A Casa e Fábrica de Colchões dos “Vianas”

Estas casas pertenceram a uma família denominada “Vianas”, o nome associado á família esta relacionado com a sua origem, as suas raízes são de Viana do Castelo.

Com uma óptima localização, no extremo da Rua do Carmo que é das mais antigas (mediaval) e históricas ruas de Penafiel. Emblemática pelos edifícios e património que contém e sua carateristica bairrista esta rua compreende-se entre a Igreja Matriz, passando pela Igreja da Nª Sª Carmo até ao entroncamento da Avenida de São Roque com a Avenida Tomás Ribeiro. Era também aqui que se situava o antigo colégio do Carmo, e onde nasceu o Baile dos Pauzinhos.

Foto das traseiras da habitação e do quintal.

A casa fechava o gaveto entre o final da Rua do Carmo com o também final da Avenida Tomás Ribeiro, encontra-se desabitada há muitos anos e foi recentemente vitima de um incendeio que danificou uma parte da habitação.

Foto da fachada e entrada da fábrica dos colchões.

Acolheram em suas dependências o negócio de família, uma pequena fabrica de enchimento de colchoes, numa época em que era feita com folhelhos. 

Foto de uma espiga de milho, depois de escaneada,
as folhas eram tratadas para os enchimentos.

Feita a desfolhada, e seguindo o princípio de que nada se perde, lavavam-se cuidadosamente, as frágeis folhas que até aí envolviam o milho, e colocavam-se, imediatamente a secar debaixo do sol, que por essa altura já brilhava em dose generosa.

Depois de secas eram então desfiadas e entregues a mulheres que se tinham especializado no encher dos colchões.
A intervalos esse folhelho era retirado,e repetia-se a operação de lavagem e enchimento, até que nova colheita do cereal permitisse a sua renovação…

Drogaria da Várzea, Fânzeres

Drogaria da Várzea

Foram várias as vezes que passei em frente á pequena loja, nunca tive o prazer de entrar nem tão pouco conhecer a família que dá andamento ao negócio.
Simplesmente, simpatizo com com a simplicidade destas pequenas lojas, exclusivas do ganha pão da família, seguem de geração em geração como passagem de testemunho da veia de comerciante normalmente alimentada desde tenra idade.
Da curiosidade á fotografia, da fotografia á pesquisa, et voilá, esta loja foi fundada pelo Sr. Hernâni Pinto Fernandes, falecido a 7 de Outubro de 1993, hoje o negócio é tocado pelo filho Hernâni Torres Fernandes que deu continuidade à gestão da empresa, mantendo vivo o negócio iniciado pelo seu pai, pautando os seus serviços pela qualidade, profissionalismo e competência.
A Drogaria da Várzea, tem mais de 75 anos de existência, sem conseguir precisar o ano exacto de abertura, saber-se que pelo menos esses foram os anos a fortalecer a imagem de prestígio e qualidade tanto no serviço prestado como na vasta gama de produtos, marcando o progresso do mercado local.

Drogaria da Várzea

Comércio local, de proximidade ou de rua, são os termos que melhor descrevem a a essência deste tipo de lojas e que justificam a sua longevidade mesmo após a abertura de novos estabelecimentos de oferta e dimensões bem mais generosas, mas que de fato, não tem lugar neste conceito nem satisfazem as necessidades de proximidade.
Também muito descrito como comércio tradicional, talvez a designação mais comum, para identificar o pequeno comércio, é muito frequente o comércio tradicional estar associado a uma forma antiquada, pouco dinamizada ou mesmo desatualizada.


Drogaria da Várzea

As ruas mais importantes das localidades ainda continuam a ser aquelas que foram desenvolvidas a partir do pequeno comércio de retalho, as pessoas têm presente as memórias dos lugares mais movimentados da sua vila ou cidade e isso representa um património insubstituível.
Um bom indicador de que o comercio tradicional é um comercio do futuro, não obstante a procura pelos residentes, é sobre tudo a procura pelo turismo, e nos faz perceber realmente a sua importância, o comércio tradicional representará sempre uma relação de proximidade que não existe em outro tipo de comércio e não é apenas uma proximidade geográfica mas também pessoal.
Estou em crer que o sucesso passa por uma relação de “simbiose”, entre a tradição e a inovação, a capacidade de surpreender sobre tudo os “novos” consumidores, é sem sobra de dúvida o grande desafio.