Prémio Valmor de 1928 – Palacete Vale Flor – Alterado / Demolido 1952/53


Palacete Vale Flor, projeto original do Arquiteto Pardal Monteiro,
Fotografia de 1952, pouco antes da reabilitação do edificio.

O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor na Calçada de Stº Amaro, 83-85, projetado pelo Arquiteto Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária.
Edificado em 1925, era uma habitação isolada de estrutura ainda bastante clássica, o júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. 


Foto do edifício atual da Calçada de Stº Amaro, 83-85, Lisboa.


O edifício virai a ser desocupado e vendido, sofreu fortes remodelações em 1953, há quem defenda que tenha sido praticamente demolido, o novo edifício também de habitação atualmente serve de instalações à Embaixada da República da Hungria. Do projeto original do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro não vislumbram grandes semelhanças arquitetónicas entre os edifícios, o termo “remodelação” terá servido para a perpetuação do prestigiado título de arquitetura atribuído ao projeto de Pardal Monteiro.
De entre 1923 e 1943, período correspondente à 2.º fase da Arquitetura premiada com o Prémio Valmor, verificou-se uma irregularidade na atribuição do prémio, apelas atribuídos 11 prémios em 21 anos, depois de três anos sem atribuição do prémio, em 1927 e 1928, o júri verificou a falta de projetos assinados por arquitetos no conjunto de muitos projetos apresentados, uma percentagem bastante diminuta, razão pela qual, a linda cidade de Lisboa, tão encantadora pela natureza, se foi tornando tão banal e antiestética pela obra do homem.


Porfírio Pardal Monteiro (Pero Pinheiro, Sintra, 16 Fevereiro 1897 – Lisboa, 19 Fevereiro 1957) foi um arquitecto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal.

Pardal Monteiro foi distinguido 5 vezes com o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»), na fase inicial da sua carreira que ficou caraterizada por uma fase de gosto internacional e de influência evidente da Arts Déco, são exemplos o prédio da Avenida da República (1923) e na moradia da Avenida Cinco de Outubro (1929). Já referente à sua fase modernista, destacamos a Igreja de Fátima que foi o edifício a ser premiado em 1938 e do edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade (1940). Com Miguel Jacobety Rosa e Veloso dos Reis Camelo que trouxeram novidades técnicas, foram premiadas as moradias nºs 92-94 da Rua da Infantaria 16 (1931, posteriormente acrescentada com dois pisos, que também será abordada), e ainda com Raul Lino, ficou marcada uma rutura com os júris do prémio Valmor com o estilo da Casa Portuguesa (1930, Rua Castilho, nº64, demolida posteriormente). A partir de 1943 elegeram-se um dos melhores prédios do “português suave” onde a arquitetura moderna lisboeta se conformava ao historicismo limitativo do regime político. O Prémio do legado Valmor foi assim sendo adaptado ao tempo, épocas e contextos políticos, económicos e sociais do país. Essas adaptações construíram uma linguagem própria da arquitetura nacional e desenharam uma linha condutora na História da Arte da Nação e permitiram-nos igualmente entender de que forma as influências estrangeiras foram assimiladas e aplicadas em Portugal nos edifícios e na restante arte.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
monumentos.gov.pt
pt.wikipedia.org
chooseroyal.wordpress.com
archive.is
jaimeroriz.com
comjeitoearte.blogspot.com
restosdecoleccao.blogspot.com

Prémio Valmor de 1927 – Pensão Tivoli/ Hotel Tivoli / Lis Hotel /Forum Tivoli – Alterado (1930 e 1980)


Lis Hotel, 1952

A história do Prémio Valmor de 1927 do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior, o edifício de linhas modernas nos números 176 e 180 da Avenida da Liberdade, começa em novembro de 1923, quando o construtor civil José de Sousa Brás pede à Camara Municipal de Lisboa autorização para construir um prédio no seu terreno, destinado a albergar uma pensão, o projeto original sofreu alterações, uma vez que em Abril de 1925 era feito um requerimento para substituir a fachada principal do prédio em construção (curiosamente a única parte do edifício original a chegar ao dias de hoje).


Lis Hotel, 1927 (Aspeto do hotel logo no inicio da sua fundação)

 As qualidades que mais impressionaram o júri ” (…) foram as condições do conjunto e do remate desse mimo arquitetónico, expresso pela sua fachada (…).”.Este todo, uno que vive do encanto que reside na sua própria balsa que constitui um pequeno notável conjunto de Arte, não podendo ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura, embora de bôa arquitetura e que lhe desmancha por completo o ambiente que se desenvolve com prejuízo da educação do público (…)”


Lis Hotel e Cinema Tivoli, 1967(Grande plano do Hotel e da Avenida da Liberdade)

Aquele que começara em 1926 como pensão, passaria um ano depois a Hotel Tivoli pelas mãos de José Francisco Cardoso e Dr. Joaquim Gonçalves Machaz, junto ao Cinema Tivoli onde foi buscar o nome tendo-se transferido para o quarteirão em frente e alugado o Palacete Rosa Damasco que transformaram em hotel entretanto também já transformado num grande edifício.


Lis Hotel, 1940


Edifício marcadamente urbano, traduz uma arquitetura civil comercial eclética, frente muito reduzida onde é ocupada toda a profundidade do terreno e completamente abolido qualquer espaço livre, foi alterada logo em 1930, a propósito destas alterações José Alexandre Soares, Arquiteto Chefe do Conselho de Arte e Arquitetura da Câmara Municipal de Lisboa, opõe-se à execução, embora sem sucesso, considerando o remate da casa, como elemento mais interessante, não podendo este ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura.


Fachada do Edificio integrada no Tivoli Forum, 2000


Sendo ampliado deu lugar ao Hotel Lis que foi demolido em 1980 à exceção da fachada. Fachada essa, de estrutura marcadamente vertical, dividida em dois corpos, um rematado por frontão triangular com pináculos nos acrotérios e o outro rematado por platibanda em balaustrada. Evidencia-se o tratamento das cantarias, nomeadamente no remate da porta principal com ática triangular interrompida por composição escultórica de festões e medalhão central, assim como nos apontamentos em estuque como festões, dentados ou óvulos, sobretudo a inscrever os vãos, patentes em todo o pano murário. Esta esteve amparada por uma cintura de ferro e depois foi integrada no Hotel NH Liberdade inserido no complexo do Tivoli Fórum.


Foto de Manuel Joaquim Norte Júnior , s/d, Autor desconhecido.

Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) foi um dos mais prolíferos arquitetos da sua geração, com uma participação notável em toda a extensão das Avenidas Novas, entre um rol extenso de obras que marcam o seu currículo, sobretudo entre Lisboa, Faro, e Sintra. 

Diplomou-se pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi um dos mais ativos arquitetos do princípio do século.

Arquiteto da Casa de Bragança, é também autor de vários projetos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Cúria, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril e o Palácio Fialho em Évora.

A Sociedade a Voz do Operário em Lisboa e a Associação dos Empregados do Comércio em Lisboa, entre muitos outros edifícios e remodelações são também esboços deste importante arquiteto.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º
VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
cm-lisboa.pt;
arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt

Prémio Valmor em 1919 – Palacete Alfredo May de Oliveira – Demolido a 1961

Foto do Palacete Alfredo May de Oliveira , 1961

Numa data que não se consegue precisar, o Sr. Dr. Alfredo May de Oliveira teve a ideia de construir um palacete no terreno que possuía na Av. Duque de Loulé, nº 47. Para materializar as suas intenções mandou chamar o arquiteto Álvaro Machado. Alfredo May de Oliveira apresentou um projeto para licenciamento à Câmara Municipal de Lisboa, no dia 2 de Janeiro de 1918, para construção de uma moradia. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919.

O edifício estava em construção em 1919, quando no dia 17 de Janeiro do referido ano, foi apresentado um projeto de alterações de fachadas e outros pormenores para adaptação do piso térreo a estabelecimentos comerciais. No espólio doado, ao Museu do Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura, Instituto Superior Técnico, há um desenho emoldurado (datado de 1918) de um capitel idêntico aos que decoravam parte dos vãos, do terceiro piso, desta moradia. Álvaro Machado ocupa todas as frentes neste lote de gaveto, com um pátio no interior. A verticalidade e elegância sugerida pelos vãos marcavam este edifício, contrastando com a horizontalidade da cimalha e vãos do terceiro piso. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919


Álvaro Machado foi autor de diversos projetos para bairros e moradias na zona de Lisboa, entre os quais se contam o Bairro das Roseiras, uma casa e o atelier em Algés para um escultor. Foi autor do túmulo dos Viscondes de Valmor em 1900, do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em Lamego e possivelmente autor do Palácio do Comércio da Associação Comercial de Lisboa em 1917. Na capital portuguesa destacam-se ainda o atual Museu Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, que recebeu a menção honrosa do Prémio Valmor, bem como o prédio já demolido na Avenida Duque de Loulé, n.º 47, que venceu aquela prestigiada distinção em 1919. Colaborou com Rosendo de Araújo Carvalheira no Sanatório da Parede, tendo desenhado a enfermaria de doenças contagiosas para aquela instituição.
Na década de trinta o novo proprietário, João Jorge Carlos Pinto, apresenta um projeto para alteração de fachadas e planta para converter o piso térreo em estabelecimentos comerciais. O projeto deu entrada no dia 19 de Outubro de 1934, o construtor civil, inscrito na Câmara Municipal de Lisboa segundo o número 75, foi Manuel Panto Nunes. No dia 23 de Setembro de 1961, o proprietário (João Manuel de Castro Júnior) pede licença de 30 dias para a total demolição do edifício.

Fontes:
maislisboa.fcsh.unl.pt
toponimialisboa.wordpress.com

Prémio Valmor de 1907 (Casa Ernesto Empis), Demolido em 1954

Foto da fachada principal da Casa Ernesto Empis

Casa Empis ou Palacete Empis foi um edifício localizado na esquina da Avenida Duque de Loulé, nº 77, com a Rua Luciano Cordeiro, em Lisboa e foi vencedor do Prémio Valmor de 1907.


Foto das traseiras da Casa Ernesto Empis


Foi mandada construir pelo empresário Ernest Empis, com projeto do arquiteto António Couto de Abreu, foi objeto de um artigo na prestigiada revista “A Arquitectura Portugueza” ano I, março de 1908, palácio num estilo eclético e revivalista, com uma clara inspiração francesa radicada no chamado estilo Francisco 1º, (de que são exemplos o castello de Blois, a casa de Diana de Poitiers, etc.), a estrutura espacial acusa, na sua conceção, uma certa dependência ao edifício de rendimento da época. Neste sentido a distribuição interior dos espaços não adquire um sentido palaciano mantendo uma certa monotonia interior sem adquirirem características ou proporções que os individualizem.


Ficha técnica da planta parcial da Casa Ernesto Empis


Tanto o vigamento do rés-do-chão como o do primeiro andar, era feito em vigas de ferro e abobadilhas. As divisórias interiores são todas em alvenaria de tijolo, o que dá não só a solidez, ao edifício como o isenta da propagação de qualquer incêndio.


Ficha técnica das fachadas da Casa Ernesto Empis

Foi o primeiro edifício detentor do Prémio Valmor a ser demolido, em 1954, estando o seu lugar atualmente ocupando por um edifício de dez andares, o Hotel Embaixador, modernamente chamado Comfort Inn., situado na mesma morada, foi inaugurado em 21 de julho de 1956, propriedade de José Teodoro dos Santos, na altura também dono do Casino Estoril, foi projetado pelo Arquiteto Raul Tojal com colaboração do Arquiteto Manuel Coutinho de Carvalho.

Foto do edifício que atualmente ocupa a
esquina da Avenida Duque de Loulé, nº 77 ,
então Hotel Embaixador, atualmente Comfort Inn.


Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitetura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004.
lisboadeantigamente.blogspot.com;
paixaoporlisboa.blogs.sapo.pt;
biclaranja.blogs.sapo.pt;
pt.wikipedia.org;
restosdecoleccao.blogspot.com;

Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa Braz Simões)


Foto da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Referimo-nos a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, post anterior, e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, objeto ora em análise.


Foto de pormenor da fachada lateral da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na rua Cidade de Liverpool, 16, foi projetada por Rafael Duarte de Melo uma moradia para José Braz Simões de Sousa, no bairro que promoveu, e teve a menção honrosa do Prémio Valmor de 1914. 
Habitação de reduzidas dimensões o que não impediu uma cuidada elaboração do percurso de acesso e entrada na casa. Foi construída num promontório, com escadaria exterior de desenho sinuoso, em planta e ferragens Arte Nova. 


Foto da janela da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


A escada ocupa uma posição central na organização do espaço doméstico.
A utilização de estruturas de ferro e vidro, na fachada principal permite marcar a sua presença urbana, e na galeria lateral, que liga contornando a escada, a cozinha á sala de jantar, resolve de forma eficaz a circulação entre os dois compartimentos.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na fachada principal o pintor criou um motivo padronizado de flores polícromas. Estas emolduram um leão representado de forma realista. A originalidade deste conjunto é sublimada pelas estilizações Arte Nova, cujos tons denotam uma certa fantasia. 
Na obra de Joaquim Luís Cardoso encontramos referências ecléticas e Arte Nova, eximiamente exploradas. O traço e o rigor no desenho são de qualidade excecional, além de dominar a técnica das cores durante a cozedura. Também desenvolveu, de forma original, o contraste e dégradés cromáticos, conseguindo assim um certo efeito de luz e fantasia nas composições criadas.


Ficha técnica da planta parcial da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Fontes:
Estudo: A Arte Nova em Lisboa, António Francisco Arruda de Melo Cota, Fevereiro, 2017.
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
lisboasos.blogspot.com
archive.is

Menção Honrosa, Prémio Valmor 1930 (Casa Isidoro Sampaio de Oliveira)

Localizada nos números 54 e 56 da Avenida da Republica, em Lisboa, destinada a habitação, Isidro Sampaio de Oliveira encomenda o projeto ao Arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, edifício de características modernistas é construído entre 1927-1928, e distinguida com uma menção honrosa do Premio Valmor de 1930.
A moradia foi projetada para ocupar a maior parte da área do lote de terreno onde se insere, respeitando igualmente a sua planta quadrangular. A tendência modernista, patente nas linhas simples e na sobriedade decorativa das obras coevas de Pardal Monteiro, traduz-se aqui também no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de “caixa” é reforçada pela ocultação do telhado (de 4 águas, com pouca pendente), para lá de uma larga cornija de perfil retilíneo. 
No entanto a linearidade é quebrada por uma varanda de canto, ainda que integrada na estrutura cúbica. A fachada principal é revestida a cantaria, “pormenor” denunciador do nível económico do cliente, bem como do estatuto de residência da alta burguesia que o bairro viria a consolidar progressivamente. De ressalvar ainda o rasgamento de janelas triplas, que seria igualmente utilizado nas outras moradias referidas, e que assume particular destaque no piso nobre. 
Entre os elementos mais propriamente ornamentais, genericamente integráveis na linguagem Art Déco, mas já não puramente académicos, destacam-se os relevos escultóricos de algumas cantarias, mísulas e floreiras, ou os elegantes gradeamentos das janelas e sacadas, com motivos florais que complementam com graciosidade a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, aplicados a intervalos ritmados. Com estes detalhes convivem ainda pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, em aplicações simétricas, ou reforçando a linearidade (horizontal e vertical) do conjunto.
Na época, a avenida da Republica e a Fontes Pereira de Melo ainda eram de la forma desafogada que permitia, da tranquilidade da janela de seu lar, avista a Estátua de Marques de Pombal, longe de imaginarem o triste e relativo precoce desfecho a que o edifício estava condenado, seria demolido em pouco mais de 30 anos, em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios.
Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), foi um arquiteto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal. Juntamente com um grupo notável, a que pertenceram Cottinelli Telmo, Carlos Ramos, Luís Cristino da Silva, Cassiano Branco e Jorge Segurado, irá protagonizar a viragem modernista da arquitetura portuguesa. Pardal Monteiro destaca-se como “o que mais construiu e que se celebrizou como primeiro moderno. Sem concessões, foi capaz de pegar no fio da tradição para inovar”. A sua obra marcou a cidade de Lisboa, tendo sido responsável por muitas das mais importantes realizações arquitetónicas entre as décadas de 1920 e 1950.
De entre elas destacam-se: Início do projeto da Nova Biblioteca Nacional de Portugal, Hotel Ritz (actual Four Seasons), 1954; Hotel Tivoli, Avenida da Liberdade, 1950; Pavilhão e Esfera dos Conhecimentos, Exposição do Mundo Português, 1940; Edifício do Diário de Notícias, 1936; Gare Marítima de Alcântara |Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, 1934; Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 1938; Instituto Nacional de Estatística, 1931; Estação Ferroviária do Cais do Sodré, 1926 e também no Porto foi responsável pelo edifício da Caixa Geral de Depósitos, Avenida dos Aliados,1923, entre outros importantes edifícios e muitos prémios que o prestigiaram.

Fontes:
flickr.com/photos/biblarte
pt.wikipedia.org
toponimialisboa.wordpress.com
patrimoniocultural.gov.pt

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909 (Palacete Mendonça)

Foto (editada) do Palacete Mendonça na Rua Tomás Ribeiro, 4-7

Este edifício, localizado na Rua Tomás Ribeiro, 4-7, em lisboa, com projeto do Arquiteto de António Couto Abreu, propriedade de João António Marques Sena, foi premiado com menção honrosa do Prémio Valmor de 1909, demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios.
O Arquiteto Couto Abreu e Adães Bermudes, foram coautores do projeto vencedor do concurso para o Monumento o Marquês de Pombal em Lisboa, em parceria com o escultor Francisco dos Santos.
De entre os seus projetos arquitetónicos, destaca-se a Casa Empis, Prémio Valmor, 1907, um edifício também de gaveto, com características semelhantes, edificado em estilo Francisco I e inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers, curiosamente também foi demolido no mesmo ano, em 1954, foi o primeiro Prémio Valmor a ser demolido. 
Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estrada da Cruz do Tabulado, à esquerda indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Rua Chafariz de Andaluz e findava no largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua de Tomás Ribeiro.
Fontes:
sigarra.up.pt
lisboadeantigamente.blogspot.com
pt.wikipedia.org

Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia)

Gravura (editada) da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Refiro-me a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, ora em análise e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, a qual será abordada posteriormente. Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Gravura da fachada principal da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Situada nos números 5 e 7 da Rua Pascal de Melo em Lisboa, esta constatação é particularmente relevante ao permitir estabelecer uma conexão natural, entre a casa burguesa de influência ainda novecentista e a casa moderna, o projeto foi publicado na prestigiada revista “A Arquitectura Portuguesa”, ano VIII, n° 3, 1915, foi encomendado por Richard Eisen, diretor técnico da fábrica de cerveja Germânia ao arquiteto e “condutor de obras públicas” António Rodrigues da Silva Júnior (1868-1937) em 1913, figura proeminente nas áreas da engenharia e arquitetura portuguesa, recebeu em 1914 a menção honrosa do Prémio Valmor de Arquitetura pela construção do edifício, aquele vivia a ser demolido em 1967.


Gravura da lateral e traseiras da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


No edifício, nas opções estéticas ou no tipo e qualidade de construção, existiu uma intenção de criar riqueza arquitetónica na sequência da redução intencional da área de habitação, uma casa de menores dimensões, pode ser uma casa socialmente representativa e uma habitação confortável. Este aspeto metalinguístico, constitui o elo que marca a continuidade entre a arquitetura do final do século XIX e o início da modernidade. 
Nesta casa, não estaremos perante limitações económicas, mas também não existe uma intenção de produzir um palacete. A casa ao adequar-se a um lote urbano de gaveto, regista uma notável eficiência na sua relação com a rua, tratando o gaveto com um corpo cilíndrico mais baixo que articula os volumes edificados. É importante notar que o percurso de acesso da entrada até ao átrio central é organizado de forma a surpreender o visitante quando chega a este espaço. Este dispositivo de transição, entre a rua e o interior, contrai o espaço de passagem para maximizar o efeito de escala da entrada no grandioso átrio central. O ponto de chegada do visitante a este espaço central, situa-se em frente da escada, de dois lanços, situada no lado oposto e iluminada por um vão lateral, num encenação cuidadosamente elaborada.


Ficha técnica da planta da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Ao longo da sua carreira, António R. da Silva Júnior produziu mais de duas centenas de projetos, de raiz ou de readaptação, entre os quais se salientam os dos estabelecimentos termais do Estoril e Vidago, da Praça de Touros do Campo Pequeno, edifícios da Casa da Moeda e edifício da Fábrica de Cerveja Portugália Lda. (dona da cerveja Germânica) à semelhança de várias casas particulares, quartéis da Guarda Fiscal e instalações alfandegárias entre outros.O projeto de alterações (“apropriações”) do Palácio Alverca em Lisboa, futuro Monumental Club ou Magestic, tem a assinatura do arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior. Obra notável de qualidade e rapidez ainda para os nossos dias, esta adaptação foi um trabalho gigantesco.
Arquiteto do imaginário sintrense. Autor do estudo A Atlântida (Subsídio para a sua reconstituição histórica, geográfica, etnológica e política), publicado em Lisboa na revista “A Arquitetura Portuguesa”, de janeiro de 1930 a maio de 1933.

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
opactoportugues.blogspot.com;
lisboasos.blogspot.com;
arquivodigital.cascais.pt;
tracodoarquiteto.cm-sintra.pt;
arquivodigital.cascais.pt.

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909 (Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães)

Foto da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé

Mesmo atrás da paragem de autocarro, ocupando o número 72 da Avenida Duque de Loulé, destacava-se pelas varandas e azulejos a casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, que em 1909 recebeu uma das menções honrosas do Prémio Valmor. 


Gravura da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


No que respeito diz à riqueza artística, segundo os especialistas do assunto, o edifício só perdia pontos para a também premiada e já demolida A Casa Empis, do arquiteto António Couto de Abreu.
O Autor do projeto, Arq. A. Marques da Silva, um dos novos artistas de comprovado talento e indiscutível merecimento quis contribuir por sua parte não só para que Lisboa tenha mais um edifício mas também, que este lhe traga prestígio. O porjeto foi publicado na prestigiada revista “A Architectura Portuguesa”, ano II, n° 11, 1909, p.41-44.


Gravura de busto em relevo, pormenor da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


Apesar da sua relativa limitada área, como se calcula pelas gravuras, a sua fachada é de linhas corretas e elegantes e um gosto artístico arrojado, a pintura dos azulejos pertence ao artista Jorge Pinto (Foi um dos mais representativos pintores figurativos da azulejaria Arte Nova, entre outros exemplos, está representado em quiosques dos jardins do Cais do Sodré (1916), do Constantino, em Arroios, e de Silva Porto (1915), em Benfica) e baixo-relevo no frontão da fachada é da responsabilidade do celebre escultor José Netto (O Lançador do Disco”, no Pavilhão Carlos Lopes; Busto de António Enes, em mármore, teatro D. Maria II; Escultura decorativa da Assembleia da República; Corpo central do Mosteiro dos Jerónimos, entre outras).


Gravura de escada interior, pormenor do interior da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


Dos três pisos, fez de sua habitação o terceiro, sendo o rés-do-chão e primeiro andar destinados a aluguer, os seus interiores acompanhavam a qualidade do exterior, não era habitual quando se tratava de habitações para aluguer não só o indispensável conforto, mas até luxo, casas de banho e retretes com tecnologia de ponta para a época, estima-se que o total da obra tenha ficado perto dos 18.000$00 réis, sabemos que 1000 réis foram convertidos em 1 Escudo, em 1911 e ainda que a desvalorização do Escudo, entre 1911 e 1999 foi de 2800 vezes, à volta de 50.400$00 escudos.


Gravura de porta, teto e móveis, pormenor do interior da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé

Infelizmente o prédio depois de desabitado, foi vendido e viria a ser demolida em 1965, em seu lugar emergiu um edifício com oito andares, no seu rés-do-chão está instalado o CAAD – Centro de Arbitragem Administrativa de Lisboa. 
Talvez o seu vizinho do número 70 tenha melhor sorte, em 2015 o Grupo GFH, comprou vários edifícios na avenida para “reabilitação urbana”… 

Fontes:
Revista – A Architectura Portugueza, Anno II, N.º 11, Novembro de 1909
idealista.pt/news/financas/investimentos
hvortexmag.net

Menção Honrosa Premio Valmor em 1908 (Palacete Branco Rodrigues)


Palacete Branco Rodrigues, Avenida da República, 36, esquina da Av. Visconde de Valmor (1908), Antiga Avenida Ressano Garcia (1910). Paulo Guedes, in AML

A Casa de José Cândido Branco Rodrigues (fundador das escolas portuguesas para cegos), que também foi conhecida por Palacete Branco Rodrigues, devido à sua conceção, foi edificado entre 1906 e 1908, situava-se frente ao Palacete Valmor (Post Anterior) na Avenida da República em Lisboa e recebeu uma Menção Honrosa (Prémio Valmor), em 1908 e uma publicacão na pristigiada revista “A Architectura Portugueza”, ano l, n°10,1908,p.37-38. 


Avenida da República, 36 e 38, esquina da Av. Visconde de Valmor (1908), Palacete Valmor Prémio Valmor 1906; à direita, palacete Barreiros Mensão Honrosa do Prémio Valmor de 1908.Paulo Guedes, in AML


Salienta-se o desenvolvimento da zona social da casa em altura, acompanhando o torreão e da escada a ele associada, no rez-do-chão, além do vestíbulo, ha um escritório, gabinete, oratório, casa de jantar e dependências, tais como a cozinha, quartos de criados, casa de engomados,
casa de banho, etc. No primeiro andar, fica uma sala para visitas, quarto grande, quarto para hóspedes, varias dependências e o terraço. O torreão é aproveitado para uma ampla sala de bilhar. ” Acrescentamos que a legenda
da planta refere ainda no rés-do-chão “gabinete de senhora” e no primeiro andar um “guarda roupa”.
Este edifício seria demolido nos anos 1949-1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso terrio.

Ficha técnica da planta do Palacete Valmor na
Avenida da República, 36 e 38 do Arquiteto
Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962)

Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa,  Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) é uma figura de enorme importância na construção da imagem arquitetónica de Lisboa e do país, contando com uma imensa produção edificada, dentro e da qual vários Prémios Valmor. Arquiteto da Casa de Bragança, é também autor de vários projetos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Curia, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril, o Palácio Fialho em Faro e a Villa Sousa que também já mereceu a nossa atenção num post anterior por ter sido valmor em 1912 e se encontrar em estado avançado de ruina.

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
lisboadeantigamente.blogspot.com;
pt.wikipedia.org;