Assitencia Nacional aos Tuberculosos
Coleção da Tuberculose – 1930 – In http://www.insa.min-saude.pt

Também Portugal viria a ser atingido com o surto e assim como a maioria dos países desenvolvidos ou, tecnicamente, em vias de desenvolvimento, teve que adotar medidas que podassem dar resposta não só aos casos diagnosticados, mas também salvaguardar os sãos. A capacidade hospitalar para os receber, com o acrescido risco de contagio e a necessidade de isolamento, ficavam muito aquém do necessário.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto numa sala de tratamentos.
In http://portugalparanormal.com, s/d

já no inicio do século XX começam a surgir sanatórios por todo o país, de norte a sul, do inteiro ao litoral. O aparecimento destas unidades hospitalares está diretamente relacionado com a doença, desde a escolha da sua localização geográfica até a sua especialização médica.

Ilustração Alusiva a Homenagem à Rainha Dona Amélia
pelo reconhecimento das suas acções beneméritas.
In http://restosdecoleccao.blogspot.com, s/d

A Rainha Dona Amélia, esposa do Rei Don Carlos e ultima a ocupar esse cargo antes do asilo entre França e Inglaterra, fundou a 11 de junho de 1899 o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculoso, que esteve na origem da construção dos sanatórios em todo o país.

A ATNP (Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal ) ,
hoje é uma IPSS que tem como objetivos o apoio a crianças, jovens e famílias, na saúde, educação, cultura, desporto e intervenção comunitária.
In Facebook da ATNP

Outras instituições surgem com o intuito do combate à doença, em 1930, com a fundação da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal (ATNP) pelo professor António Elísio Lopes Rodrigues, a região ganha novo fôlego no combate ao flagelo. É então que o Sanatório de Mont’Alto, conhecido como Sanatório de Valongo, mas localizado em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, começa a ganhar vida, ultimo a ser construído no país, as obras arrastaram-se anos e anos e o Sanatório, que começou a ser construído em 1932, só foi inaugurado em 1958, entre financiamentos bloqueados e petições populares.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

O local escolhido, Monte de Santa Justa, um dos três pontos de maior elevação das “Serras de Valongo”, a pouco mais de 6 km da cidade do Porto e repartidas entre os concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes, foi escolhido pela proximidade dos grandes centros e ao mesmo tempo pelo isolamento geográfico e ainda porque a altitude de 367 metros proporciona um ar de qualidade superior, fator importantíssimo para o tratamento da doença sobretudo relacionada com os pulmões.

A Memória e Obra de um Arquiteto

Júlio José de Brito (1896-1965)
Arquiteto, Engenheiro e Professor.
In sigarra.up.pt

A obra de Júlio de Brito contribuiu para a construção da imagem da cidade do Porto na primeira metade do século XX, num entanto a sua obra extensa e distinta tem hoje maior visibilidade do que seu próprio nome. Filho do pintor homónimo Júlio de Brito, seguiu os passos do pai enveredando pelo mundo das artes, estudou também na Escola de Belas Artes do Porto, onde se formou em arquitetura e onde acabou por lesionar durante vários anos, mais tarde inscreveu-se também na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto onde se viria a formar em engenharia civil.


Foto do Teatro Municipal Rovoli, Projeto de arquitetura e engenharia da responsabilidade de Júlio Brito, propriedade da Câmara Municipal do Porto, situa-se na Praça D. João I e foi inaugurado em 1913 como teatro e em 1932 reinaugurado com as adaptações como cinema. In Wikipédia.pt e editada.

Paralelamente ao ensino, desenvolveu importantes projetos de engenharia e arquitetuta, projectou grandes e pequenas construções, umas mais notáveis, outras dentro dos gostos encomendados. Seguidor do mestre José Marques da Silva, um dos principais responsáveis pela introdução da era modernista na cidade do Porto, Brito soube desenvolver e, nalguns momentos, evoluir em paralelo.

Foto do Coliseu do Porto, Projeto arquitetónico estilo “Arte Deco” resultado da pareceria dos arquitetos Júlio Brito, Cassiano Branco e Mário Abreu, propriedade da “Companhia de Seguros Garantia”, situa-se na Rua Passos Manuel e foi inaugurado em 19 de dezembro de 1941. Foto de Paulo Pimenta in Jornal Público e editada.

Parte da sua obra fica para a História como o Teatro Municipal Rivoli e o Coliseu do Porto, mas também a Faculdade de Engenharia e os Edifícios Garantia (da Rua de Sá da Bandeira, da Avenida dos Aliados e de Famalicão), cujos formulários serviram de paradigma às gerações de arquitectos que se seguiram.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da fachada principal do edifício ainda em funcionamento.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Júlio de Brito esteve perfeitamente integrado na “Escola do Porto”, movimento caracterizado por um modernismo arquitetónico estabelecendo ligações entre a arqutetura clássica e o “Arte Deco”, potenciadas pelas tecnologias e necessidades atuais. Num entanto nunca abandonou de fato a arquitetura tão apreciada pelo regime do Estado Novo, a “Casa Portuguesa” com caraterísticas ancestrais e intrínsecas da cultura portuguesa.
Júlio José de Brito foi um artista do seu tempo, lembrado pela Câmara Municipal, que, por deliberação de 7 de Julho de 1992, atribuiu o seu nome a uma rua da freguesia da Foz do Douro Rua de Júlio de Brito.

Foto de visitantes e familiares de doentes internados no Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da entrada principal do edifício, localizada na lateral e ainda a escola no lado direito.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Uma das suas primeiras grandes obras viria a ser o imponente Sanatório de Mont’Alto, Inaugurado em 1958, o enorme edifício está inserido numa área de 88.000 metros quadrados, aproximadamente nove campos de futebol,possuía 5 pisos e um recuado, camas para internamento com capacidade de 500 pacientes, para além da imensidão do Sanatório, a área envolvente contava ainda com uma escola, uma lavandaria, uma igreja com acesso interior direto, uma capela e um reservatório de água, todos eles estão hoje devolutos e em avançado estado de degradação.

Foto da Vista Aérea do Complexo dos Edifícios que Integram o Sanatório de Mont’Alto. Foto in avalache-lazer.blogspot.com,num artigo relacionado com o desporto PAINTBALL.
Fachada rpincipal da pequena escola do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Fachada lateral da igreja em primeiro plano,
parte da lavandaria em segundo plano
e o reservatório de agua ao fundo em terceiro plano,
Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Como já referido anteriormente a ideia da construção do Sanatório no inicio dos anos 30, aparece ligada a fundação da ATNP, o problema é que para alem da demora da sua conclusão, cerca de 26 anos, chega numa altura em que a doença começa a ser tratada em deambulatório, desde 1958 a 1972 podemos dizer que para a dimensão e capacidade do edifício, foi um período de funcionamento muito curto, face ao investimento projetado.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A partir dos anos 70, os sanatórios perdem a sua importância com o aparecimento de tratamentos mais eficientes sem necessidade de internamento e por isso tornam-se obsoletos, sendo relegados para o esquecimento: Em 1972, já havia muito poucas pessoas no Sanatório e a grande maioria funcionários do Couto das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova, alí muito próximo e também extinto nos anos 70, fruto da descida do preço do petróleo que passou a configurar uma opção mais rentável para a industria.

Atualmente o Sanatório de Mont’Alto;

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Um complexo hospitalar cujo pico de atividade terá rondado os 300 pacientes no inicio dos anos 60, atualmente, relativamente às funções para que fora projetado, já só restam memórias, não se encontram vestígios óbvios de que, um dia, aquele lugar tenha sido um hospital de fato.

Pormenor das janelas da área de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Vista de cima das pequenas escadas de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar, vista parcial da sala principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Corredor de acesso aos quartos do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Sem uma única porta, uma janela, apenas salas amplas completamente vazias, corredores descaracterizados, casas de banho completamente vandalizadas, ausência de corrimão e caixas de elevadores vazias são traços em comum nos seis pisos que compõem o edifício.

Pormenor da paredes do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Terraço da varanda e fachada exterior do piso recuado de Mont’Alto
Ruína em 2018

As paredes, principalmente a do ultimo andar, são dos poucos elementos que apresentam alguma vida, cobertas de grafites que embora não combinem com o lugar, conferem alguma beleza artística que talvez um dia tenha tido.

Perspetiva do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018

O ultimo piso, um recuado já sem teto e com uma ampla varanda a todo o cumprimento do edifico, é talvez a maior atratividade ou a melhor recompensa para quem explora o local, a vista fabulosa que proporciona, num dia completamente limpo, prolonga-se até ao mar.

Capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Capela do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018
Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também da igreja e da capela não há vestígio de qualquer aspeto artístico original, as paredes destas encontram-se também decoradas ao gosto casual de quem por lá passa e deixa testemunhada a sua arte.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Não foi apenas o tempo o grande responsável pelo estado de degradação dos edifícios, depois que a instituição deixou de trabalhar com doentes de tuberculose, e com o estrito relacionamento que mantinha com o Estado Novo, depois do golpe militar, os seus edifícios foram saqueados, extinguiram-se os mecenas e o sanatório de Mont’Alto foi-se degradando.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Após o saque de que foi alvo, ainda é possível encontra objetos pertencentes ao sanatório por várias casas da região, desde camas, cadeiras, de entre outros utensílios. O Sanatório foi também fustigado por incêndios como é possível constatar pelo seu estado débil assim como pelas árvores queimadas nas imediações do espaço.

Pormenor das cosinhas e casas das máquinas do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Das atividades que caracterizavam o lugar há mais de 50 anos, não há vestígios, muito embora saibamos que a medicina, a religião e o ensino tenham sido atividades de grande relevância para os utentes.


Ângulo da Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Hoje o potencial do lugar é explorado por um leque de atividades mais diversificados, a criatividade é o limite de quem visita o lugar.

Foto da organização de um simulacro no edifício
do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína s/d
Foto do Exercício de simulação de situação sísmica
na capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína 2015, In verdadeiroolhar.pt

Talvez das mais importantes e com maior interesse para a população em geral, estão os testes e simulacros promovidos pelos Bombeiros e Proteção Civil, apesar de estes provocarem alguns danos acrescidos ao já degradado edifício.


Reflexo do Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Outra das atividades óbvia e com maior intensidade, até pela dimensão e versatilidade do espaço são os grafites, não equaciono a legalidade nem tenciono, o fato é que edifícios abandonados, pelo menos os que visitei, são lugares bastante apetecíveis para a realização desta atividade que nem sempre está relacionadas com a arte, mas não no meu ponto de vista.

Programa da organização de de uma atividade radical no Sanatório Mont’Alto,
Ruína, 2018
Parede do corredor de um dos pisos, fustigada com as balas do paintball,
Ruina 2018

Ainda dentro das utilizações mais comuns, está o paintball, quem já explorou o lugar e conhece os recantos do complexo consegue perceber o interesse que existe associado para a prática deste desporto, estruturas labirinticas cheias de corredores, aberturas de portas e janelas, edifícios de várias altitudes e o próprio isolamento, são características do agrado dos amantes da modalidade. Várias as empresas “vendedores de experiências” desportivas, promoverem eventos no local. São visíveis nas paredes as pintas coloridas dos disparos falhados do decorrer da “caçada”.

Foto de noiva as ruínas do sanatório de Valongo,
s/d, In fotofigueiredo.com

O edifício acolhe ainda, casualmente, fotógrafos de várias áreas de atividade, desde eventos familiares, fotógrafos de moda, fotografia artística entre outras que encontrem potencial nos cenários proporcionados pelo local.

Foto de registos alegadamente sobnaturais.
Ruínas, s/d In http://portugalparanormal.com
Foto de um dos corredores do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

É também muito conhecido pelo “darck tourism” é mesmo um dos mais conhecidos do país, talvez pela sua atividade associada a morte, tenha popularizado como um local ligado ao mundo sobnatural, certo é que das duas vezes que o visitei reparei em algumas situações evidentes de “atividades” decorrentes ligadas ao oculto mais conhecidas como rituais. Encontram-se com alguma facilidade reportagem filmadas no local sobre o tema, no youtube, por exemplo.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também percebi que no piso térreo, pelo menos, até há bem pouco tempo, o espaço serviu de abrigo para pessoas sem condições financeiras, os vestígios eram bastante recentes.


Foto do ultimo patamar das escadas principais, onde é visível a reconstrução com tijolos da vedação do patamar, edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Toda via é visível alguma manutenção no espaço, claramente é efetuada a remoção de resíduos e também se tenta asseguara a limitação de acesso a locais que possam oferecer maior perigo, como por exemplo o acesso as escadas e poços de elevadores.

Especulação sobre o Sanatório de Mont’Alto;

Captação Aérea efetuada o complexo do Sanatório de Mont’Alto
s/d In datario.net

Em cada abordagem que é feita a história do sanatório, são varias as especulações que se atribuem ao futuro do lugar.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

A ATNP, instituição responsável pela gestão do local, tem uma ambição definida para o complexo, é imperativo promover a sua reabilitação, entendem que o potencial do lugar deverá ser canalizado para a saúde ou o turismo, de uma forma integrada com os cerca de 9 hectares de terreno. Turismo porque beneficiaria toda aquela zona de Gondomar e saúde para ser usado pela comunidade. O Sanatório cresceu com o apoio da população para ajudar as pessoas mais debilitadas e enquanto IPSS, os objetivos de vertente social são prioritários.

Capela do Sanatório de Mont’Alto, vista do terraço,
Ruína em 2018

O equacionamento de projetos ambiciosos para o local, pela dimensão do investimento e pelo interesse publico local, passa por parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal de Gondomar.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A verdade é que o Sanatório de Mont’Alto continua ao abandono há quase 50 anos e, apesar de terem surgido ideias de alguns projetos na comunicação social local, como um hospital para os retornados do Ultramar ou um hospital psiquiátrico, um lar de idosos também foi uma possibilidade, mas a verdade é que nada avançou e ainda hoje se especula sobre a reabilitação do edifício principal, espero que encontrem uma solução, com maior antecipação face ao eventual estado irreversível de ruína, do que foi a sua inauguração em função dos tratamentos efetivos para a época.


4.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Fontes:
portugalparanormal.com/
monumentosdesaparecidos.blogspot.com/
jpn.up.pt/
flickr.com/
Júlio José de Brito, arquitecto e engenheiro civil– um artista no Porto – Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo GRAÇA


Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
vista sobre o Porto
Ruína em 2018


Ruínas do Convento de S. Francisco de Caria

Fachada da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco

Rua e Caria, hoje duas freguesias do Concelho de Moimenta da Beira, mas nem sempre assim foi, já foram a mesma, exerceram domínio uma sobre outra e agora independentes entre si, pareço falar de relacionamentos interpessoais.. mas o que é a gestão das povoações se não a vontade, relações e interesses de pessoas?
Designada como Vila de Rua, chegou a ser cabeça do concelho de Caria (ou Caria e Rua), formado em 1512, por foral de D. Manuel. Em 1527, o Cadastro da População do Reino refere que a sede concelhia está em Caria, mas na segunda metade da centúria regressa a Rua. O concelho foi extinto em 1855, data em que passou para o concelho de Sernancelhe, sendo anexo ao de Moimenta da Beira por Decreto de 21 de Maio de 1896. Era priorado da apresentação do ordinário e passou mais tarde a abadia, sendo a sua sede na antiga vila de Caria de Jusã, hoje Vila da Rua. Diocese de Lamego.

Igreja Matriz de Moimenta da Beira

Também Moimenta da Beira, se terá fixado outrora, em coordenadas geográficas divergentes das que ocupa hoje em dia, sim, crê-se que Moimenta tivesse existido entre Baldos e Fornos, duas das suas freguesias, onde se teria erguido uma igreja que mais tarde foi trazida para o local onde hoje está edificada, este habito de transferir edifícios “pedra a pedra” é mais comum do que possamos pensar e em épocas também muito variadas.
Por vezes, nas localidades mais pequenas e relativamente interiores, a Igreja Matriz acaba por ser um ex-libris fazendo uma população e talvez mais tarde afamada, como foi o caso de Moimenta da Beira. Contudo, foi difícil reconstruir um esquema urbanístico da Igreja Matriz, tal como era há mais de 150 anos. O altar-mor foi construído tal como a tribuna, não coincidindo com a estética anterior, vindo por isso um especialista de Braga para a reconstrução fidedigna. Em 1932 foi construída a torre, que abrigou os sinos do Convento de São Francisco.

Torre Sineira da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco

A imagem de São João, o padroeiro da vila, foi para Braga para substituição da cabeça, porque assim quis a população. O adro da igreja, fora do normal, serve de cemitério, tendo sido construído três anos antes de Moimenta pedir o convento para a sua igreja.
Basta juntar vários episódios semelhantes, para perceber como o Convento de S. Francisco chega aos dias de hoje na afirmação de uma “imponente” ruína.

Fonte de S. Francisco e Igreja Matriz da Rua

O Convento da Ordem Terceira de São Francisco terá sido construído no século XV. Existe uma Bula de Fundação do convento concedida pelo Papa Eugénio IV que data de 1443.
Na origem da sua fundação, está uma lenda que diz ter sido sobre a fonte que S. Francisco, um pobre de Assis, profetizou, numa das suas caminhadas a Santiago de Compostela, que aí haveria de ser construído um convento em honra dos seus irmãos Franciscanos. E assim foi. Com a construção do convento, essa fonte terá sido deslocada para o adro da Igreja Matriz da Rua, onde existe também um pequeno coreto.


São Francisco abraçando Cristo na cruz , 1668,
Óleo sobre tela de  Bartolomé Esteban Murillo

A Rota “francesa” de Santiago, cruzando o norte da Espanha, passava a fronteira em Escarigo, seguindo para Trancoso, e depois para Norte, passando justamente por Moimenta da Beira, a caminho de Lamego. Uma tradição local pretende mesmo que a futura fundação do Convento de São Francisco de Rua tenha sido profetizada pelo santo, que aí passara em peregrinação a caminho de Compostela.

Pelourinho da Rua, que juntamente com a habitação e pátio,
foram escolhidos como representantes modelo da “Casa Beirã”

Esta representa a existência da ordem franciscana na região e a monumentalidade da freguesia, nomeadamente no Pelourinho da Rua de arquitetura manuelina, um belo exemplar, onde a presença de vieiras parece sugerir uma alusão ao Caminho de Santiago de Compostela.
O Convento foi um dos primeiros a ser fundado da Ordem Terceira Secular em Portugal, com uma pequena igreja, campanário e dormitórios. Neste local passaram a realizar-se celebrações litúrgicas e atividades ligadas à igreja.

Monumento em Homenagem a Manuel A.C. Campos e Maria de Sá campos, pais do antigo Senhores desta Quinta, Amândio campos

Eram os frades que ali viviam que sacrificavam as suas vidas em prol dos pobres, dos desamparados, durante séculosa até as reformas liberais.
Era, também, o lugar preferido para último repouso das famílias principais, a que nem sempre reagiu com agrado o reitor da paróquia ruense. Pouco se sabe acerca dos quantitativos da comunidade franciscana de Caria. Neste particular, sabe-se apenas que em 1587 o abade de Alcobaça, frei Guilherme da Paixão, visitou a Terceira Ordem de S. Francisco, encontrando no convento de Caria 17 frades.
A ordem foi extinto em 1834 e adquirido por Amândio Campos em 1919 a Margarida Nápoles Alpoim, sem um projeto expecifico para todos os edifícios da quinta, de exploração agrícola, é na arte sacra que se inicia uma pilhagem das suas pertenças que culmina com o inicio da sua gradual degradação.

Tanque e fonte do jardim da Quinta.

Neste momento o convento pertencente à Efore-Beiras – Empresa de Formação e Ensino de Moimenta da Beira, Lda e integra património arquitetónico e agrícola da bela “Quinta do Ribeiro”.
O nome “Quinta do Ribeiro”, termo relativamente recente, esta na origem de um pequeno curso de água ou nascente que alí emerge, já a quinta em si tem origem na anexação da Quinta do Paço(Paço dos Bulários), dos senhores de Távoara, doada aos frades da Ordem Terceira de São Francisco pelo rico e nobre Pedro Gil para a erecção de um convento o qual aí se fundou dando posse da igreja aos religiosos que nela celebraram a primeira missa em 28 de Agosto de 1445, dia de Santo Agostinho.

Aquilino Ribeiro (1885-1963)

Esta Quinta serviu de cenário a uma obra e ficção de Aquilino Ribeiro (A Via Sinuosa). Na Casa de Aquilino, existe um quadro alusivo às ruínas do Convento, assim como pinturas, esculturas alusivas, em alguns casos, a São Francisco e a outros Franciscanos.
Aquilino Gomes Ribeiro(1885-1963), natural do Carregal da Tabosa, Concelho de Sernancelhe, filho de um padre e de uma camponesa, preso acusado de “anarquismo”, estuda em París na faculdade de letras, não termina a licenciatura, regressou derivado a problemas relacionados com a Guerra Mundia, lecionou mas é na escrita que se destaca, considerado por alguns como um dos romancistas mais fecundos da primeira metade do século XX. Iniciou a sua obra em 1907 com o folhetim “A Filha do Jardineiro” e depois 1913 com os contos de Jardim das Tormentas e com o romance A Via Sinuosa, 1918, e mantém a qualidade literária na maioria dos seus textos, publicados com regularidade e êxito junto do público e da crítica.

Miradouro da Quinta

Descrita por Aquilino como num dos ex-libris das também por ele batizadas “Terras do Demo” o Convento de S. Francisco localiza-se num dos dois extremos mais altos da encosta que circunscreve a quinta, na outra extremidade um colossal miradouro, que justifica qualquer exagero ficcionário da narrativa literária que o escritor lhe inspirou.

Fachada da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco

Reminencias criativas à parte, as fotos que acompanham esta tentativa de narração histórica, pretendem transcrever, quanto seja possível, a beleza que ainda descreve cada recanto do lugar.

Pormenores do jardim da quinta

“Atravessada a quinta por esta via, reclina-se suavemente pela encosta, numa compilação florística, hoje muito diferente do que já foi. Arvoredos verdejantes e floridos com matagais, em doces emanações de frescura que as águas brotam e deslizam a seus pés, e leiras fecundas onde outrora cresciam mimos pujantes e hortas viçosas. Bonita e bem lavada de ares constantes, esta é uma quinta de quietude patriarcal, de viver provinciano. O pronunciado declive tem um pico, onde se ergue altaneiro e senhoril um miradouro, que olha das alturas a líquida fita coleante que se alonga por entre alcantis agrestes e prados verdejantes. Daí lobrigam-se sem fusco, serranias churras, pinheirais, cristas pedregosas e ainda vários povoados.”

Capela da Quinta

“Olhando em redor aprisionam-se os sentidos e por ali ficamos, estáticos, como sôfregos na retrinca. Cada recanto de feição rural revela a ancianidade do local. Olhar para estas aguarelas com olhos de ver, é viajar por várias dimensões e rememorar as idades esquecidas, os legados que ainda não findaram. “

Tanque e fonte do jardim da Quinta.

O espaço é bastante generoso e arquitetónica diversificado, embora não possa precisar a construção de cada uma da estruturas, é certo que não foram todas edificadas nas mesmas épocas, além do convento, com duas estruturas físicas, a igreja e casa residencial dos frades, ambos em ruínas, proliferam ainda distribuídos funcionalmente por este espaço fértil, um solar, o Paço dos Bulários com vários anexos transformados em Escola Profissional Tecnológica e Agrária, além de um belíssimo tanque, algumas fonte, um pombal a capela de Nossa Senhora da Conceição, e vários outros apontamentos menores na sua dimensão, mas não em importância, vários arcos, escadas, varandas cuja seus contornos caracterizam os jardins e a distribuição arvorica.

Pormenores do jardim da quinta.

“Louçainho de ricos pormenores de antanho que o mugre fétido parasitamente procura elidir, possidente, o convento encontra-se, hoje, em sepultura de vala aberta. O esqueleto que dele resta está apossado da sôfrega natureza, rubuste milhafre que o abocanha e suga. Sem suficiência, porém, para esconder ricos pormenores de antanho que a incúria do tempo e dos homens não conseguiu letificamente fazer ruir. Da igreja avulta, de nariz arrebitado, altaneira e senhoril, uma torre sineira de três secções verticais que se elevam da base através de colunas de pedraria uniformemente talhada, que suportam o peso de todo o conjunto.”

Fachada da Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco

“Com janelas circunferenciais e quadrangulares de pequena bordadura granítica exterior, destinadas à luminescência, sobressai o derradeiro elemento seccional, cimeiro, ligeiramente mais estreito, como aquele que mais ornatos permite esquadrinhar. Os quatro cunhais de pilastras quadrangulares, onde convergem as paredes deste elemento seccional quadrifacetado, terminam em jeito de capitel onde assentam quatro lintéis que servem de base ao telhado de cujos vértices saem quatro gárgulas em forma de corneta. Cada uma das faces desta torre possui quatro aberturas em janela pronunciada de onde se vislumbravam e irradiava a equissonância de sineiras composições.”

Pormenor da porta principal da
Ruína da Igreja do Convento de S. Francisco

“O resto da igreja apresenta-se sob duas faces. A do meio, contígua à torre, assume a centralidade do edifício. A reentrância do portal de ampla quadratura inicia-se com arco de três arestas ladeado de cunhais encimados de remate. Segue-se uma portentosa janela rectangular com bordadura exterior, como todas as outras do edifício, por onde se fazia a iluminação do interior. Ombreia com duas outras, igualmente de traçado rectangular mas com menor área, que estreitecem para dentro, isto é, com traçado oblíquo na espessura da parede em jeito de lancis de quebra-luz. Termina o conjunto em telhado triangular de face ornada com arco semi circunferencial a guardar nicho granítico de traçado esbéltico, assente em base saliente e suportado por pequenas colunas de base fuste e capitel, destinado, por certo, ao patrono. A outra face, no cerne de dois poderosos cunhais, autênticas longarinas, comporta um portal robusto, de menor área do que o anterior, em conjunto quadrangular encimado de janela circunferencial elevada a cerca de 6 metros.”


Citações do meu conterrâneo e também contemporâneo de Escola Dr. Joaquim Dias Rebelo (Homenagem a titulo “Pretumo”), Dr. Jaime Gouveia em “A História da Nossa Terra”, 30 de março de 2013

Ruína da fachada da Casa dos Frades
da Ordem Terceira de São Francisco

Em completo abandono, restam apenas as ruínas da igreja, onde sucintamente é visível uma fachada em granito, característica própria do modo de vida da Ordem que lhe deu origem, pobre e modesta todo o edifício apresenta ainda pequenos elementos decorativos, com algumas referências classicistas e uma torre sineira. Existe também um outro edifício anexo,mais recente de traça barroca – a Casa dos Frades da Ordem Terceira de São Francisco.

Ruínas de edifícios anexos

Hoje restam as memórias e lendas que por ali passaram.

Prato exemplificativo do aspeto da Marrâ

E são muitos os que por alí passam e param de quando em vez, é realizada uma feira anual que assinala o fim das colheitas, num largo com o mesmo nome e em honra do patrono do convento, S. Francisco, esta feira é realizada, pelo menos, desde 1664 data em que aparecem relatos em manuscritos relativos à congregação, é popularmente conhecida como a feira da “Marrã” cujo termo, muito antigo, designa a bácora que já deixou de mamar ou simplesmente a sua carne. Marrã, também popularizado em outras feiras pelo pais, cuja variedade vai de encontro às tradições gastronómicas da região, “nós por cá”, vulgo carne de porco ou torresmos, são os mais comuns.

Bom apetite!!!

Ruína da Torre da Igreja e da fachada da Casa dos Frades
da Ordem Terceira de São Francisco

Fotos:

As fotos não assinadas foram retiradas das fontes ou de outros sites.

Fontes:
cm-moimenta.pt
freguesias.pt
pt.wikipedia.org
patrimoniocultural.gov.pt
avataresdamemoria.blogspot.com

Arcos do jardim da quinta

Ruínas da Igreja Matriz de Arcozelo

Foto da entrada no Cemitério de Arcozelo e
Ruínas da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

A procissão em honra da padroeira, Nossa Senhora de Entre as Vinhas, ainda passa, todos os anos pelos dias 7,8 ou 9 de setembro, pelas ruas da freguesia dos Arcozelos, mas não ao toque dos sinos da torre da antiga Igreja Matriz.
Apesar do notório estado de ruína, em que se encontra, continua a ser o monumento mais emblemático da freguesia dos Arcozelos. Edificada no século XVII, no lugar de Arcozelo do Cabo, possuía, no seu interior, quatro altares, designadamente o de Nossa Senhora de Entre as Vinhas (a padroeira), o do Santíssimo, o do Senhor da Aflição e o do Coração de Jesus, e ainda duas capelas particulares: a de Santa Isabel (onde aparecia gravado na pedra o ano de 1517), pertencente à família dos Sás, e a de Santo Agostinho, da família dos Rebelos, ambas com os respetivos brasões. Possuía ainda as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Santo António e Santa Bárbara. Tinha já em 1758 uma irmandade do Coração de Jesus.

Foto do Sino da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Arcozelos é o resultado da junção das povoações de Arcozelo da Torre e de Arcozelo do Cabo. A sede de freguesia era na altura o Arcozelo do Cabo, onde foi criada a primeira escola, que passa em 1885 para o Arcozelo da Torre, por esta altura, uma ligeira rivalidade, que há muito se faz notar, entre as localidades da freguesia, com implicações sobretudo a nível da administração local, vai influenciar também as decisões paroquiais.


Foto da fachada da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Com a necessidade de realização de obras de reparação na Igreja Matriz, surgem intenções de a “deslocar” para terreno “neutro” às duas localidades, desta forma, e depois de vários anos de impasse em que a grande penalizada foi a Velha Igreja Matriz, acaba por ser construída, já em pleno século XX, uma nova Igreja Matriz, na localidade de Arcozelos, que viria a sentenciar a ruina literal da então Igreja Matriz.

Foto da fachada principal da Nova Igreja Matriz


Estendem-se as terras arcozelenses desde a ribeira de Leomil até à Quinta de Porquinhas, passam pelas matas do Verdeal e espraiam-se pelos campos da Ribeira do Tedinho. Toitam, Admeios, Porquinhas, Seixo, Arcozelo da Torre e Arcozelo do Cabo são os topónimos mais importantes que assinalam a aglutinação da comunidade arcozelense. Fez sempre parte do concelho de Caria, passando para o de Moimenta da Beira em 1834. Freguesia mais recente que os povos que a formam, (Toitam é o povo mais antigo dos Arcozelos, certamente anterior ao século XII, possivelmente erigido a partir do velho Castelo de Caria), surge no século XV/XVI, como capelania da Vila da Rua. Foi depois elevada a paróquia, tendo arquivo paroquial próprio desde 1583. Era curato anexo à reitoria da vila da Rua, passando mais tarde a reitoria.


Foto da fachada principal e lateral da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Terra de casas senhoriais, algumas das quais brasonadas, tendo existido, numa delas, uma torre onde se arrecadavam os foros reais, segundo informação da memória paroquial de 1758, escrita pelo padre Inácio Vicente. Terra de sepulturas remotas escavadas na rocha (na Gaia e na Senhora da Cabeça), de espécimes artefactos raros como a Pedra do Responso, de fontes antigas e de dois ribeiros que obrigaram à construção de pontes arcadas. Terra de Rebelos, Sás, Coutinhos e Lencastres que deixaram para os vindouros resquícios da sua remota existência. É também terra de belos monumentos religiosos, uns do povo outros de particulares, alguns dos quais soçobraram com o tempo, nomeadamente a capela do Mártir, a capela de Nossa Senhora da Cabeça, a capela de Santa Eufémia, a ermida de Santo António, a capela de S. Sebastião, a capela de N. Sra. da Encarnação, a capela de N. Sra. da Conceição, a capela de S. José e a capela de N. Sra. da Piedade.

Foto de pedra tumular deslocada


A pesquisa arqueológica feita até ao momento indica que o território que constitui a freguesia dos Arcozelos foi parcialmente romanizado e os principais vestígios medievais são sobretudo referentes a enterramentos, sendo eles nomeadamente uma sepultura escavada na rocha no lugar da Gaia e uma tampa presumivelmente sepulcral, colocada junto à Fonte dos Baptizados, no Largo da Bandeira, contudo, já incompleta, onde foram gravadas uma cruz e uma espada.

Foto da porta principal da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Pressupondo-se ainda que, no Toitaínho, ter-se-á edificado uma das fortalezas de Caria, concelho a que pertenceu até ao ano de 1834, antes de integrar o município de Moimenta da Beira, o destaque vai, no entanto, para o legado arquitetónico da Época Moderna, solarengo e especialmente religioso, quando, por algum tempo, as suas terras estiveram sob a jurisdição da Universidade de Coimbra, demarcação essa que ainda se pode observar pela colocação de blocos graníticos com a inscrição “DE V”, nos lugares de ribeira do Tedo, Costeira e Leiras.

Foto do Sino da torre da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Fontes:
AVATARES DA MEMÓRIA, História, Paisagem e Património do concelho de Moimenta da Beira, Jaime Ricardo Gouveia, 2013;
Informações foram colhidas, informalmente, junto de habitantes locais;
memoriaportuguesa.pt;
cm-moimenta.pt;
moimentananet.blogspot.com;