O Palácio de Cristal (extinto)

Foi uma das jóias do Porto e a sua demolição foi tão contestada que ainda hoje se chama Palácio de Cristal à zona onde ele existia. Hoje, resistem os seus jardins.

A par do Palácio da Bolsa(inaugurado a 1848 mas concluído na década de 1860) e o Edifício da Alfandega Nova(concluído 1869), o Palácio de Cristal (1865 — 1951) foi um dos mais importantes edifícios inaugurados na década 60 e construídos no século XIX, na cidade do porto.


O Palácio de cristal foi um edifício que existiu no antigo campo da Torre da Marca, na freguesia de Massarelos, na cidade do Porto, em Portugal. Inaugurado em 1865, o Palácio de Cristal original acabou por ser demolido em 1951 para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos, hoje Pavilhão Rosa Mota. Foi construído em granito, ferro e vidro, tendo o Crystal Palace londrino por modelo. Media 150 metros de comprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves.

Ao longo dos seus 86 anos de existência, o Palácio de Cristal acolheu muitas outras exposições, destacando-se a exposição das rosas, em 1879, a exposição agrícola, em 1903 e a Exposição Colonial, inaugurada em Junho de 1934. Desta última exposição sobrevive o Monumento ao Esforço Colonizador Português, actualmente colocado no topo oeste da Avenida do Marechal Gomes da Costa.

O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia.

O palácio foi destruído em 1951, tendo-se erguido no seu lugar uma nave de betão armado, a que foi dado o nome de Pavilhão dos Desportos, segundo projecto do Arquitecto José Carlos Loureiro e do engenheiro António dos Santos Soares e a pretexto do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins.

O edifício foi demolido em menos de um ano, sendo destruído à martelada o órgão de tubos. Devido à contestação popular à demolição, a designação Palácio de Cristal tem sobrevivido até aos nossos dias.

Fontes:
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
ncultura.pt;

Antigo Paços do Concelho do Porto

Antigo Paços do Concelho do Porto

Antiga Câmara Municipal do Porto e Praça da Liberdade, Foto Postal

No inicio do século XX, o êxodo rural impulsionado pelo desenvolvimento industrial contribuíram fortemente para desenvolvimento e crescimento da cidade.

A conclusão da Avenida da Boavista por volta de 1915, representou uma nova direcção de expansão do crescimento da cidade para ocidente em direcção ao mar e aproximou-a do Porto de Leixões, inaugurado em 1895.

Fotografia da demolição dos antigos Paços do Concelho do Porto em 1916

Na Baixa, a abertura da Avenida dos Aliados, em 1916, implicou a demolição do edifício dos antigos Paços do Concelho (Palácio dos Monteiro Moreira) e o desaparecimento do bairro do Laranjal e desencadeou a transferência da banca e das empresas seguradoras do antigo centro São Domingos-Rua do Infante para a zona da Praça Nova, que se tornou também pólo financeiro.

Na arquitectura do início do século XX salientam-se grandes edifícios dispersos pela Baixa, representativos da influência do estilo francês que inspirou os projectos do arquitecto Marques da Silva, formado na escola de Paris.

São exemplos a Estação de São Bento, o quarteirão das Carmelitas, o Teatro de São João e várias fachadas de edifícios da Avenida dos Aliados.

Fotografia do Antigo Paços do Concelho do Porto

O Palácio dos Monteiro Moreira,palacete barroco projectado por António Pereira, edificado em 1724 na então Praça Nova das Hortas, (ao longo do tempo foi denominada, Hortas do Bispo, Praça Nova, Praça da Constituição, voltou a chamar-se Praça Nova, Praça de D. Pedro, Praça da República (durante 14 dias), e a partir de 27 de Outubro de 1910 Praça da Liberdade).
Esse edifício, opulento, foi mandado construir por Monteiro Moreira, e, algumas décadas mais tarde, foi lá que se instalou o Senado da Relação.

Ruina Exterior da Camara do Concelho, designada por Torre da Relação e popularmente conhecida pela Casa dos 24. Foto de Jorge Portojo em 2010.

A historia do Paços do Concelho, começa por volta de 1350, na então Rua da Sapataria, hoje Rua de São Sebastião, junto à rua escura, ao lado da Catedral, foi ai que nasceu a Torre da Relação conhecida popularmente como a Casa dos 24 que até 1784 albergou a Câmara Municipal.

Porta Medieval da Ruina Exterior da Câmara do Concelho, Torre da Relação e popularmente conhecida pela Casa dos 24. Foto de Jorge Portojo, 2010.

Provisoriamente e na sequência do terramoto de 1755, os serviços municipais do concelho mudaram-se para o também extinto edifício, lugar de repouso dos Monges do Convento de Santo António do Vale da Piedade, junto a Corduaria(Jardim de João Chagas), onde hoje temos o tribunal da Relação ou Palácio da Justiça.
Após 1784 a Câmara passou a funcionar no Convento de São Lourenço conhecida hoje como a Igreja dos Grilos e em 1805 pararia para o edifício da Casa Pia e aí ficara instalada até 1819.

Praça de D. Pedro – Antigos Paços do Concelho

Em Agosto de 1819, devido à crescente centralidade da Praça Nova, a Câmara Municipal do Porto instalou-se no palacete, adquirindo-o e abandonando a Torre Medieval (Torre da Relação, popularmente conhecida como a casa dos 24), junto à Sé, que até então lhe servira de sede.

Paços do Concelho do Porto, uma manifestação em 9 de maio de 1912.

Para tal, recebeu inúmeras obras de adaptação e reformulação, foi construído um frontão com as armas da cidade, rematado pela estátua de um guerreiro intitulada “O Porto”, colocando-os no topo da frontaria do edifício.
Da varanda destes Paços do Concelho foi proclamado, a 24 de Agosto de 1820, o liberalismo, D. Pedro IV proclamou, em 1832, a Carta Constitucional, pouco tempo antes do Cerco do Porto, e os revoltosos do 31 de Janeiro de 1891, anunciaram a República (de muito curta existência…).

Início da demolição dos Paços do Concelho do Porto em fevereiro de 1916,
para rasgar a futura avenida dos Aliados espolio de Jose Rodrigues

O palacete começou a ser demolido em 1 Fevereiro de 1916, simbolicamente o então Presidente da Republica Bernardino Machado, veio derrubar a primeira pedra dos Paços do Concelho para que se efectuasse a abertura da Avenida dos Aliados.
No entanto, nem todo o edifício desapareceu dos olhares dos portuenses. Partes houve que se espalharam pela cidade, sem que no entanto, disso, hoje, haja notícia ou relato de conhecimento público e generalizado.

Estátua O Porto sendo apeada, Aurélio da Paz dos Reis, 1916

A estátua “O Porto”, feita pelo Mestre Pedreiro João da Silva, que encimava o edifício, lá no alto via todos os portuenses na Praça e estes percebiam a hierarquia do poder. A emblemática estátua de granito era quase tosca, mas vista ao longe parecia a mais perfeita das obras. Ela sabia o que representava, pois representava todos os portuenses e nunca podia aproximar-se do chão que todos pisavam.

Estatua O Porto provisoriamente ao pé do Banco de Portugal, In ssru.wordpress.com
o “Porto” de volta ao frontão do edifício camarário, esse sim, o seu poiso natural!!!, In ssru.wordpress.com

Com a demolição do edifício para abrir a Avenida dos Aliados, apartir de 1917 a estátua deambulou por diversos pontos da cidade. Esteve junto ao Paço Episcopal (onde a Câmara se instalou aquando da demolição do Palácio dos Monteiro Moreira), no Largo Actor Dias (junto à Muralha Fernandina), foi para o Palácio de Cristal, foi posta de costas para a cidade, face à Torre Medieval ou Torre da Relação (ideia do Arquitecto Fernando Távora) e hoje, encontra-se em frente ao Banco de Portugal, nas proximidades da sua localização original, olhando a Praça da Liberdade e a Avenida dos Aliados (a única peça, oriunda do Palacete, com direito a uma placa explicativa).

As armas da cidade do frontão do palacete, feitas pelo Mestre Pedreiro Manoel Luiz, ornamentam hoje os jardins do Palácio de Cristal.
Foto de José Fernando Magalhães, 2018

As armas da cidade do frontão do palacete (na altura ainda sem que houvesse lugar ao Dragão que durante cerca de cem anos delas viria a fazer parte), feitas pelo Mestre Pedreiro Manoel Luiz, ornamentam hoje os jardins do Palácio de Cristal, numa espécie de “Museu ao Ar-Livre” (assim lhe chama o Prof. Germano Silva), o Roseiral, onde também se encontra uma fonte, lindíssima, que estava no átrio de entrada do edifício da Câmara.


Fonte existente no exterior do Edifício do Palacete, hoje no jardim da Palácio de Cristal.
Foto de José Fernando Magalhães, 2018.
Janelas do paço no jardim do palacio de cristal,
Foto José Fernando Magalhães, 2018

Também as janelas do palácio, três, foram parar ao Roseiral, e, colocando-me na do meio, tento imaginar-me como salvador da Pátria a discursar para o povo atento e sedento das minhas palavras, dando-lhe boas-novas, coisa de que bem precisamos nos dias difíceis dos tempos que vivemos, sendo que agora, não o poderia fazer com o Palácio das Cardosas como pano de fundo, nem olhando a garupa do cavalo de D. Pedro e as costas do Rei distraidamente parecendo ignorar as minhas palavras, mas com a beleza imensa da vista sobre a parte ribeirinha da cidade e sobre o nosso rio Douro.

Abertura da Avenida dos Aliados, estando a Câmara Municipal em construção.
BPI da década de 20

Conjunto das Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados e Praça do General Humberto Delgado, depois da demolição.

Hoje o conjunto da Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados e Praça do General Humberto Delgado constituem a principal artéria da cidade do Porto, o que poucos sabem é que o sacrifício do património arquitectónico de alguns edifícios esteve na origem da abertura e ampliação da então Praça de D. Pedro, hoje Praça da Liberdade, que culminou no desenvolvimento arquitectónico envolvente promovido sobretudo por empresas de prestigio. Depois destas demolições foram efectuadas alterações mais recentes, mas nenhuma com um impacto tão significativo como a demolição do Antigo Paços do Concelho, a ela lhe deve o Palácio das Cardosas, (antigo Convento dos Loíos ou de Santo Elói, a visibilidade e importância que veio a ter para a avenida albergando hoje um hotel da cadeia InterContinental.

Postal Ilustrado da primeira versão da Avenida dos Aliados, Vista da Câmara

Fontes:
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
webook.pt/blog;
flickr.com;
ssru.wordpress.com;
portojofotos.blogspot.com;
aviagemdosargonautas.net;
pt.wikipedia.org;
portocanal.sapo.pt.