O Palácio de Cristal (extinto)

Foi uma das jóias do Porto e a sua demolição foi tão contestada que ainda hoje se chama Palácio de Cristal à zona onde ele existia. Hoje, resistem os seus jardins.

A par do Palácio da Bolsa(inaugurado a 1848 mas concluído na década de 1860) e o Edifício da Alfandega Nova(concluído 1869), o Palácio de Cristal (1865 — 1951) foi um dos mais importantes edifícios inaugurados na década 60 e construídos no século XIX, na cidade do porto.


O Palácio de cristal foi um edifício que existiu no antigo campo da Torre da Marca, na freguesia de Massarelos, na cidade do Porto, em Portugal. Inaugurado em 1865, o Palácio de Cristal original acabou por ser demolido em 1951 para dar lugar ao Pavilhão dos Desportos, hoje Pavilhão Rosa Mota. Foi construído em granito, ferro e vidro, tendo o Crystal Palace londrino por modelo. Media 150 metros de comprimento por 72 metros de largura e era dividido em três naves.

Ao longo dos seus 86 anos de existência, o Palácio de Cristal acolheu muitas outras exposições, destacando-se a exposição das rosas, em 1879, a exposição agrícola, em 1903 e a Exposição Colonial, inaugurada em Junho de 1934. Desta última exposição sobrevive o Monumento ao Esforço Colonizador Português, actualmente colocado no topo oeste da Avenida do Marechal Gomes da Costa.

O Palácio de Cristal foi ainda um importante espaço de cultura, contendo um órgão de tubos que era dos maiores do mundo. Foi neste palácio que se realizaram importantes concertos do compositor Viana da Mota ou da virtuosa violoncelista Guilhermina Suggia.

O palácio foi destruído em 1951, tendo-se erguido no seu lugar uma nave de betão armado, a que foi dado o nome de Pavilhão dos Desportos, segundo projecto do Arquitecto José Carlos Loureiro e do engenheiro António dos Santos Soares e a pretexto do Campeonato Mundial de Hóquei em Patins.

O edifício foi demolido em menos de um ano, sendo destruído à martelada o órgão de tubos. Devido à contestação popular à demolição, a designação Palácio de Cristal tem sobrevivido até aos nossos dias.

Fontes:
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
ncultura.pt;

Antigo Paços do Concelho do Porto

Antigo Paços do Concelho do Porto

Antiga Câmara Municipal do Porto e Praça da Liberdade, Foto Postal

No inicio do século XX, o êxodo rural impulsionado pelo desenvolvimento industrial contribuíram fortemente para desenvolvimento e crescimento da cidade.

A conclusão da Avenida da Boavista por volta de 1915, representou uma nova direcção de expansão do crescimento da cidade para ocidente em direcção ao mar e aproximou-a do Porto de Leixões, inaugurado em 1895.

Fotografia da demolição dos antigos Paços do Concelho do Porto em 1916

Na Baixa, a abertura da Avenida dos Aliados, em 1916, implicou a demolição do edifício dos antigos Paços do Concelho (Palácio dos Monteiro Moreira) e o desaparecimento do bairro do Laranjal e desencadeou a transferência da banca e das empresas seguradoras do antigo centro São Domingos-Rua do Infante para a zona da Praça Nova, que se tornou também pólo financeiro.

Na arquitectura do início do século XX salientam-se grandes edifícios dispersos pela Baixa, representativos da influência do estilo francês que inspirou os projectos do arquitecto Marques da Silva, formado na escola de Paris.

São exemplos a Estação de São Bento, o quarteirão das Carmelitas, o Teatro de São João e várias fachadas de edifícios da Avenida dos Aliados.

Fotografia do Antigo Paços do Concelho do Porto

O Palácio dos Monteiro Moreira,palacete barroco projectado por António Pereira, edificado em 1724 na então Praça Nova das Hortas, (ao longo do tempo foi denominada, Hortas do Bispo, Praça Nova, Praça da Constituição, voltou a chamar-se Praça Nova, Praça de D. Pedro, Praça da República (durante 14 dias), e a partir de 27 de Outubro de 1910 Praça da Liberdade).
Esse edifício, opulento, foi mandado construir por Monteiro Moreira, e, algumas décadas mais tarde, foi lá que se instalou o Senado da Relação.

Ruina Exterior da Camara do Concelho, designada por Torre da Relação e popularmente conhecida pela Casa dos 24. Foto de Jorge Portojo em 2010.

A historia do Paços do Concelho, começa por volta de 1350, na então Rua da Sapataria, hoje Rua de São Sebastião, junto à rua escura, ao lado da Catedral, foi ai que nasceu a Torre da Relação conhecida popularmente como a Casa dos 24 que até 1784 albergou a Câmara Municipal.

Porta Medieval da Ruina Exterior da Câmara do Concelho, Torre da Relação e popularmente conhecida pela Casa dos 24. Foto de Jorge Portojo, 2010.

Provisoriamente e na sequência do terramoto de 1755, os serviços municipais do concelho mudaram-se para o também extinto edifício, lugar de repouso dos Monges do Convento de Santo António do Vale da Piedade, junto a Corduaria(Jardim de João Chagas), onde hoje temos o tribunal da Relação ou Palácio da Justiça.
Após 1784 a Câmara passou a funcionar no Convento de São Lourenço conhecida hoje como a Igreja dos Grilos e em 1805 pararia para o edifício da Casa Pia e aí ficara instalada até 1819.

Praça de D. Pedro – Antigos Paços do Concelho

Em Agosto de 1819, devido à crescente centralidade da Praça Nova, a Câmara Municipal do Porto instalou-se no palacete, adquirindo-o e abandonando a Torre Medieval (Torre da Relação, popularmente conhecida como a casa dos 24), junto à Sé, que até então lhe servira de sede.

Paços do Concelho do Porto, uma manifestação em 9 de maio de 1912.

Para tal, recebeu inúmeras obras de adaptação e reformulação, foi construído um frontão com as armas da cidade, rematado pela estátua de um guerreiro intitulada “O Porto”, colocando-os no topo da frontaria do edifício.
Da varanda destes Paços do Concelho foi proclamado, a 24 de Agosto de 1820, o liberalismo, D. Pedro IV proclamou, em 1832, a Carta Constitucional, pouco tempo antes do Cerco do Porto, e os revoltosos do 31 de Janeiro de 1891, anunciaram a República (de muito curta existência…).

Início da demolição dos Paços do Concelho do Porto em fevereiro de 1916,
para rasgar a futura avenida dos Aliados espolio de Jose Rodrigues

O palacete começou a ser demolido em 1 Fevereiro de 1916, simbolicamente o então Presidente da Republica Bernardino Machado, veio derrubar a primeira pedra dos Paços do Concelho para que se efectuasse a abertura da Avenida dos Aliados.
No entanto, nem todo o edifício desapareceu dos olhares dos portuenses. Partes houve que se espalharam pela cidade, sem que no entanto, disso, hoje, haja notícia ou relato de conhecimento público e generalizado.

Estátua O Porto sendo apeada, Aurélio da Paz dos Reis, 1916

A estátua “O Porto”, feita pelo Mestre Pedreiro João da Silva, que encimava o edifício, lá no alto via todos os portuenses na Praça e estes percebiam a hierarquia do poder. A emblemática estátua de granito era quase tosca, mas vista ao longe parecia a mais perfeita das obras. Ela sabia o que representava, pois representava todos os portuenses e nunca podia aproximar-se do chão que todos pisavam.

Estatua O Porto provisoriamente ao pé do Banco de Portugal, In ssru.wordpress.com
o “Porto” de volta ao frontão do edifício camarário, esse sim, o seu poiso natural!!!, In ssru.wordpress.com

Com a demolição do edifício para abrir a Avenida dos Aliados, apartir de 1917 a estátua deambulou por diversos pontos da cidade. Esteve junto ao Paço Episcopal (onde a Câmara se instalou aquando da demolição do Palácio dos Monteiro Moreira), no Largo Actor Dias (junto à Muralha Fernandina), foi para o Palácio de Cristal, foi posta de costas para a cidade, face à Torre Medieval ou Torre da Relação (ideia do Arquitecto Fernando Távora) e hoje, encontra-se em frente ao Banco de Portugal, nas proximidades da sua localização original, olhando a Praça da Liberdade e a Avenida dos Aliados (a única peça, oriunda do Palacete, com direito a uma placa explicativa).

As armas da cidade do frontão do palacete, feitas pelo Mestre Pedreiro Manoel Luiz, ornamentam hoje os jardins do Palácio de Cristal.
Foto de José Fernando Magalhães, 2018

As armas da cidade do frontão do palacete (na altura ainda sem que houvesse lugar ao Dragão que durante cerca de cem anos delas viria a fazer parte), feitas pelo Mestre Pedreiro Manoel Luiz, ornamentam hoje os jardins do Palácio de Cristal, numa espécie de “Museu ao Ar-Livre” (assim lhe chama o Prof. Germano Silva), o Roseiral, onde também se encontra uma fonte, lindíssima, que estava no átrio de entrada do edifício da Câmara.


Fonte existente no exterior do Edifício do Palacete, hoje no jardim da Palácio de Cristal.
Foto de José Fernando Magalhães, 2018.
Janelas do paço no jardim do palacio de cristal,
Foto José Fernando Magalhães, 2018

Também as janelas do palácio, três, foram parar ao Roseiral, e, colocando-me na do meio, tento imaginar-me como salvador da Pátria a discursar para o povo atento e sedento das minhas palavras, dando-lhe boas-novas, coisa de que bem precisamos nos dias difíceis dos tempos que vivemos, sendo que agora, não o poderia fazer com o Palácio das Cardosas como pano de fundo, nem olhando a garupa do cavalo de D. Pedro e as costas do Rei distraidamente parecendo ignorar as minhas palavras, mas com a beleza imensa da vista sobre a parte ribeirinha da cidade e sobre o nosso rio Douro.

Abertura da Avenida dos Aliados, estando a Câmara Municipal em construção.
BPI da década de 20

Conjunto das Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados e Praça do General Humberto Delgado, depois da demolição.

Hoje o conjunto da Praça da Liberdade, Avenida dos Aliados e Praça do General Humberto Delgado constituem a principal artéria da cidade do Porto, o que poucos sabem é que o sacrifício do património arquitectónico de alguns edifícios esteve na origem da abertura e ampliação da então Praça de D. Pedro, hoje Praça da Liberdade, que culminou no desenvolvimento arquitectónico envolvente promovido sobretudo por empresas de prestigio. Depois destas demolições foram efectuadas alterações mais recentes, mas nenhuma com um impacto tão significativo como a demolição do Antigo Paços do Concelho, a ela lhe deve o Palácio das Cardosas, (antigo Convento dos Loíos ou de Santo Elói, a visibilidade e importância que veio a ter para a avenida albergando hoje um hotel da cadeia InterContinental.

Postal Ilustrado da primeira versão da Avenida dos Aliados, Vista da Câmara

Fontes:
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
webook.pt/blog;
flickr.com;
ssru.wordpress.com;
portojofotos.blogspot.com;
aviagemdosargonautas.net;
pt.wikipedia.org;
portocanal.sapo.pt.

Prémio Valmor de 1928 – Palacete Vale Flor – Alterado / Demolido 1952/53


Palacete Vale Flor, projeto original do Arquiteto Pardal Monteiro,
Fotografia de 1952, pouco antes da reabilitação do edificio.

O Prémio Valmor de 1928 coube ao Palacete Vale Flor na Calçada de Stº Amaro, 83-85, projetado pelo Arquiteto Pardal Monteiro sendo a Sociedade Agrícola Vale Flor sua proprietária.
Edificado em 1925, era uma habitação isolada de estrutura ainda bastante clássica, o júri recomendou a moradia com jardim como um “modelo de um género de construções que muito conviria desenvolver nas encostas de Lisboa, para interromper com manchas de verdura a monotonia do casario banal e para multiplicar os terraços de onde se possam desfrutar os incomparáveis panoramas da cidade”. 


Foto do edifício atual da Calçada de Stº Amaro, 83-85, Lisboa.


O edifício virai a ser desocupado e vendido, sofreu fortes remodelações em 1953, há quem defenda que tenha sido praticamente demolido, o novo edifício também de habitação atualmente serve de instalações à Embaixada da República da Hungria. Do projeto original do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro não vislumbram grandes semelhanças arquitetónicas entre os edifícios, o termo “remodelação” terá servido para a perpetuação do prestigiado título de arquitetura atribuído ao projeto de Pardal Monteiro.
De entre 1923 e 1943, período correspondente à 2.º fase da Arquitetura premiada com o Prémio Valmor, verificou-se uma irregularidade na atribuição do prémio, apelas atribuídos 11 prémios em 21 anos, depois de três anos sem atribuição do prémio, em 1927 e 1928, o júri verificou a falta de projetos assinados por arquitetos no conjunto de muitos projetos apresentados, uma percentagem bastante diminuta, razão pela qual, a linda cidade de Lisboa, tão encantadora pela natureza, se foi tornando tão banal e antiestética pela obra do homem.


Porfírio Pardal Monteiro (Pero Pinheiro, Sintra, 16 Fevereiro 1897 – Lisboa, 19 Fevereiro 1957) foi um arquitecto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal.

Pardal Monteiro foi distinguido 5 vezes com o Prémio Valmor correspondente aos anos de 1923, 1928, 1929, 1938 e 1940 com as seguintes edificações situadas na Av da República, N.ºs 49-49-D; Calçada de Santo Amaro, Nº. 83-85; Av. Cinco de Outubro, N.ºs 207-215; Av. Marquês de Tomar (Igreja N.ª S.ª de Fátima) e Av. da Liberdade, N.ºs 266-266-A (Sede do «Diário de Notícias»), na fase inicial da sua carreira que ficou caraterizada por uma fase de gosto internacional e de influência evidente da Arts Déco, são exemplos o prédio da Avenida da República (1923) e na moradia da Avenida Cinco de Outubro (1929). Já referente à sua fase modernista, destacamos a Igreja de Fátima que foi o edifício a ser premiado em 1938 e do edifício do Diário de Notícias na Avenida da Liberdade (1940). Com Miguel Jacobety Rosa e Veloso dos Reis Camelo que trouxeram novidades técnicas, foram premiadas as moradias nºs 92-94 da Rua da Infantaria 16 (1931, posteriormente acrescentada com dois pisos, que também será abordada), e ainda com Raul Lino, ficou marcada uma rutura com os júris do prémio Valmor com o estilo da Casa Portuguesa (1930, Rua Castilho, nº64, demolida posteriormente). A partir de 1943 elegeram-se um dos melhores prédios do “português suave” onde a arquitetura moderna lisboeta se conformava ao historicismo limitativo do regime político. O Prémio do legado Valmor foi assim sendo adaptado ao tempo, épocas e contextos políticos, económicos e sociais do país. Essas adaptações construíram uma linguagem própria da arquitetura nacional e desenharam uma linha condutora na História da Arte da Nação e permitiram-nos igualmente entender de que forma as influências estrangeiras foram assimiladas e aplicadas em Portugal nos edifícios e na restante arte.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
monumentos.gov.pt
pt.wikipedia.org
chooseroyal.wordpress.com
archive.is
jaimeroriz.com
comjeitoearte.blogspot.com
restosdecoleccao.blogspot.com

Prémio Valmor de 1927 – Pensão Tivoli/ Hotel Tivoli / Lis Hotel /Forum Tivoli – Alterado (1930 e 1980)


Lis Hotel, 1952

A história do Prémio Valmor de 1927 do arquiteto Manuel Joaquim Norte Júnior, o edifício de linhas modernas nos números 176 e 180 da Avenida da Liberdade, começa em novembro de 1923, quando o construtor civil José de Sousa Brás pede à Camara Municipal de Lisboa autorização para construir um prédio no seu terreno, destinado a albergar uma pensão, o projeto original sofreu alterações, uma vez que em Abril de 1925 era feito um requerimento para substituir a fachada principal do prédio em construção (curiosamente a única parte do edifício original a chegar ao dias de hoje).


Lis Hotel, 1927 (Aspeto do hotel logo no inicio da sua fundação)

 As qualidades que mais impressionaram o júri ” (…) foram as condições do conjunto e do remate desse mimo arquitetónico, expresso pela sua fachada (…).”.Este todo, uno que vive do encanto que reside na sua própria balsa que constitui um pequeno notável conjunto de Arte, não podendo ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura, embora de bôa arquitetura e que lhe desmancha por completo o ambiente que se desenvolve com prejuízo da educação do público (…)”


Lis Hotel e Cinema Tivoli, 1967(Grande plano do Hotel e da Avenida da Liberdade)

Aquele que começara em 1926 como pensão, passaria um ano depois a Hotel Tivoli pelas mãos de José Francisco Cardoso e Dr. Joaquim Gonçalves Machaz, junto ao Cinema Tivoli onde foi buscar o nome tendo-se transferido para o quarteirão em frente e alugado o Palacete Rosa Damasco que transformaram em hotel entretanto também já transformado num grande edifício.


Lis Hotel, 1940


Edifício marcadamente urbano, traduz uma arquitetura civil comercial eclética, frente muito reduzida onde é ocupada toda a profundidade do terreno e completamente abolido qualquer espaço livre, foi alterada logo em 1930, a propósito destas alterações José Alexandre Soares, Arquiteto Chefe do Conselho de Arte e Arquitetura da Câmara Municipal de Lisboa, opõe-se à execução, embora sem sucesso, considerando o remate da casa, como elemento mais interessante, não podendo este ser ramificado por um excerto que lhe duplica a altura.


Fachada do Edificio integrada no Tivoli Forum, 2000


Sendo ampliado deu lugar ao Hotel Lis que foi demolido em 1980 à exceção da fachada. Fachada essa, de estrutura marcadamente vertical, dividida em dois corpos, um rematado por frontão triangular com pináculos nos acrotérios e o outro rematado por platibanda em balaustrada. Evidencia-se o tratamento das cantarias, nomeadamente no remate da porta principal com ática triangular interrompida por composição escultórica de festões e medalhão central, assim como nos apontamentos em estuque como festões, dentados ou óvulos, sobretudo a inscrever os vãos, patentes em todo o pano murário. Esta esteve amparada por uma cintura de ferro e depois foi integrada no Hotel NH Liberdade inserido no complexo do Tivoli Fórum.


Foto de Manuel Joaquim Norte Júnior , s/d, Autor desconhecido.

Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) foi um dos mais prolíferos arquitetos da sua geração, com uma participação notável em toda a extensão das Avenidas Novas, entre um rol extenso de obras que marcam o seu currículo, sobretudo entre Lisboa, Faro, e Sintra. 

Diplomou-se pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Foi um dos mais ativos arquitetos do princípio do século.

Arquiteto da Casa de Bragança, é também autor de vários projetos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Cúria, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril e o Palácio Fialho em Évora.

A Sociedade a Voz do Operário em Lisboa e a Associação dos Empregados do Comércio em Lisboa, entre muitos outros edifícios e remodelações são também esboços deste importante arquiteto.

Fontes:
A AÇÃO CULTURAL E MECENÁTICA DE FAUSTO DE QUEIRÓS GUEDES, 2º
VISCONDE DE VALMOR (1837-1898) E O PRÉMIO VALMOR DE ARQUITETURA (1902-1943), Raquel Maria da Silva Fernandes David, 2016;
cm-lisboa.pt;
arquivomunicipal2.cm-lisboa.pt

Prémio Valmor de 1930 – “Casa Portuguesa” de Sacadura Cabral – Demolido em 1982

O primeiro Prémio Valmor atribuído nesta década, em 1930, coube a uma moradia na Rua Castilho, 64-66, um projeto do arquiteto Raul Lino da Silva (1879-1974) para Sacadura Cabral, que não viria a ocupá-la, tendo sido vendida nesse mesmo ano a Manuel Duarte.

Esta moradia refletia as preocupações do arquiteto com a temática da «casa portuguesa», sobre a qual se debruçou durante vários anos, traduzidos nas formas arquitetónicas portuguesas tradicionais, com jardim circundante e o uso de elementos característicos como o alpendre, os beirais, as cantarias e o azulejo. Demolida em 1982, as cantarias, colunas e portões foram posteriormente utilizados na construção do Pátio Alfacinha. Atualmente o espaço é ocupado por um parque de estacionamento.


Nesse ano foi também atribuída uma Menção Honrosa a um edifício de habitação na Avenida da República, 54, com projeto de Porfírio Pardal Monteiro (1879-1957) para Isidoro Sampaio de Oliveira. Edifício de características modernistas, foi demolido em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios, foi objeto de análise em post anterior.


Arquiteto Raul Lino da Silva

Raul Lino da Silva foi um arquiteto de um paradigma consistente e inovador. Criando espaços voltados e organizados para pátios interiores, onde existe a criação de sombras e espaços de transição, em que valoriza os alpendres, uma pouco numa perspetiva anti-urbana. Designada romanticamente por Raul Lino como espírito do lugar, muito ao jeito de Frank Lloyd Wright (1876-1959), a sua arquitetura valorizava a articulação com a paisagem, segundo uma composição orgânica, sábia e intuitiva, com gosto pelo uso de materiais tradicionais, que apesar de terem um carácter decorativo são essencialmente funcionais, de acordo com os modos tradicionais do Arts and Crafts. 


Arquiteto Raul Lino da Silva, (1879-1974)

Ao longo da sua vida, projectou mais de 700 obras, tais como a Casa dos Patudos, em Alpiarça, para José Relvas (1904), a Casa do Cipreste, em Sintra (1912), o Cinema Tivoli, em Lisboa, (1925) e o Pavilhão do Brasil na Exposição do Mundo Português de 1940.
Foi ainda autor de numerosos textos teóricos sobre o problemática da arquitectura doméstica popular, como A casa portuguesa (1929), Casas portuguesas (1933) e L’évolution de l’architecture domestique au Portugal (1937).
Posteriormente, alguns textos foram reunidos num livro publicado pelo jornal O Independente em 2004, de nome “Não é artista quem quer”.

“Passeio central com árvores, vivendas; o bonito aspeto da Rua Castilho nos anos 30/40 em dia soalheiro. Avistava-se a estátua do Marquês de Pombal sobressaída do casario.”
Raul Lino da Silva
“Naquele terreno há um parque de estacionamento mas dali não se avista a estátua do Marquês. Tenho impressão que hoje nem nos dias mais soalheiros o Sol banha aquele passeio. As luminárias esgotaram-se na demolição…”
Raul Lino da Silva


Fontes
pt.wikipedia.org
http://www.jaimeroriz.com
lisboadeantigamente.blogspot.com
biclaranja.blogs.sapo.pt
archive.is/

Prémio Valmor de 1910 – Casa de António Macieira -Demolido (1961)


Prémio Valmor de 1910, Av. Fontes Pereira de Melo, 30, [1910-14].
Paulo Guedes, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.

Localizada na Avenida Fontes Pereira de Melo, n.º 30, em Lisboa, encomendada por António Macieira, nasce aquela que foi uma das obras mais assinaláveis do arquiteto Ernesto Koorodi, distinguida em 1910 com a atribuição do Prémio Valmor. Por contemplar uma exigência perante o conforto interior ou o aconchego do sweet home, como concebem e praticam os ingleses, e sem despender de recursos desnecessários. 


Casa António Macieira, Foto da Fachada Principal,
Ernesto Korridi, 1910

A planta de forma quadrangular era dividida com grande rigor, funcional e técnico ao mesmo tempo que a economia de meios se refletia no alçado lateral, virado para o logradouro privado da casa, onde se denotava uma generalizada simplificação decorativa. No fundo, a racionalidade construtiva, aliada à económica, refletia o rigor da obra, relativamente à sua organização espacial e funcional, num registo de continuidade e de inovação.


Casa Antonio Macieira, Planta do piso térreo da casa, Ernesto Korrodi, 1910

Ernesto Korrodi (1870-1944), fui um dos pioneiros e mais bem sucedidos arquitetos da Arte Nova em Portugal, tendo conquistado duas vezes o Prémio Valmor. Para além da Casa de António Macieira, em 1917 o mesmo galardão lhe foi atribuído pelo prédio na Rua Viriato, n.º 5, propriedade de António Macieira Júnior, destacam-se ainda da sua autoria, os projetos para o Castelo da D. Chica, em Palmeira, o Paços do Concelho e a Recuperação do Castelo de Leiria, Casa Museu Egas Moniz (Avanca), de entre outros.


Castelo da D. Chica, também referido como Castelo de Palmeira, Casa da Chica ou Palácio de D. Chica .
Trata-se de um edifício apalaçado, de características ecléticas sobre um estilo romântico, projetado pelo Arquiteto suíço Ernesto Korrodi.
A sua construção iniciou-se em 1915, por iniciativa de Francisca Peixoto de Sousa, nascida no Brasil, que mandou vir do seu país muitas das espécies arbóreas actualmente existentes na mata envolvente.
Ao longo de sua história mudou várias vezes de proprietário, arrastando-se as obras por décadas, só sendo concluídas em 1991, adaptado a restaurante e bar.
Foi homologado como Imóvel de Interesse Público por Despacho de 20 de Fevereiro de 1985.
Atualmente o imóvel encontra-se num estado de abandono e degradação, depois de passar por uma disputa judicial quanto à sua posse, envolvendo várias entidades.


As suas obras decorrem de uma atitude paradoxalmente eclética e moderna, apoiando-se por um lado, numa reinterpretação de soluções referenciadas no período medieval ou na Renascença; por outro lado também e simultaneamente, em fórmulas sediadas nos movimentos Arts and Crafts, Arte Nova (Art Nouveau) ou Secessão. Nos seus projetos persistem determinadas dependências e hierarquias, mas estas se cruzam com as necessidades despertadas pelas inovações técnicas, o que faz com que se preocupe também com a resposta à eclosão de novas funções e mobiliário na casa, a par das exigências higienistas do momento.


A Câmara Municipal de Leiria (CML), Foto de 2014.

O prédio acabaria por ser demolido no finai de 1961 para dar lugar ao Teatro Villaret, infelizmente não foi o único “sacrificado”, numa artéria que praticamente perdeu todo o seu referencial de origem, também o palacete Silva Graça, projeto de Miguel Ventura Terra e Viria, que mais tarde, viria a transformar-se no Hotel Aviz, foi demolido em 1962 para ali se construir o Sheraton e o Imaviz.


Teatro Villaret, foto da Inauguração, 1965.
Propriedade da Tebo-Teatros de Bolso, Lda., do ator Raúl Solnado, que desempenhava também as funções de diretor do espaço, teve o nome em homenagem ao ator João Villaret. Projetado e decorado pelo arquiteto Daciano Costa.

Fontes:
RESDOMUS, Camilo Korrodi: entre a tradição e a modernidade, Ana Filipa Pinto Pinhal (Arquiteta, FAUP/PDA), 2015
lisboasos.blogspot.com
pt.wikipedia.org
restosdecoleccao.blogspot.com
jaimeroriz.com

Prémio Valmor em 1919 – Palacete Alfredo May de Oliveira – Demolido a 1961

Foto do Palacete Alfredo May de Oliveira , 1961

Numa data que não se consegue precisar, o Sr. Dr. Alfredo May de Oliveira teve a ideia de construir um palacete no terreno que possuía na Av. Duque de Loulé, nº 47. Para materializar as suas intenções mandou chamar o arquiteto Álvaro Machado. Alfredo May de Oliveira apresentou um projeto para licenciamento à Câmara Municipal de Lisboa, no dia 2 de Janeiro de 1918, para construção de uma moradia. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919.

O edifício estava em construção em 1919, quando no dia 17 de Janeiro do referido ano, foi apresentado um projeto de alterações de fachadas e outros pormenores para adaptação do piso térreo a estabelecimentos comerciais. No espólio doado, ao Museu do Departamento de Engenharia Civil e Arquitetura, Instituto Superior Técnico, há um desenho emoldurado (datado de 1918) de um capitel idêntico aos que decoravam parte dos vãos, do terceiro piso, desta moradia. Álvaro Machado ocupa todas as frentes neste lote de gaveto, com um pátio no interior. A verticalidade e elegância sugerida pelos vãos marcavam este edifício, contrastando com a horizontalidade da cimalha e vãos do terceiro piso. Após a sua concretização, o sóbrio palacete foi distinguido com o Prémio Valmor em 1919


Álvaro Machado foi autor de diversos projetos para bairros e moradias na zona de Lisboa, entre os quais se contam o Bairro das Roseiras, uma casa e o atelier em Algés para um escultor. Foi autor do túmulo dos Viscondes de Valmor em 1900, do Monumento aos Mortos da Grande Guerra em Lamego e possivelmente autor do Palácio do Comércio da Associação Comercial de Lisboa em 1917. Na capital portuguesa destacam-se ainda o atual Museu Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, que recebeu a menção honrosa do Prémio Valmor, bem como o prédio já demolido na Avenida Duque de Loulé, n.º 47, que venceu aquela prestigiada distinção em 1919. Colaborou com Rosendo de Araújo Carvalheira no Sanatório da Parede, tendo desenhado a enfermaria de doenças contagiosas para aquela instituição.
Na década de trinta o novo proprietário, João Jorge Carlos Pinto, apresenta um projeto para alteração de fachadas e planta para converter o piso térreo em estabelecimentos comerciais. O projeto deu entrada no dia 19 de Outubro de 1934, o construtor civil, inscrito na Câmara Municipal de Lisboa segundo o número 75, foi Manuel Panto Nunes. No dia 23 de Setembro de 1961, o proprietário (João Manuel de Castro Júnior) pede licença de 30 dias para a total demolição do edifício.

Fontes:
maislisboa.fcsh.unl.pt
toponimialisboa.wordpress.com

Prémio Valmor de 1907 (Casa Ernesto Empis), Demolido em 1954

Foto da fachada principal da Casa Ernesto Empis

Casa Empis ou Palacete Empis foi um edifício localizado na esquina da Avenida Duque de Loulé, nº 77, com a Rua Luciano Cordeiro, em Lisboa e foi vencedor do Prémio Valmor de 1907.


Foto das traseiras da Casa Ernesto Empis


Foi mandada construir pelo empresário Ernest Empis, com projeto do arquiteto António Couto de Abreu, foi objeto de um artigo na prestigiada revista “A Arquitectura Portugueza” ano I, março de 1908, palácio num estilo eclético e revivalista, com uma clara inspiração francesa radicada no chamado estilo Francisco 1º, (de que são exemplos o castello de Blois, a casa de Diana de Poitiers, etc.), a estrutura espacial acusa, na sua conceção, uma certa dependência ao edifício de rendimento da época. Neste sentido a distribuição interior dos espaços não adquire um sentido palaciano mantendo uma certa monotonia interior sem adquirirem características ou proporções que os individualizem.


Ficha técnica da planta parcial da Casa Ernesto Empis


Tanto o vigamento do rés-do-chão como o do primeiro andar, era feito em vigas de ferro e abobadilhas. As divisórias interiores são todas em alvenaria de tijolo, o que dá não só a solidez, ao edifício como o isenta da propagação de qualquer incêndio.


Ficha técnica das fachadas da Casa Ernesto Empis

Foi o primeiro edifício detentor do Prémio Valmor a ser demolido, em 1954, estando o seu lugar atualmente ocupando por um edifício de dez andares, o Hotel Embaixador, modernamente chamado Comfort Inn., situado na mesma morada, foi inaugurado em 21 de julho de 1956, propriedade de José Teodoro dos Santos, na altura também dono do Casino Estoril, foi projetado pelo Arquiteto Raul Tojal com colaboração do Arquiteto Manuel Coutinho de Carvalho.

Foto do edifício que atualmente ocupa a
esquina da Avenida Duque de Loulé, nº 77 ,
então Hotel Embaixador, atualmente Comfort Inn.


Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitetura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004.
lisboadeantigamente.blogspot.com;
paixaoporlisboa.blogs.sapo.pt;
biclaranja.blogs.sapo.pt;
pt.wikipedia.org;
restosdecoleccao.blogspot.com;

Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa Braz Simões)


Foto da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Referimo-nos a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, post anterior, e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, objeto ora em análise.


Foto de pormenor da fachada lateral da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na rua Cidade de Liverpool, 16, foi projetada por Rafael Duarte de Melo uma moradia para José Braz Simões de Sousa, no bairro que promoveu, e teve a menção honrosa do Prémio Valmor de 1914. 
Habitação de reduzidas dimensões o que não impediu uma cuidada elaboração do percurso de acesso e entrada na casa. Foi construída num promontório, com escadaria exterior de desenho sinuoso, em planta e ferragens Arte Nova. 


Foto da janela da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


A escada ocupa uma posição central na organização do espaço doméstico.
A utilização de estruturas de ferro e vidro, na fachada principal permite marcar a sua presença urbana, e na galeria lateral, que liga contornando a escada, a cozinha á sala de jantar, resolve de forma eficaz a circulação entre os dois compartimentos.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na fachada principal o pintor criou um motivo padronizado de flores polícromas. Estas emolduram um leão representado de forma realista. A originalidade deste conjunto é sublimada pelas estilizações Arte Nova, cujos tons denotam uma certa fantasia. 
Na obra de Joaquim Luís Cardoso encontramos referências ecléticas e Arte Nova, eximiamente exploradas. O traço e o rigor no desenho são de qualidade excecional, além de dominar a técnica das cores durante a cozedura. Também desenvolveu, de forma original, o contraste e dégradés cromáticos, conseguindo assim um certo efeito de luz e fantasia nas composições criadas.


Ficha técnica da planta parcial da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Fontes:
Estudo: A Arte Nova em Lisboa, António Francisco Arruda de Melo Cota, Fevereiro, 2017.
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
lisboasos.blogspot.com
archive.is

Menção Honrosa, Prémio Valmor 1930 (Casa Isidoro Sampaio de Oliveira)

Localizada nos números 54 e 56 da Avenida da Republica, em Lisboa, destinada a habitação, Isidro Sampaio de Oliveira encomenda o projeto ao Arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, edifício de características modernistas é construído entre 1927-1928, e distinguida com uma menção honrosa do Premio Valmor de 1930.
A moradia foi projetada para ocupar a maior parte da área do lote de terreno onde se insere, respeitando igualmente a sua planta quadrangular. A tendência modernista, patente nas linhas simples e na sobriedade decorativa das obras coevas de Pardal Monteiro, traduz-se aqui também no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de “caixa” é reforçada pela ocultação do telhado (de 4 águas, com pouca pendente), para lá de uma larga cornija de perfil retilíneo. 
No entanto a linearidade é quebrada por uma varanda de canto, ainda que integrada na estrutura cúbica. A fachada principal é revestida a cantaria, “pormenor” denunciador do nível económico do cliente, bem como do estatuto de residência da alta burguesia que o bairro viria a consolidar progressivamente. De ressalvar ainda o rasgamento de janelas triplas, que seria igualmente utilizado nas outras moradias referidas, e que assume particular destaque no piso nobre. 
Entre os elementos mais propriamente ornamentais, genericamente integráveis na linguagem Art Déco, mas já não puramente académicos, destacam-se os relevos escultóricos de algumas cantarias, mísulas e floreiras, ou os elegantes gradeamentos das janelas e sacadas, com motivos florais que complementam com graciosidade a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, aplicados a intervalos ritmados. Com estes detalhes convivem ainda pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, em aplicações simétricas, ou reforçando a linearidade (horizontal e vertical) do conjunto.
Na época, a avenida da Republica e a Fontes Pereira de Melo ainda eram de la forma desafogada que permitia, da tranquilidade da janela de seu lar, avista a Estátua de Marques de Pombal, longe de imaginarem o triste e relativo precoce desfecho a que o edifício estava condenado, seria demolido em pouco mais de 30 anos, em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios.
Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), foi um arquiteto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal. Juntamente com um grupo notável, a que pertenceram Cottinelli Telmo, Carlos Ramos, Luís Cristino da Silva, Cassiano Branco e Jorge Segurado, irá protagonizar a viragem modernista da arquitetura portuguesa. Pardal Monteiro destaca-se como “o que mais construiu e que se celebrizou como primeiro moderno. Sem concessões, foi capaz de pegar no fio da tradição para inovar”. A sua obra marcou a cidade de Lisboa, tendo sido responsável por muitas das mais importantes realizações arquitetónicas entre as décadas de 1920 e 1950.
De entre elas destacam-se: Início do projeto da Nova Biblioteca Nacional de Portugal, Hotel Ritz (actual Four Seasons), 1954; Hotel Tivoli, Avenida da Liberdade, 1950; Pavilhão e Esfera dos Conhecimentos, Exposição do Mundo Português, 1940; Edifício do Diário de Notícias, 1936; Gare Marítima de Alcântara |Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, 1934; Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 1938; Instituto Nacional de Estatística, 1931; Estação Ferroviária do Cais do Sodré, 1926 e também no Porto foi responsável pelo edifício da Caixa Geral de Depósitos, Avenida dos Aliados,1923, entre outros importantes edifícios e muitos prémios que o prestigiaram.

Fontes:
flickr.com/photos/biblarte
pt.wikipedia.org
toponimialisboa.wordpress.com
patrimoniocultural.gov.pt