Sanatório de Mont’Alto ou Sanatório de Valongo


Uma Necessidade;

Cartaz: B.C.G. Mais Vale Prevenir do que Remediar
Coleção da Tuberculose – 1955, In http://www.insa.min-saude.pt

A propagação da tuberculose teve um exponencial crescimento nas duas ultimas décadas do século XIX, o elevado nível de contagio e o desconhecimento das precauções para com a epidemia, estiveram na origem da sua dimensão.

Cartaz: Assitencia Nacional aos Tuberculosos
Coleção da Tuberculose – 1930 – In http://www.insa.min-saude.pt

Também Portugal viria a ser atingido com o surto e assim como a maioria dos países desenvolvidos ou, tecnicamente, em vias de desenvolvimento, teve que adotar medidas que podassem dar resposta não só aos casos diagnosticados, mas também salvaguardar os sãos. A capacidade hospitalar para os receber, com o acrescido risco de contagio e a necessidade de isolamento, ficavam muito aquém do necessário.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto numa sala de tratamentos.
In http://portugalparanormal.com, s/d

já no inicio do século XX começam a surgir sanatórios por todo o país, de norte a sul, do inteiro ao litoral. O aparecimento destas unidades hospitalares está diretamente relacionado com a doença, desde a escolha da sua localização geográfica até a sua especialização médica.

Ilustração Alusiva a Homenagem à Rainha Dona Amélia
pelo reconhecimento das suas acções beneméritas.
In http://restosdecoleccao.blogspot.com, s/d

A Rainha Dona Amélia, esposa do Rei Don Carlos e ultima a ocupar esse cargo antes do asilo entre França e Inglaterra, fundou a 11 de junho de 1899 o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculoso, que esteve na origem da construção dos sanatórios em todo o país.

A ATNP (Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal ) ,
hoje é uma IPSS que tem como objetivos o apoio a crianças, jovens e famílias, na saúde, educação, cultura, desporto e intervenção comunitária.
In Facebook da ATNP

Outras instituições surgem com o intuito do combate à doença, em 1930, com a fundação da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal (ATNP) pelo professor António Elísio Lopes Rodrigues, a região ganha novo fôlego no combate ao flagelo. É então que o Sanatório de Mont’Alto, conhecido como Sanatório de Valongo, mas localizado em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, começa a ganhar vida, ultimo a ser construído no país, as obras arrastaram-se anos e anos e o Sanatório, que começou a ser construído em 1932, só foi inaugurado em 1958, entre financiamentos bloqueados e petições populares.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

O local escolhido, Monte de Santa Justa, um dos três pontos de maior elevação das “Serras de Valongo”, a pouco mais de 6 km da cidade do Porto e repartidas entre os concelhos de Valongo, Gondomar e Paredes, foi escolhido pela proximidade dos grandes centros e ao mesmo tempo pelo isolamento geográfico e ainda porque a altitude de 367 metros proporciona um ar de qualidade superior, fator importantíssimo para o tratamento da doença sobretudo relacionada com os pulmões.

A Memória e Obra de um Arquiteto

Júlio José de Brito (1896-1965)
Arquiteto, Engenheiro e Professor.
In sigarra.up.pt

A obra de Júlio de Brito contribuiu para a construção da imagem da cidade do Porto na primeira metade do século XX, num entanto a sua obra extensa e distinta tem hoje maior visibilidade do que seu próprio nome. Filho do pintor homónimo Júlio de Brito, seguiu os passos do pai enveredando pelo mundo das artes, estudou também na Escola de Belas Artes do Porto, onde se formou em arquitetura e onde acabou por lesionar durante vários anos, mais tarde inscreveu-se também na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto onde se viria a formar em engenharia civil.


Foto do Teatro Municipal Rovoli, Projeto de arquitetura e engenharia da responsabilidade de Júlio Brito, propriedade da Câmara Municipal do Porto, situa-se na Praça D. João I e foi inaugurado em 1913 como teatro e em 1932 reinaugurado com as adaptações como cinema. In Wikipédia.pt e editada.

Paralelamente ao ensino, desenvolveu importantes projetos de engenharia e arquitetuta, projectou grandes e pequenas construções, umas mais notáveis, outras dentro dos gostos encomendados. Seguidor do mestre José Marques da Silva, um dos principais responsáveis pela introdução da era modernista na cidade do Porto, Brito soube desenvolver e, nalguns momentos, evoluir em paralelo.

Foto do Coliseu do Porto, Projeto arquitetónico estilo “Arte Deco” resultado da pareceria dos arquitetos Júlio Brito, Cassiano Branco e Mário Abreu, propriedade da “Companhia de Seguros Garantia”, situa-se na Rua Passos Manuel e foi inaugurado em 19 de dezembro de 1941. Foto de Paulo Pimenta in Jornal Público e editada.

Parte da sua obra fica para a História como o Teatro Municipal Rivoli e o Coliseu do Porto, mas também a Faculdade de Engenharia e os Edifícios Garantia (da Rua de Sá da Bandeira, da Avenida dos Aliados e de Famalicão), cujos formulários serviram de paradigma às gerações de arquitectos que se seguiram.

Foto de funcionárias do Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da fachada principal do edifício ainda em funcionamento.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Júlio de Brito esteve perfeitamente integrado na “Escola do Porto”, movimento caracterizado por um modernismo arquitetónico estabelecendo ligações entre a arqutetura clássica e o “Arte Deco”, potenciadas pelas tecnologias e necessidades atuais. Num entanto nunca abandonou de fato a arquitetura tão apreciada pelo regime do Estado Novo, a “Casa Portuguesa” com caraterísticas ancestrais e intrínsecas da cultura portuguesa.
Júlio José de Brito foi um artista do seu tempo, lembrado pela Câmara Municipal, que, por deliberação de 7 de Julho de 1992, atribuiu o seu nome a uma rua da freguesia da Foz do Douro Rua de Júlio de Brito.

Foto de visitantes e familiares de doentes internados no Sanatório Mont’Alto, é possível observar o aspeto da entrada principal do edifício, localizada na lateral e ainda a escola no lado direito.
In http://portugalparanormal.com, s/d

Uma das suas primeiras grandes obras viria a ser o imponente Sanatório de Mont’Alto, Inaugurado em 1958, o enorme edifício está inserido numa área de 88.000 metros quadrados, aproximadamente nove campos de futebol,possuía 5 pisos e um recuado, camas para internamento com capacidade de 500 pacientes, para além da imensidão do Sanatório, a área envolvente contava ainda com uma escola, uma lavandaria, uma igreja com acesso interior direto, uma capela e um reservatório de água, todos eles estão hoje devolutos e em avançado estado de degradação.

Foto da Vista Aérea do Complexo dos Edifícios que Integram o Sanatório de Mont’Alto. Foto in avalache-lazer.blogspot.com,num artigo relacionado com o desporto PAINTBALL.
Fachada rpincipal da pequena escola do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Fachada lateral da igreja em primeiro plano,
parte da lavandaria em segundo plano
e o reservatório de agua ao fundo em terceiro plano,
Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Como já referido anteriormente a ideia da construção do Sanatório no inicio dos anos 30, aparece ligada a fundação da ATNP, o problema é que para alem da demora da sua conclusão, cerca de 26 anos, chega numa altura em que a doença começa a ser tratada em deambulatório, desde 1958 a 1972 podemos dizer que para a dimensão e capacidade do edifício, foi um período de funcionamento muito curto, face ao investimento projetado.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A partir dos anos 70, os sanatórios perdem a sua importância com o aparecimento de tratamentos mais eficientes sem necessidade de internamento e por isso tornam-se obsoletos, sendo relegados para o esquecimento: Em 1972, já havia muito poucas pessoas no Sanatório e a grande maioria funcionários do Couto das Minas de Carvão de S. Pedro da Cova, alí muito próximo e também extinto nos anos 70, fruto da descida do preço do petróleo que passou a configurar uma opção mais rentável para a industria.

Atualmente o Sanatório de Mont’Alto;

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Um complexo hospitalar cujo pico de atividade terá rondado os 300 pacientes no inicio dos anos 60, atualmente, relativamente às funções para que fora projetado, já só restam memórias, não se encontram vestígios óbvios de que, um dia, aquele lugar tenha sido um hospital de fato.

Pormenor das janelas da área de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Vista de cima das pequenas escadas de serviço do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
5.º Patamar, vista parcial da sala principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Corredor de acesso aos quartos do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Sem uma única porta, uma janela, apenas salas amplas completamente vazias, corredores descaracterizados, casas de banho completamente vandalizadas, ausência de corrimão e caixas de elevadores vazias são traços em comum nos seis pisos que compõem o edifício.

Pormenor da paredes do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Terraço da varanda e fachada exterior do piso recuado de Mont’Alto
Ruína em 2018

As paredes, principalmente a do ultimo andar, são dos poucos elementos que apresentam alguma vida, cobertas de grafites que embora não combinem com o lugar, conferem alguma beleza artística que talvez um dia tenha tido.

Perspetiva do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre Gondomar e parte do Porto
Ruína em 2018
Vista do ultimo andar do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018

O ultimo piso, um recuado já sem teto e com uma ampla varanda a todo o cumprimento do edifico, é talvez a maior atratividade ou a melhor recompensa para quem explora o local, a vista fabulosa que proporciona, num dia completamente limpo, prolonga-se até ao mar.

Capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Capela do Sanatório de Mont’Alto, sobre as serras de Valongo
Ruína em 2018
Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018
Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também da igreja e da capela não há vestígio de qualquer aspeto artístico original, as paredes destas encontram-se também decoradas ao gosto casual de quem por lá passa e deixa testemunhada a sua arte.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Não foi apenas o tempo o grande responsável pelo estado de degradação dos edifícios, depois que a instituição deixou de trabalhar com doentes de tuberculose, e com o estrito relacionamento que mantinha com o Estado Novo, depois do golpe militar, os seus edifícios foram saqueados, extinguiram-se os mecenas e o sanatório de Mont’Alto foi-se degradando.

Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Após o saque de que foi alvo, ainda é possível encontra objetos pertencentes ao sanatório por várias casas da região, desde camas, cadeiras, de entre outros utensílios. O Sanatório foi também fustigado por incêndios como é possível constatar pelo seu estado débil assim como pelas árvores queimadas nas imediações do espaço.

Pormenor das cosinhas e casas das máquinas do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Das atividades que caracterizavam o lugar há mais de 50 anos, não há vestígios, muito embora saibamos que a medicina, a religião e o ensino tenham sido atividades de grande relevância para os utentes.


Ângulo da Fachada do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Hoje o potencial do lugar é explorado por um leque de atividades mais diversificados, a criatividade é o limite de quem visita o lugar.

Foto da organização de um simulacro no edifício
do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína s/d
Foto do Exercício de simulação de situação sísmica
na capela do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína 2015, In verdadeiroolhar.pt

Talvez das mais importantes e com maior interesse para a população em geral, estão os testes e simulacros promovidos pelos Bombeiros e Proteção Civil, apesar de estes provocarem alguns danos acrescidos ao já degradado edifício.


Reflexo do Interior da Igreja do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Outra das atividades óbvia e com maior intensidade, até pela dimensão e versatilidade do espaço são os grafites, não equaciono a legalidade nem tenciono, o fato é que edifícios abandonados, pelo menos os que visitei, são lugares bastante apetecíveis para a realização desta atividade que nem sempre está relacionadas com a arte, mas não no meu ponto de vista.

Programa da organização de de uma atividade radical no Sanatório Mont’Alto,
Ruína, 2018
Parede do corredor de um dos pisos, fustigada com as balas do paintball,
Ruina 2018

Ainda dentro das utilizações mais comuns, está o paintball, quem já explorou o lugar e conhece os recantos do complexo consegue perceber o interesse que existe associado para a prática deste desporto, estruturas labirinticas cheias de corredores, aberturas de portas e janelas, edifícios de várias altitudes e o próprio isolamento, são características do agrado dos amantes da modalidade. Várias as empresas “vendedores de experiências” desportivas, promoverem eventos no local. São visíveis nas paredes as pintas coloridas dos disparos falhados do decorrer da “caçada”.

Foto de noiva as ruínas do sanatório de Valongo,
s/d, In fotofigueiredo.com

O edifício acolhe ainda, casualmente, fotógrafos de várias áreas de atividade, desde eventos familiares, fotógrafos de moda, fotografia artística entre outras que encontrem potencial nos cenários proporcionados pelo local.

Foto de registos alegadamente sobnaturais.
Ruínas, s/d In http://portugalparanormal.com
Foto de um dos corredores do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

É também muito conhecido pelo “darck tourism” é mesmo um dos mais conhecidos do país, talvez pela sua atividade associada a morte, tenha popularizado como um local ligado ao mundo sobnatural, certo é que das duas vezes que o visitei reparei em algumas situações evidentes de “atividades” decorrentes ligadas ao oculto mais conhecidas como rituais. Encontram-se com alguma facilidade reportagem filmadas no local sobre o tema, no youtube, por exemplo.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Também percebi que no piso térreo, pelo menos, até há bem pouco tempo, o espaço serviu de abrigo para pessoas sem condições financeiras, os vestígios eram bastante recentes.


Foto do ultimo patamar das escadas principais, onde é visível a reconstrução com tijolos da vedação do patamar, edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Toda via é visível alguma manutenção no espaço, claramente é efetuada a remoção de resíduos e também se tenta asseguara a limitação de acesso a locais que possam oferecer maior perigo, como por exemplo o acesso as escadas e poços de elevadores.

Especulação sobre o Sanatório de Mont’Alto;

Captação Aérea efetuada o complexo do Sanatório de Mont’Alto
s/d In datario.net

Em cada abordagem que é feita a história do sanatório, são varias as especulações que se atribuem ao futuro do lugar.

Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

A ATNP, instituição responsável pela gestão do local, tem uma ambição definida para o complexo, é imperativo promover a sua reabilitação, entendem que o potencial do lugar deverá ser canalizado para a saúde ou o turismo, de uma forma integrada com os cerca de 9 hectares de terreno. Turismo porque beneficiaria toda aquela zona de Gondomar e saúde para ser usado pela comunidade. O Sanatório cresceu com o apoio da população para ajudar as pessoas mais debilitadas e enquanto IPSS, os objetivos de vertente social são prioritários.

Capela do Sanatório de Mont’Alto, vista do terraço,
Ruína em 2018

O equacionamento de projetos ambiciosos para o local, pela dimensão do investimento e pelo interesse publico local, passa por parcerias, nomeadamente com a Câmara Municipal de Gondomar.

Fachada lateral do edifício e porta principal do Sanatório de Mont’Alto,
ao fundo o que resta da pequena escola.
Ruína em 2018

A verdade é que o Sanatório de Mont’Alto continua ao abandono há quase 50 anos e, apesar de terem surgido ideias de alguns projetos na comunicação social local, como um hospital para os retornados do Ultramar ou um hospital psiquiátrico, um lar de idosos também foi uma possibilidade, mas a verdade é que nada avançou e ainda hoje se especula sobre a reabilitação do edifício principal, espero que encontrem uma solução, com maior antecipação face ao eventual estado irreversível de ruína, do que foi a sua inauguração em função dos tratamentos efetivos para a época.


4.º Patamar da escadaria principal do Sanatório de Mont’Alto,
Ruína em 2018

Fontes:
portugalparanormal.com/
monumentosdesaparecidos.blogspot.com/
jpn.up.pt/
flickr.com/
Júlio José de Brito, arquitecto e engenheiro civil– um artista no Porto – Manuel de Sampayo Pimentel Azevedo GRAÇA


Foto das janelas de um salão do edifício principal do Sanatório de Mont’Alto,
vista sobre o Porto
Ruína em 2018


A Tuberculose (A Peste Branca);

cartaz alusivo ás práticas comportamentais em relação ao contágio da tuberculose.
Origem Brasil, s/d

A luta contra a tuberculose no mundo é um exemplo de como um enorme esforço conjunto da humanidade se mostra insuficiente para vencer um mal aparentemente ao seu alcance.
A longa história da tuberculose está repleta de imagens quase míticas de epidemias, sanatórios, tisiologistas e agruras tão temidas quanto a morte ali bem se pressente.

“La Miseira” de 1886,
Pintura de Cristóbal Rojas (1857–1890)
Galería de Arte Nacional, Caracas- Venezuela

Os gregos antigos chamavam-lhe ftíase – consumpção – e assim enfatizavam o definhamento dramático dos casos crónicos.
No final do século XIX, a tuberculose ganha protagonismo com o uma das grandes pandemias, acompanhando o seu acréscimo de perto a revolução industrial. Daí que o subconsciente colectivo tenha representado uma visão debilitadora da doença, a que acresce a associação com degradadas condições sócio-económicas ou com especiais grupos de risco. Por isso o doente tuberculoso é, ainda hoje e tantas vezes, um doente envergonhado.


Selo Com Ilustração Conta a Tuberculose:
A cruz de barra dupla, ou a Cruz de Lorena é um antigo símbolo cristão e foi proposta pelo médico francês Gilbert Sesiron como símbolo internacional da luta contra a tuberculose em 1902 na Conferência Internacional sobre a Tuberculose realizada em Berlim em 1902.

Espalhando-se por todo o mundo através da exploração e colonização mas descobrindo-se também o seu agente causador, por Robert Koch em 1882. Esta pandemia perpassa todo o século XX e, apesar de a ciência ter conseguido neste século os meios para vencer este flagelo, medicamentos seguros e eficazes e também o conhecimento pleno da sua propagação, entra mesmo assim, pelo século XXI, ainda com o um dos problema as de saúde pública com maior repercussão em todo o globo.

Antes do aparecimento dos antibióticos, o tratamento da tuberculose era feito de por forma indirecta, na prática, esta doença não tinha cura ou, pelo menos, não se dispunha de um medicamento que atacasse directamente o micróbio que a provocava. A vacina B.C.G. prevista e aconselhada no Programa Nacional de Vacinação, apareceu em meados da década de 20 do século XX, inicialmente com caráter de prevenção, cuja eficácia não era assegura no tratamento de diagnósticos confirmados. Na origem da vacina esteve Albert Calmette em parceria com Camille Guérin no desenvolvimento de um bacilo Calmette-Guérin, uma forma atenuada de Mycobacterium usado na sua produção em 1921.


O Dia Mundial da Tuberculose foi lançado, em 1982, pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra Tuberculose e Doenças Pulmonares.

O surto tem maior impacto a nível mundial, sobretudo nos países mais industrializados, nas duas ultimas décadas do século XIX. Depressa se percebe do elevado grau de contagiosidade desta enfermidade, por todo lado, adota-se como regra fundamental, a separação dos afectados dos sãos, de forma a não agravar a sua já grande disseminação. Começou-se por recorrer às zonas de isolamento dos hospitais cuja capacidade rapidamente se esgotou.

Foto do Sanatório das Penhas da Saúde, igualmente conhecido como Sanatório da Covilhã ou Sanatório dos Ferroviários, inaugurado em 1936.

Medidas adicionais eram necessárias para dar resposta a tal crescente flagelo, para além disto, como se sabia que, em certas zonas geográficas, sobretudo junto ao mar e a grande altitude, a qualidade do ar, associada à exposição solar, tinha efeitos particularmente benéficos na evolução da doença, essas zonas foram escolhidas como as ideais para a construção de hospitais de isolamento especializados, a que se deu o nome de “sanatórios”.
Desta forma, um pouco por todo o mundo, surgiriam, desde os últimos anos do século XIX até meados do século XX, tanto sanatórios de altitude, como marítimos.


Retrato da Família Real de Bragança: Rei Dom Carlos I e Dona Amélia

Um dos nomes português incontornáveis, também pelo interesse canalizado para este flagelo da época, foi a Rainha Dona Amélia, esposa do Rei D. Carlos e última a ocupar o lugar em Portugal, fundou a 11 de junho de 1899 o Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, dando origem, no início do século XX, à construção de norte a sul do país, de vários sanatórios de altitude e marítimos.

Sanatório Marítimo do Outão, desde 1900 a 1950, antes já era Forte de Santiago de Outão, Casa de Veraneio da Dom Carlos I e Dona Amélia e atualmente Hospital Ortopédico Sant’Iago Outão.

Cada um com um potencial geográfico direccionado para variedades de tuberculose distintas, sendo que os sanatórios de altitude e zonas remotas densamente arborizadas, seriam os mais procurados e os que melhor representam o imaginário de toda uma realidade, cuja circunstancias alteraram mas infelizmente não se extinguiram.
Com os avanços científicos, nos finais da década de 40 do século XX, foi possível compensar os tratamentos básicos de repouso, alimentação, terapêutica reconstituinte e bons ares, com melhores medicamentos e a doença começa a ser controlada e tratada em deambulatório.

Cartaz alusivo aos avanços científicos da doença.

A recorrência aos sanatórios começa a ser menor e as suas estadias mais curtas, também aparecem menos casos uma vez que a doença controlada torna-se muito menos contagiosa, inicia-se desta forma aquela que é descrita como a lenta decadência do domínio dos sanatórios, que começaria a ganhar força com o seu progressivo encerramento a partir dos anos 50.

Hospital dos Covões, em Coimbra.

Portugal também não escaparia a esta onda muito positiva. Logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, praticamente todos os sanatórios que ainda existiam, muitos deles quase sem nenhum doente internado, acabariam por encerrar. Alguns seriam reconvertidos em novas unidades hospitalares, como o Hospital da Guarda e o Hospital dos Covões, em Coimbra.

Antigo Sanatório Mont’Alto ou Sanatório de Valongo

A maioria, sobretudo os que estavam longe dos grandes centros, seríam votados a um completo abandono, que ainda hoje se arrasta.


Centro de Reabilitação Física do Norte, em Vila Nova de Gaia

Já em 2010, depois de vários anos devoluto, por ordem do governo, viria a ser reabilitado e ampliado o edifico do Sanatório Marítimo do Norte que deu lugar ao Centro de Reabilitação Física do Norte, e que bela reabilitação, tive a oportunidade de conhecer também o interior do edificio (original) projetado pelo arquitecto Francisco de Oliveira Ferreira, que apesar de não ser devidamente conhecido, deixou um belo espolio arquitetónico.

Cartaz alusivo à luta contra a tuberculose, atualmente.

Contudo, Portugal apresenta ainda uma triste realidade quanto à incidência e prevalência desta patologia, mesmo considerando os avanço científicos verificado, a vacinação, o rastreio e a cura através dos fármacos antituberculosos.

Fontes/fotos:

nature.com/
pt.wikipedia.org/
paopinheirense.com.br/
restosdecoleccao.blogspot.com/
netogeraldes.blogspot.com/
bloguecentelha.blogspot.com/

Prémio Valmor de 1931 – Casa do Pintor Manuel – Alterado em 1957


Fachada principal da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 1952.

Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro, Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94
Em 1931 foi premiado um edifício situado na Rua de Infantaria 16,n.ºs 92-94 da autoria dos arquitetos Miguel Simões Jacobetty Rosa e António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985) para o pintor Manuel Roque Gameiro.


Baixo-relevo em pedra, na fachada principal da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 2016.

Construção modernista, sofreu alterações na sua estrutura em 1957, por proposta da proprietária Raquel Roque Gameiro Ottolini, com o acréscimo de dois pisos, a sua traça inicial foi alterada e o edifício premiado tornou-se irreconhecível, pode passar despercebido, mas este edifício sóbrio, com um baixo-relevo em pedra, mereceu o prémio por ser um dos primeiros prédios modernistas construídos em Lisboa, destina-se ainda hoje a habitação, muitos curiosos da arquitetura lamentam não entender como é que um edifício destes consegue uma distinção com um prémio de arquitetura com tal prestigio, mas a resposta passará sem duvida pela introdução do conceito da arquitetura moderna na cidade.


Aspeto atual da Casa do Pintor Manuel Roque Gameiro,
Rua Infantaria 16, n.ºs 92-94, Foto de 2016.


O arquiteto Vasques Cardoso, em representação da Câmara Municipal de Lisboa, não concordou com a atribuição do prémio, não tendo por isso este sido atribuído por unanimidade. Esta atitude é revelação e prenúncio da crise que o projeto “moderno” irá desencadear. Obra modernista caracterizada por um comedido tratamento dos vãos e um grafismo sóbrio, onde se evidencia um baixo-relevo em pedra, que beneficia o piso térreo, conferindo ao conjunto da fachada um tratamento harmonioso e bem integrado.


Arquiteto António Maria Veloso dos Reis Camelo (1899-1985):

Natural de Ançã (Coimbra), conclui o curso de Arquitetura da Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1927, tendo no 3.º e 4.º anos do Curso Especial recebido o prémio só conferido ao aluno com mais de 16 valores em todas as Cadeiras, pelo menos 18 numa e média superior à de todos os mais alunos desse ano. São desta época dois projetos, uma entrada monumental de um Panteão duma grande metrópole e uma campo santo que a revista “Arquitetura”, N.º 11/Ano I/1927 arquivou nas suas páginas.

Obteve o Prémio Valmor de 1931, conjuntamente com o Arq.º Miguel Simões Jacobetty Rosa, pelo edifício construído na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94. Respeitante aos anos de 1942 e 1945, receberia ainda o Prémio Valmor pelos prédios construídos, respetivamente, na Rua da Imprensa, N.ºs 25-25-D e na Av. Sidónio Pais, N.º 14.


Arquiteto Miguel Simões Jacobetty Rosa (1901-1970):

Natural de Alcobaça, era diplomado em Arquitetura Civil, desde 1926, pela Escola de Belas-Artes de Lisboa, a cuja Associação Académica pertenceu, e possuía o curso da Escola Normal para o ensino de Desenho Exato e Construção Arquitetónica. Foi professor provisório da Escola Industrial Marquês de Pombal, no ano letivo de 1928-29 e agregado efetivo na Escola Industrial Fradesso da Silveira, em Portalegre, de 1929 a 1938.

Foi autor de várias pousadas na província, entre elas, a de Santa Luzia (Elvas), Santiago do Cacém e São Brás de Alportel.

Em conjunto com o Arq.º António Maria Veloso dos Reis Camelo obteve o Prémio Valmor de 1931 pela construção do edifício situado na Rua Infantaria Dezasseis, N.ºs 92-94.


Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016
bonecosdebolso1.blogspot.com/2011/01/
premiosvalmor.blogspot.com/
opactoportugues.blogspot.com/…/premio-valmor-ano-de…

Prémio Valmor de 1930 – “Casa Portuguesa” de Sacadura Cabral – Demolido em 1982

O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, coube a uma moradia na Rua Castilho, 64-66, um projeto do arquiteto Raul Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte.

Esta moradia refletia as preocupações do arquiteto com a temática da «casa portuguesa», sobre a qual se debruçou durante vários anos, traduzidos nas formas arquitetónicas portuguesas tradicionais, com jardim circundante e o uso de elementos característicos como o alpendre, os beirais, as cantarias e o azulejo. Demolida em 1982, as cantarias, colunas e portões foram posteriormente utilizados na construção do Pátio Alfacinha. Atualmente o espaço é ocupado por um parque de estacionamento.


Nesse ano foi também atribuída uma Menção Honrosa a um edifício de habitação na Avenida da República, 54, com projeto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas, foi demolido em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios, foi objeto de análise em post anterior.


Arquiteto Raul Lino da Silva

Raul Lino da Silva foi um arquiteto de um paradigma consistente e inovador. Criando espaços voltados e organizados para pátios interiores, onde existe a criação de sombras e espaços de transição, em que valoriza os alpendres, uma pouco numa perspetiva anti-urbana. Designada romanticamente por Raul Lino como espírito do lugar, muito ao jeito de Frank Lloyd Wright (1876-1959), a sua arquitetura valorizava a articulação com a paisagem, segundo uma composição orgânica, sábia e intuitiva, com gosto pelo uso de materiais tradicionais, que apesar de terem um carácter decorativo são essencialmente funcionais, de acordo com os modos tradicionais do Arts and Crafts. 


Arquiteto Raul Lino da Silva, (1879-1974)

Ao longo da sua vida, projectou mais de 700 obras, tais como a Casa dos Patudos, em Alpiarça, para José Relvas (1904), a Casa do Cipreste, em Sintra (1912), o Cinema Tivoli, em Lisboa, (1925) e o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português de 1940.
Foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre o problemática da arquitectura doméstica popular, como A casa portuguesa (1929), Casas portuguesas (1933) e L’évolution de l’architecture domestique au Portugal (1937).
Posteriormente, alguns textos foram reunidos num livro publicado pelo jornal O Independente em 2004, de nome “Não é artista quem quer”.

“Passeio central com árvores, vivendas; o bonito aspeto da Rua Castilho nos anos 30/40 em dia soalheiro. Avistava-se a estátua do Marquês de Pombal sobressaída do casario.”
Raul Lino da Silva
“Naquele terreno há um parque de estacionamento mas dali não se avista a estátua do Marquês. Tenho impressão que hoje nem nos dias mais soalheiros o Sol banha aquele passeio. As luminárias esgotaram-se na demolição…”
Raul Lino da Silva


Fontes
pt.wikipedia.org
http://www.jaimeroriz.com
lisboadeantigamente.blogspot.com
biclaranja.blogs.sapo.pt
archive.is/

Origem do Prémio Valmor de Arquitetura


Retrato do 2.º Visconde de Valmor, Fausto de Queirós Guedes
Pintura a Óleo de José Malhoa, Paços do Concelho de Lisboa



Fausto de Queirós Guedes, nasceu em Lamego no mês de janeiro de 1837, faleceu em Paris a 21 de dezembro de 1898, filho de António Joaquim Guedes, comendador da Ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Maria Leopoldina Pereira de Queirós e sobrinho do 1.° visconde de Valmor, de quem foi universal herdeiro.

Seguindo a carreira diplomática, foi primeiro secretário das embaixadas de Roma, Madrid e Rio de Janeiro, sendo nesta última que recebeu a notícia da morte de seu tio, regressando em seguida a Lisboa. Como adido á legação de Portugal no Rio de Janeiro, serviu naquela corte durante alguns anos, passando depois a servir na Secretaria dos Negócios Estrageiros. Voltou novamente ao Rio de Janeiro, na qualidade de segundo secretário de legação, servindo ali durante um longo período como encarregado de negócios de Portugal. Foi promovido a ministro plenipotenciário de 2.ª classe para Viena de Áustria, onde permaneceu durante alguns anos. Em 1879 foi nomeado ali ministro plenipotenciário, cargo de que foi exonerado, sendo substituído pelo conde de Valenças. Foi novamente ocupar o seu posto até 1897, em que teve a nomeação de ministro plenipotenciário de 1.ª classe junto da corte de Itália. Ali se conservou até novembro do mesmo ano, em que se retirou da vida ativa, por se sentir muito cansado e doente.


Por decreto do 26 de janeiro de 1870 foi-lhe verificada a segunda vida, concedida no título de visconde a seu tio, José Isidoro Guedes, de quem fora herdeiro. Casou duas vezes: a primeira com D. Joaquina Cardoso, que faleceu a 5 de setembro de 1859, e a segunda, a 18 de novembro de 1871, com D. Josefina Clarisse de Oliveira, que enviuvara do segundo visconde de Loures, Ângelo Francisco Carneiro. O visconde de Valmor foi par do Reino e governador civil de Lisboa; pertencia ao partido progressista, a que era muito dedicado e a que prestou bons serviços. O seu nome veio impor-se à veneração o ao respeito dos portugueses, ainda mais pela proteção que principalmente concedeu à classe artística, decidida proteção como provou nas suas disposições testamentárias. Efetivamente, no seu testamento deixou dois legados importantes, que bem manifestam quanto ele se interessava pela arte e artistas portugueses; o primeiro instituído um prémio anual para o autor do edifício melhor construído conforme as regras da arte, premio este que vivia a receber como nome o título de que o mesmo era beneficiário; o segundo; com respeito a cousas de arte, foi o de subsidiar artistas portugueses para irem estudar no estrangeiro. 


Recorte do “Anuário dos Arquitectos Portuguêses” II Ano, 1906

O Prémio Valmor, Instituído em 1898, no mesmo ano e após a sua morte, trata-se de um prémio pecuniário que, seria repartido em partes iguais pelo arquiteto e pelo proprietário da construção. Para o efeito foi criado um fundo gerido pela Câmara Municipal de Lisboa com o dinheiro deixado pelo 2.º Visconde de Valmor. Começou a ser atribuído em 1902, depressa se tornando o mais prestigiado prémio lisboeta e português na área da arquitetura. 

Busto do 2.º Visconde de Valmor, Situado no Largo da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, 1904, Foto de Paulo Guedes (editada), in a.f. C. M. L.


Por iniciativa dos professores e alunos da Academia de Belas Artes de Lisboa, foi erigido um monumento ao ilustre titular, cuja inauguração se realizou no dia 9 de janeiro de 1904, perante grande número de artistas, alunos da academia, representantes da imprensa, etc., no largo da biblioteca, revestindo a cerimónia pública da entrega do monumento à Câmara Municipal de Lisboa um tom festivo. Houve discursos em que oradores distintos enalteceram os serviços que o visconde de Valmor prestara às artes portuguesas, fazendo sobressair principalmente o valor do legado, que tantas vantagens trouxera à Arte Nacional. O busto estava coberto com a bandeira portuguesa, que foi descerrada com toda a solenidade. A cerimónia concluiu pela leitura do auto da entrega à câmara municipal. O simples e elegante pedestal foi traçado em mármore pelo professor de arquitetura Luís Monteiro, e o busto pelo escultor Teixeira Lopes.


MAusuléu do do 2.º Visconde de Valmor, Situado no Cemitério de Alto de São João, s/d, Foto de Paulo Guedes (editada), in a.f. C. M. L.


O cadáver do Visconde de Valmor veio para Lisboa, onde chegou a 16 de janeiro de 1899 sendo encerrado num sumptuoso túmulo no cemitério do Alto de S João . O projeto deste monumento foi do arquiteto Álvaro Machado, que obteve a primeira classificação, no concurso aberto entre os arquitetos portugueses, pelo Grémio Artístico. O túmulo é uma preciosa obra de arte, todo de mármore lioz, vindo de Pero Pinheiro, sendo a porta que para ele dá entrada, toda de bronze. Defendendo o monumento há um gradeamento de ferro, distanciado pouco mais de um metro da pedra, sendo o solo, compreendido entre o ferro e o mármore, de mosaico escuro. Sobre a parte do mausoléu lê-se em letras de bronze o título do jazigo, ficando um pouco mais abaixo a coroa. As quatro estátuas, que assentam sobre uns pedestais grandes, são igualmente de mármore e de grande valor artístico. Do lado direito da entrada está a de Arquitetura, de Costa Mota; do lado esquerdo a Escultura, de Fernandes Sá: na retaguarda, do lado direito a Gravura, de Tomás Costa, e do lado esquerdo a Pintura, de Moreira Rato, sobrinho. Na parte posterior lê se em letras douradas: Artistas portugueses em homenagem ao visconde de Valmor, A viscondessa de Valmor.

Fontes:

http://www.arqnet.pt

https://pt.wikipedia.org

Viscondes de Valmor


Retráto de José Isidoro Guedes,
1.º Visconde de Valmor

Visconde de Valmor é um título nobiliárquico criado por D. Luís I de Portugal, por Decreto de 11 de Março de 1867, em favor de José Isidoro Guedes.

Titulares
1.º Visconde de Valmor – José Isidoro Guedes, (Lamego, 16 de Novembro de 1813 – Pena (Lisboa), 09 de Janeiro de 1870);

2.° Visconde de Valmor – Fausto de Queirós Guedes, (Peso da Régua, 01 de Fevereiro de 1837 – Paris, França, 24 de Dezembro de 1898);

Após a Implantação da República Portuguesa e com o fim do sistema nobiliárquico, a então criada Comissão de Verificação e Registo de Mercês, sucedida pelo Conselho de Nobreza e posteriormente pelo Instituto da Nobreza Portuguesa, autenticaram e reconheceram o uso do título a:

3.º Visconde de Valmor – José Guedes Pinto Machado, 4.º Conde de Almedina;

4.º Visconde de Valmor – José Frederico Mayer Pinto Machado, 5.º Conde de Almedina.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org