Ponte Pênsil da Trofa (extinta)

Inaugurada em 1858 e tida como uma das “mais elegantes do Reino”, como escreveu Alberto Pimental na sua obra “Santo Tirso de Riba d’Ave”, a construção da Ponte Pênsil da Trofa, como ficou oficialmente designada, eliminou definitivamente o problema da travessia sobre o rio Ave, ligava Ribeirão (Vila Nova de Famalicão) e São Martinho do Bougado (Trofa), até então feita com recurso à utilização de barcas. 
Suspensa sobre o rio, daí o nome, a ponte pênsil era apoiada nos seus extremos por dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. 
Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros. 

Projectada exclusivamente por engenheiros portugueses a sua construção inseriu-se numa empreitada mais ampla – a nova estrada de ligação entre Porto e Braga (EN 14).
Esta via estruturante que veio a facilitar o fluxo de mercadorias e pessoas entre as duas cidades, a responsabilidade da Companhia de Viação Portuense dirigida,  na altura, pelo Barão de Massarelos, António Gomes dos Santos e José Barros Lima, tendo o respectivo contrato de construção sido assinado em 9 de Setembro de 1851. 

Esta via apesar de só ter ficado concluída em 1855, naturalmente com excepção da Ponte Pênsil, as carreiras de diligências entre Porto e Vila Nova de Famalicão iniciaram-se logo em 1852, tendo alcançado Braga, no ano seguinte. As diligências, carruagens puxadas por duas ou três parelhas de cavalos, levavam uma média de 6 a 7 horas na ligação Porto-Braga, incluindo o tempo gasto nas paragens em vendas  ou estalagens, que existiam ao longo do percurso Durante esse período a travessia do Ave, era efectuada sobre uma rudimentar ponte de madeira.

Apesar das tentativas da população e das autoridades locais para o evitar, esta ponte foi demolida em 1934, por ser demasiado exígua e não reunir as devidas condições de segurança. 
Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento.

Manuel da Costa Pereira Serra nasceu a 6 de Julho de 1894, em Mosteiro, São Martinho de Bougado, filho de José da Costa Pereira Será e de Ana Dias de Araújo. Nas horas de nostalgia, este Bougadense de São Martinho, dedilhava o cavaquinho, seu companheiro das melancolias. Afinal nem todas as horas são alegres na vida de uma pessoa. 
Nos seus versos Manuel da Costa Pereira Serra – era assim que ele os assinava – mostrava-se defensor acérrimo da sua terra e dos seus valores, até com uma certa graça.

Ponte Pênsil da Trofa

Eu vou contar uma história 
Sobre uma ponte de pau, 
Lembrada ponte da Trofa, 
Antiga ponte do Vau.

Esta é já tão antiguinha 
Como a história da Barca; 
Também era conhecida 
Por ponte pênsil da Barca.

Mas agora o que não lembra, 
Deixemo-nos de ilusão, 
É que essa bonita ponte 
Se chame de Ribeirão.

Eu cá sempre ouvi chamar 
E tenho visto na história 
A ponte pênsil da Trofa, 
Se não me falha a memória.

Agora caros amigos, 
Esta é mais disparatada: 
Credo! Uma ponte de pau 
Também ter de ser crismada!…

Quer de um lado quer de outro 
Parece ser pretendida 
Os da Trofa e Ribeirão 
Pela ponte dão a vida.

P’ra todos ficar contentes 
Não andar de cara ao lado, 
Ah! Parte-se ao meio a ponte 
Ribeirão leva um bocado.

Nesta poesia está o reflexo da cobiça que houve nos anos trinta – fim do seu reinado – à ponte pênsil por gentes da Trofa e de Ribeirão. Neste poema está um bom naco do quotidiano de uma geração. A região teve então em Manuel Serra um poeta humorista que sabia tratar as coisas com graça e subtileza de modo a levantar as questões sem melindrar qualquer das partes.

Fontes:
jorgepaulooliveira.blogspot.com;
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
freg-ribeirao.pt;
portoarc.blogspot.com;
portodeantanho.blogspot.com;