Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa Braz Simões)


Foto da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Referimo-nos a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, post anterior, e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, objeto ora em análise.


Foto de pormenor da fachada lateral da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na rua Cidade de Liverpool, 16, foi projetada por Rafael Duarte de Melo uma moradia para José Braz Simões de Sousa, no bairro que promoveu, e teve a menção honrosa do Prémio Valmor de 1914. 
Habitação de reduzidas dimensões o que não impediu uma cuidada elaboração do percurso de acesso e entrada na casa. Foi construída num promontório, com escadaria exterior de desenho sinuoso, em planta e ferragens Arte Nova. 


Foto da janela da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


A escada ocupa uma posição central na organização do espaço doméstico.
A utilização de estruturas de ferro e vidro, na fachada principal permite marcar a sua presença urbana, e na galeria lateral, que liga contornando a escada, a cozinha á sala de jantar, resolve de forma eficaz a circulação entre os dois compartimentos.


Foto de pormenor dos azulejos da fachada principal da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16


Na fachada principal o pintor criou um motivo padronizado de flores polícromas. Estas emolduram um leão representado de forma realista. A originalidade deste conjunto é sublimada pelas estilizações Arte Nova, cujos tons denotam uma certa fantasia. 
Na obra de Joaquim Luís Cardoso encontramos referências ecléticas e Arte Nova, eximiamente exploradas. O traço e o rigor no desenho são de qualidade excecional, além de dominar a técnica das cores durante a cozedura. Também desenvolveu, de forma original, o contraste e dégradés cromáticos, conseguindo assim um certo efeito de luz e fantasia nas composições criadas.


Ficha técnica da planta parcial da Casa Braz Simões,
Rua Cidade de Liverpool, 16

Fontes:
Estudo: A Arte Nova em Lisboa, António Francisco Arruda de Melo Cota, Fevereiro, 2017.
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
lisboasos.blogspot.com
archive.is

Menção Honrosa, Prémio Valmor 1930 (Casa Isidoro Sampaio de Oliveira)

Localizada nos números 54 e 56 da Avenida da Republica, em Lisboa, destinada a habitação, Isidro Sampaio de Oliveira encomenda o projeto ao Arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, edifício de características modernistas é construído entre 1927-1928, e distinguida com uma menção honrosa do Premio Valmor de 1930.
A moradia foi projetada para ocupar a maior parte da área do lote de terreno onde se insere, respeitando igualmente a sua planta quadrangular. A tendência modernista, patente nas linhas simples e na sobriedade decorativa das obras coevas de Pardal Monteiro, traduz-se aqui também no volume único e paralelepipédico, cuja aparência de “caixa” é reforçada pela ocultação do telhado (de 4 águas, com pouca pendente), para lá de uma larga cornija de perfil retilíneo. 
No entanto a linearidade é quebrada por uma varanda de canto, ainda que integrada na estrutura cúbica. A fachada principal é revestida a cantaria, “pormenor” denunciador do nível económico do cliente, bem como do estatuto de residência da alta burguesia que o bairro viria a consolidar progressivamente. De ressalvar ainda o rasgamento de janelas triplas, que seria igualmente utilizado nas outras moradias referidas, e que assume particular destaque no piso nobre. 
Entre os elementos mais propriamente ornamentais, genericamente integráveis na linguagem Art Déco, mas já não puramente académicos, destacam-se os relevos escultóricos de algumas cantarias, mísulas e floreiras, ou os elegantes gradeamentos das janelas e sacadas, com motivos florais que complementam com graciosidade a decoração geometrizante dos painéis e frisos de mosaicos brilhantes, dourados e multicolores, aplicados a intervalos ritmados. Com estes detalhes convivem ainda pilastras, colunas e cornijas de recorte clássico, em aplicações simétricas, ou reforçando a linearidade (horizontal e vertical) do conjunto.
Na época, a avenida da Republica e a Fontes Pereira de Melo ainda eram de la forma desafogada que permitia, da tranquilidade da janela de seu lar, avista a Estátua de Marques de Pombal, longe de imaginarem o triste e relativo precoce desfecho a que o edifício estava condenado, seria demolido em pouco mais de 30 anos, em 1962, dando lugar a um edifício de escritórios.
Porfírio Pardal Monteiro (1897-1957), foi um arquiteto e professor universitário português. É um dos mais importantes arquitetos da primeira metade do Século XX em Portugal. Juntamente com um grupo notável, a que pertenceram Cottinelli Telmo, Carlos Ramos, Luís Cristino da Silva, Cassiano Branco e Jorge Segurado, irá protagonizar a viragem modernista da arquitetura portuguesa. Pardal Monteiro destaca-se como “o que mais construiu e que se celebrizou como primeiro moderno. Sem concessões, foi capaz de pegar no fio da tradição para inovar”. A sua obra marcou a cidade de Lisboa, tendo sido responsável por muitas das mais importantes realizações arquitetónicas entre as décadas de 1920 e 1950.
De entre elas destacam-se: Início do projeto da Nova Biblioteca Nacional de Portugal, Hotel Ritz (actual Four Seasons), 1954; Hotel Tivoli, Avenida da Liberdade, 1950; Pavilhão e Esfera dos Conhecimentos, Exposição do Mundo Português, 1940; Edifício do Diário de Notícias, 1936; Gare Marítima de Alcântara |Gare Marítima da Rocha do Conde de Óbidos, 1934; Igreja de Nossa Senhora de Fátima, 1938; Instituto Nacional de Estatística, 1931; Estação Ferroviária do Cais do Sodré, 1926 e também no Porto foi responsável pelo edifício da Caixa Geral de Depósitos, Avenida dos Aliados,1923, entre outros importantes edifícios e muitos prémios que o prestigiaram.

Fontes:
flickr.com/photos/biblarte
pt.wikipedia.org
toponimialisboa.wordpress.com
patrimoniocultural.gov.pt

Ruínas da Igreja Matriz de Arcozelo

Foto da entrada no Cemitério de Arcozelo e
Ruínas da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

A procissão em honra da padroeira, Nossa Senhora de Entre as Vinhas, ainda passa, todos os anos pelos dias 7,8 ou 9 de setembro, pelas ruas da freguesia dos Arcozelos, mas não ao toque dos sinos da torre da antiga Igreja Matriz.
Apesar do notório estado de ruína, em que se encontra, continua a ser o monumento mais emblemático da freguesia dos Arcozelos. Edificada no século XVII, no lugar de Arcozelo do Cabo, possuía, no seu interior, quatro altares, designadamente o de Nossa Senhora de Entre as Vinhas (a padroeira), o do Santíssimo, o do Senhor da Aflição e o do Coração de Jesus, e ainda duas capelas particulares: a de Santa Isabel (onde aparecia gravado na pedra o ano de 1517), pertencente à família dos Sás, e a de Santo Agostinho, da família dos Rebelos, ambas com os respetivos brasões. Possuía ainda as imagens de Nossa Senhora do Rosário, Santo António e Santa Bárbara. Tinha já em 1758 uma irmandade do Coração de Jesus.

Foto do Sino da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Arcozelos é o resultado da junção das povoações de Arcozelo da Torre e de Arcozelo do Cabo. A sede de freguesia era na altura o Arcozelo do Cabo, onde foi criada a primeira escola, que passa em 1885 para o Arcozelo da Torre, por esta altura, uma ligeira rivalidade, que há muito se faz notar, entre as localidades da freguesia, com implicações sobretudo a nível da administração local, vai influenciar também as decisões paroquiais.


Foto da fachada da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Com a necessidade de realização de obras de reparação na Igreja Matriz, surgem intenções de a “deslocar” para terreno “neutro” às duas localidades, desta forma, e depois de vários anos de impasse em que a grande penalizada foi a Velha Igreja Matriz, acaba por ser construída, já em pleno século XX, uma nova Igreja Matriz, na localidade de Arcozelos, que viria a sentenciar a ruina literal da então Igreja Matriz.

Foto da fachada principal da Nova Igreja Matriz


Estendem-se as terras arcozelenses desde a ribeira de Leomil até à Quinta de Porquinhas, passam pelas matas do Verdeal e espraiam-se pelos campos da Ribeira do Tedinho. Toitam, Admeios, Porquinhas, Seixo, Arcozelo da Torre e Arcozelo do Cabo são os topónimos mais importantes que assinalam a aglutinação da comunidade arcozelense. Fez sempre parte do concelho de Caria, passando para o de Moimenta da Beira em 1834. Freguesia mais recente que os povos que a formam, (Toitam é o povo mais antigo dos Arcozelos, certamente anterior ao século XII, possivelmente erigido a partir do velho Castelo de Caria), surge no século XV/XVI, como capelania da Vila da Rua. Foi depois elevada a paróquia, tendo arquivo paroquial próprio desde 1583. Era curato anexo à reitoria da vila da Rua, passando mais tarde a reitoria.


Foto da fachada principal e lateral da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Terra de casas senhoriais, algumas das quais brasonadas, tendo existido, numa delas, uma torre onde se arrecadavam os foros reais, segundo informação da memória paroquial de 1758, escrita pelo padre Inácio Vicente. Terra de sepulturas remotas escavadas na rocha (na Gaia e na Senhora da Cabeça), de espécimes artefactos raros como a Pedra do Responso, de fontes antigas e de dois ribeiros que obrigaram à construção de pontes arcadas. Terra de Rebelos, Sás, Coutinhos e Lencastres que deixaram para os vindouros resquícios da sua remota existência. É também terra de belos monumentos religiosos, uns do povo outros de particulares, alguns dos quais soçobraram com o tempo, nomeadamente a capela do Mártir, a capela de Nossa Senhora da Cabeça, a capela de Santa Eufémia, a ermida de Santo António, a capela de S. Sebastião, a capela de N. Sra. da Encarnação, a capela de N. Sra. da Conceição, a capela de S. José e a capela de N. Sra. da Piedade.

Foto de pedra tumular deslocada


A pesquisa arqueológica feita até ao momento indica que o território que constitui a freguesia dos Arcozelos foi parcialmente romanizado e os principais vestígios medievais são sobretudo referentes a enterramentos, sendo eles nomeadamente uma sepultura escavada na rocha no lugar da Gaia e uma tampa presumivelmente sepulcral, colocada junto à Fonte dos Baptizados, no Largo da Bandeira, contudo, já incompleta, onde foram gravadas uma cruz e uma espada.

Foto da porta principal da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas


Pressupondo-se ainda que, no Toitaínho, ter-se-á edificado uma das fortalezas de Caria, concelho a que pertenceu até ao ano de 1834, antes de integrar o município de Moimenta da Beira, o destaque vai, no entanto, para o legado arquitetónico da Época Moderna, solarengo e especialmente religioso, quando, por algum tempo, as suas terras estiveram sob a jurisdição da Universidade de Coimbra, demarcação essa que ainda se pode observar pela colocação de blocos graníticos com a inscrição “DE V”, nos lugares de ribeira do Tedo, Costeira e Leiras.

Foto do Sino da torre da Igreja Matriz – Nossa Senhora de Entre as Vinhas

Fontes:
AVATARES DA MEMÓRIA, História, Paisagem e Património do concelho de Moimenta da Beira, Jaime Ricardo Gouveia, 2013;
Informações foram colhidas, informalmente, junto de habitantes locais;
memoriaportuguesa.pt;
cm-moimenta.pt;
moimentananet.blogspot.com;

Estação Ferroviária da Trofa, Uma Verdadeira Homenagem

Foto da Nova Estação Ferroviária da Trofa,
Inaugurada em 2010.

A nova Estação Ferroviária da Trofa, foi oficialmente inaugurada a 15 de agosto de 2010, um sufisticado projeto da Grid, empresa de engenharia civil, fundada em portugal a 1980, e edificada pela construtora Opway, que à data, pertencia ao Grupo Espírito Santo, passou posteriormente para a mão dos Gestores, e mais recentemente, em 2017, vendida à Nacala Holdings.
A interface é composta por cinco secções, divididas por dois pisos de um só edifício. No piso inferior, encontram-se as bilheteiras, uma cafetaria e uma zona comercial, e no piso superior, situam-se as plataformas e as vias, que se estendem ao longo de 3.555 metros, contempla um túnel de 1.404 metros e um viaduto de 327 metros.


Esta disposição da estação, inspirada na antiga Ponte Pênsil da Trofa, (Inaugurada em 1858 e tida como uma das “mais elegantes do Reino”, como escreveu Alberto Pimental na sua obra “Santo Tirso de Riba d’Ave” e extinta em 1934), permite a livre circulação pedonal e rodoviária, maximizando desta forma a interoperabilidade entre os diferentes meios de transporte. Os pilares interiores e exteriores das fachadas (remetem para as quatro torres centrais elevadas e as quatro torres exteriores da antiga ponte), e a chapa duplamente nervurada, auto-portante, com vãos de 4 metros, (lembram tambem as guias laterais e tabuleiro da antiga ponte).


Foto da Nova Estação Ferroviária da Trofa,
Inaugurada em 2010.


A nova gare da Trofa foi construída para substituir a antiga, que a par de sinais de degradação estrutural das linhas de circulação, em 24 de fevereiro de 2002 viu-se obrigada a encerrar o troço da linha de Guimarães entre Senhora da Hora e Trofa para ser convertido numa linha do Metro do Porto. Com efeito, o canal por onde seguia a linha foi transferido da REFER para a Metro do Porto e concluido até ao ISMAI inaugurado em 2006, o que tem gerado descontentamento na região, principalmente depois de em 2010 a empresa Metro do Porto ter retirado do seu plano de atividades o prolongamento da Linha C desde o ISMAI até à Trofa, pelo menos num curto prazo.


Foto da Nova Estação Ferroviária da Trofa,
Inaugurada em 2010.

Por outro lado, a construção da Variante da Trofa, troço onde a nova estação se encontra, permitiu o encerramento do antigo troço da Linha do Minho, que, devido ao facto de atravessar o centro da cidade da Trofa, provocava vários problemas de segurança.

Localiza-se junto à Rua Poeta Cesário Verde, nas proximidades da igreja nova.
A estação é utilizada por serviços Intercidades, Regionais da Linha do Minho, urbanos das linhas de Braga e Guimarães, e o Comboio Internacional Porto-Vigo.
Futuramente irá também conter a última paragem de metro e a central de camionagem.


Foto da Antiga Estação Ferroviária da Trofa,
reinaugurada a 18 de agosto de 2018.

A antiga Estação Ferroviária de Trofa, inaugurada em 1875 e encerrada em 2010, teve a sorte que foi negada a muitas outras no país, foi objeto de requalificação realizada pelo Município da Trofa no âmbito de um contrato de subconcessão celebrado, em fevereiro de 2017, entre a autarquia e a IP Património.


Foto do Antigo Armazém da Estação Ferroviária da Trofa,
reinaugurado a 18 de agosto de 2018.


A intervenção decorreu em duas fases, primeira a inaugurada em junho de 2017, incluiu a requalificação do espaço canal com a criação de uma grande área pedonal, hoje Alameda da Estação e segunda abrangeu a reabilitação profunda de quatro edifícios associados à antiga estação, inlcuindo o Cais Coberto,e o Edifício de Passageiros, cuja recuperação visou as novas exigências funcionais e de conforto por forma a adaptar o edifício à sua nova condição de Centro de Atividades Culturais. Foi também recuperada a antiga casa do chefe de Estação e o antigo armazém que funcionará como cafetaria/restaurante. As obras tiveram o apoio de fundos comunitários e representam um investimento de cerca de 620 mil euros.


Foto do Alinhamento dos Edificios da Estação Ferroviária da Trofa,
reinaugurada a 18 de agosto de 2018.

Fontes:
jornaldenegocios.pt
grid.pt/
geocachingworld.blogs.sapo.pt/
pt.wikipedia.org/
infraestruturasdeportugal.pt/

Ponte Pênsil da Trofa (extinta)

Inaugurada em 1858 e tida como uma das “mais elegantes do Reino”, como escreveu Alberto Pimental na sua obra “Santo Tirso de Riba d’Ave”, a construção da Ponte Pênsil da Trofa, como ficou oficialmente designada, eliminou definitivamente o problema da travessia sobre o rio Ave, ligava Ribeirão (Vila Nova de Famalicão) e São Martinho do Bougado (Trofa), até então feita com recurso à utilização de barcas. 
Suspensa sobre o rio, daí o nome, a ponte pênsil era apoiada nos seus extremos por dois enormes Pegões de granito, de altura até ao nível do pavimento da estrada. 
Estava suspensa por cordões aramados presos e cabos de suspensão, que tinham os seus extremos nas casas dos portageiros. 

Projectada exclusivamente por engenheiros portugueses a sua construção inseriu-se numa empreitada mais ampla – a nova estrada de ligação entre Porto e Braga (EN 14).
Esta via estruturante que veio a facilitar o fluxo de mercadorias e pessoas entre as duas cidades, a responsabilidade da Companhia de Viação Portuense dirigida,  na altura, pelo Barão de Massarelos, António Gomes dos Santos e José Barros Lima, tendo o respectivo contrato de construção sido assinado em 9 de Setembro de 1851. 

Esta via apesar de só ter ficado concluída em 1855, naturalmente com excepção da Ponte Pênsil, as carreiras de diligências entre Porto e Vila Nova de Famalicão iniciaram-se logo em 1852, tendo alcançado Braga, no ano seguinte. As diligências, carruagens puxadas por duas ou três parelhas de cavalos, levavam uma média de 6 a 7 horas na ligação Porto-Braga, incluindo o tempo gasto nas paragens em vendas  ou estalagens, que existiam ao longo do percurso Durante esse período a travessia do Ave, era efectuada sobre uma rudimentar ponte de madeira.

Apesar das tentativas da população e das autoridades locais para o evitar, esta ponte foi demolida em 1934, por ser demasiado exígua e não reunir as devidas condições de segurança. 
Em seu lugar iria ser construída a actual ponte de cimento armado, melhor preparada para o intenso tráfego de uma região e um País em desenvolvimento.

Manuel da Costa Pereira Serra nasceu a 6 de Julho de 1894, em Mosteiro, São Martinho de Bougado, filho de José da Costa Pereira Será e de Ana Dias de Araújo. Nas horas de nostalgia, este Bougadense de São Martinho, dedilhava o cavaquinho, seu companheiro das melancolias. Afinal nem todas as horas são alegres na vida de uma pessoa. 
Nos seus versos Manuel da Costa Pereira Serra – era assim que ele os assinava – mostrava-se defensor acérrimo da sua terra e dos seus valores, até com uma certa graça.

Ponte Pênsil da Trofa

Eu vou contar uma história 
Sobre uma ponte de pau, 
Lembrada ponte da Trofa, 
Antiga ponte do Vau.

Esta é já tão antiguinha 
Como a história da Barca; 
Também era conhecida 
Por ponte pênsil da Barca.

Mas agora o que não lembra, 
Deixemo-nos de ilusão, 
É que essa bonita ponte 
Se chame de Ribeirão.

Eu cá sempre ouvi chamar 
E tenho visto na história 
A ponte pênsil da Trofa, 
Se não me falha a memória.

Agora caros amigos, 
Esta é mais disparatada: 
Credo! Uma ponte de pau 
Também ter de ser crismada!…

Quer de um lado quer de outro 
Parece ser pretendida 
Os da Trofa e Ribeirão 
Pela ponte dão a vida.

P’ra todos ficar contentes 
Não andar de cara ao lado, 
Ah! Parte-se ao meio a ponte 
Ribeirão leva um bocado.

Nesta poesia está o reflexo da cobiça que houve nos anos trinta – fim do seu reinado – à ponte pênsil por gentes da Trofa e de Ribeirão. Neste poema está um bom naco do quotidiano de uma geração. A região teve então em Manuel Serra um poeta humorista que sabia tratar as coisas com graça e subtileza de modo a levantar as questões sem melindrar qualquer das partes.

Fontes:
jorgepaulooliveira.blogspot.com;
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
freg-ribeirao.pt;
portoarc.blogspot.com;
portodeantanho.blogspot.com;

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909 (Palacete Mendonça)

Foto (editada) do Palacete Mendonça na Rua Tomás Ribeiro, 4-7

Este edifício, localizado na Rua Tomás Ribeiro, 4-7, em lisboa, com projeto do Arquiteto de António Couto Abreu, propriedade de João António Marques Sena, foi premiado com menção honrosa do Prémio Valmor de 1909, demolido em 1954, ocupando agora o seu lugar um edifício de escritórios.
O Arquiteto Couto Abreu e Adães Bermudes, foram coautores do projeto vencedor do concurso para o Monumento o Marquês de Pombal em Lisboa, em parceria com o escultor Francisco dos Santos.
De entre os seus projetos arquitetónicos, destaca-se a Casa Empis, Prémio Valmor, 1907, um edifício também de gaveto, com características semelhantes, edificado em estilo Francisco I e inspirado na Renascença Francesa, lembrava o castelo de Blois e a casa de Diana de Poitiers, curiosamente também foi demolido no mesmo ano, em 1954, foi o primeiro Prémio Valmor a ser demolido. 
Por edital da C.M.L. de 1907, a antiga Rua do Sacramento, que era a continuação da Estrada da Cruz do Tabulado, à esquerda indo da Rua Gomes Freire, que começava na esquina da Rua Chafariz de Andaluz e findava no largo de São Sebastião da Pedreira, passou a denominar-se Rua de Tomás Ribeiro.
Fontes:
sigarra.up.pt
lisboadeantigamente.blogspot.com
pt.wikipedia.org

Menção Honrosa Premio Valmor em 1914 (Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia)

Gravura (editada) da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7

Em 1914 foram distinguidas três obras com Menções Honrosas, duas delas atribuídas a projetos idealizados por não arquitetos e cujos edifícios já foram demolidos. Refiro-me a duas habitações unifamiliares, uma na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7, ora em análise e outra na Rua Cidade de Liverpool, 16 pertencente a José Simões de Sousa, a qual será abordada posteriormente. Os seus autores foram o “condutor de obras públicas” António da Silva Júnior e o “desenhador” Rafael Duarte de Melo, respetivamente. A terceira Menção Honrosa também foi para uma moradia unifamiliar situada no Campo Grande, 382 pertencente a Artur Magalhães com Arquitetura de Álvaro Machado (1874-1944). Nesta escolha o júri considerou que as “duas fachadas de estilização portuguesa recomendam-se”.


Gravura da fachada principal da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Situada nos números 5 e 7 da Rua Pascal de Melo em Lisboa, esta constatação é particularmente relevante ao permitir estabelecer uma conexão natural, entre a casa burguesa de influência ainda novecentista e a casa moderna, o projeto foi publicado na prestigiada revista “A Arquitectura Portuguesa”, ano VIII, n° 3, 1915, foi encomendado por Richard Eisen, diretor técnico da fábrica de cerveja Germânia ao arquiteto e “condutor de obras públicas” António Rodrigues da Silva Júnior (1868-1937) em 1913, figura proeminente nas áreas da engenharia e arquitetura portuguesa, recebeu em 1914 a menção honrosa do Prémio Valmor de Arquitetura pela construção do edifício, aquele vivia a ser demolido em 1967.


Gravura da lateral e traseiras da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


No edifício, nas opções estéticas ou no tipo e qualidade de construção, existiu uma intenção de criar riqueza arquitetónica na sequência da redução intencional da área de habitação, uma casa de menores dimensões, pode ser uma casa socialmente representativa e uma habitação confortável. Este aspeto metalinguístico, constitui o elo que marca a continuidade entre a arquitetura do final do século XIX e o início da modernidade. 
Nesta casa, não estaremos perante limitações económicas, mas também não existe uma intenção de produzir um palacete. A casa ao adequar-se a um lote urbano de gaveto, regista uma notável eficiência na sua relação com a rua, tratando o gaveto com um corpo cilíndrico mais baixo que articula os volumes edificados. É importante notar que o percurso de acesso da entrada até ao átrio central é organizado de forma a surpreender o visitante quando chega a este espaço. Este dispositivo de transição, entre a rua e o interior, contrai o espaço de passagem para maximizar o efeito de escala da entrada no grandioso átrio central. O ponto de chegada do visitante a este espaço central, situa-se em frente da escada, de dois lanços, situada no lado oposto e iluminada por um vão lateral, num encenação cuidadosamente elaborada.


Ficha técnica da planta da Casa do Diretor Técnico da Fábrica de Cerveja Germânia,
na Rua Pascoal de Melo, N.º 5-7


Ao longo da sua carreira, António R. da Silva Júnior produziu mais de duas centenas de projetos, de raiz ou de readaptação, entre os quais se salientam os dos estabelecimentos termais do Estoril e Vidago, da Praça de Touros do Campo Pequeno, edifícios da Casa da Moeda e edifício da Fábrica de Cerveja Portugália Lda. (dona da cerveja Germânica) à semelhança de várias casas particulares, quartéis da Guarda Fiscal e instalações alfandegárias entre outros.O projeto de alterações (“apropriações”) do Palácio Alverca em Lisboa, futuro Monumental Club ou Magestic, tem a assinatura do arquiteto António Rodrigues da Silva Júnior. Obra notável de qualidade e rapidez ainda para os nossos dias, esta adaptação foi um trabalho gigantesco.
Arquiteto do imaginário sintrense. Autor do estudo A Atlântida (Subsídio para a sua reconstituição histórica, geográfica, etnológica e política), publicado em Lisboa na revista “A Arquitetura Portuguesa”, de janeiro de 1930 a maio de 1933.

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
opactoportugues.blogspot.com;
lisboasos.blogspot.com;
arquivodigital.cascais.pt;
tracodoarquiteto.cm-sintra.pt;
arquivodigital.cascais.pt.

Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1909 (Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães)

Foto da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé

Mesmo atrás da paragem de autocarro, ocupando o número 72 da Avenida Duque de Loulé, destacava-se pelas varandas e azulejos a casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, que em 1909 recebeu uma das menções honrosas do Prémio Valmor. 


Gravura da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


No que respeito diz à riqueza artística, segundo os especialistas do assunto, o edifício só perdia pontos para a também premiada e já demolida A Casa Empis, do arquiteto António Couto de Abreu.
O Autor do projeto, Arq. A. Marques da Silva, um dos novos artistas de comprovado talento e indiscutível merecimento quis contribuir por sua parte não só para que Lisboa tenha mais um edifício mas também, que este lhe traga prestígio. O porjeto foi publicado na prestigiada revista “A Architectura Portuguesa”, ano II, n° 11, 1909, p.41-44.


Gravura de busto em relevo, pormenor da fachada da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


Apesar da sua relativa limitada área, como se calcula pelas gravuras, a sua fachada é de linhas corretas e elegantes e um gosto artístico arrojado, a pintura dos azulejos pertence ao artista Jorge Pinto (Foi um dos mais representativos pintores figurativos da azulejaria Arte Nova, entre outros exemplos, está representado em quiosques dos jardins do Cais do Sodré (1916), do Constantino, em Arroios, e de Silva Porto (1915), em Benfica) e baixo-relevo no frontão da fachada é da responsabilidade do celebre escultor José Netto (O Lançador do Disco”, no Pavilhão Carlos Lopes; Busto de António Enes, em mármore, teatro D. Maria II; Escultura decorativa da Assembleia da República; Corpo central do Mosteiro dos Jerónimos, entre outras).


Gravura de escada interior, pormenor do interior da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé


Dos três pisos, fez de sua habitação o terceiro, sendo o rés-do-chão e primeiro andar destinados a aluguer, os seus interiores acompanhavam a qualidade do exterior, não era habitual quando se tratava de habitações para aluguer não só o indispensável conforto, mas até luxo, casas de banho e retretes com tecnologia de ponta para a época, estima-se que o total da obra tenha ficado perto dos 18.000$00 réis, sabemos que 1000 réis foram convertidos em 1 Escudo, em 1911 e ainda que a desvalorização do Escudo, entre 1911 e 1999 foi de 2800 vezes, à volta de 50.400$00 escudos.


Gravura de porta, teto e móveis, pormenor do interior da Casa do Sr. Dr. Fortunato Guimarães, na Av. Duque de Loulé

Infelizmente o prédio depois de desabitado, foi vendido e viria a ser demolida em 1965, em seu lugar emergiu um edifício com oito andares, no seu rés-do-chão está instalado o CAAD – Centro de Arbitragem Administrativa de Lisboa. 
Talvez o seu vizinho do número 70 tenha melhor sorte, em 2015 o Grupo GFH, comprou vários edifícios na avenida para “reabilitação urbana”… 

Fontes:
Revista – A Architectura Portugueza, Anno II, N.º 11, Novembro de 1909
idealista.pt/news/financas/investimentos
hvortexmag.net

Menção Honrosa Premio Valmor em 1908 (Palacete Branco Rodrigues)


Palacete Branco Rodrigues, Avenida da República, 36, esquina da Av. Visconde de Valmor (1908), Antiga Avenida Ressano Garcia (1910). Paulo Guedes, in AML

A Casa de José Cândido Branco Rodrigues (fundador das escolas portuguesas para cegos), que também foi conhecida por Palacete Branco Rodrigues, devido à sua conceção, foi edificado entre 1906 e 1908, situava-se frente ao Palacete Valmor (Post Anterior) na Avenida da República em Lisboa e recebeu uma Menção Honrosa (Prémio Valmor), em 1908 e uma publicacão na pristigiada revista “A Architectura Portugueza”, ano l, n°10,1908,p.37-38. 


Avenida da República, 36 e 38, esquina da Av. Visconde de Valmor (1908), Palacete Valmor Prémio Valmor 1906; à direita, palacete Barreiros Mensão Honrosa do Prémio Valmor de 1908.Paulo Guedes, in AML


Salienta-se o desenvolvimento da zona social da casa em altura, acompanhando o torreão e da escada a ele associada, no rez-do-chão, além do vestíbulo, ha um escritório, gabinete, oratório, casa de jantar e dependências, tais como a cozinha, quartos de criados, casa de engomados,
casa de banho, etc. No primeiro andar, fica uma sala para visitas, quarto grande, quarto para hóspedes, varias dependências e o terraço. O torreão é aproveitado para uma ampla sala de bilhar. ” Acrescentamos que a legenda
da planta refere ainda no rés-do-chão “gabinete de senhora” e no primeiro andar um “guarda roupa”.
Este edifício seria demolido nos anos 1949-1950, dando lugar a um prédio de habitação com 8 andares e lojas no piso terrio.

Ficha técnica da planta do Palacete Valmor na
Avenida da República, 36 e 38 do Arquiteto
Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962)

Diplomado pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa,  Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962) é uma figura de enorme importância na construção da imagem arquitetónica de Lisboa e do país, contando com uma imensa produção edificada, dentro e da qual vários Prémios Valmor. Arquiteto da Casa de Bragança, é também autor de vários projetos, entre os quais os da casa e atelier Malhoa, em Lisboa, o pavilhão D. Carlos no Buçaco, o Palace Hotel da Curia, o Grande Hotel do Monte Estoril, o Hotel Paris no Estoril, o Palácio Fialho em Faro e a Villa Sousa que também já mereceu a nossa atenção num post anterior por ter sido valmor em 1912 e se encontrar em estado avançado de ruina.

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
monumentosdesaparecidos.blogspot.com;
lisboadeantigamente.blogspot.com;
pt.wikipedia.org;

Prémio Valmor 1906 (Casa Viscondes de Valmor)

Avenida da República 38-38A / avenida Visconde de Valmor 22, casa Viscondes de Valmor (Miguel Ventura Terra 1906)


Na Avenida da República, no seu número 38 e 38A, podemos apreciar uma das poucas casas apalaçadas que sobreviveram às demolições, naquela que outrora foi uma das principais artérias da capital. 
Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1977, foi Prémio Valmor de 1906,publicação no Annuario da “Sociedade dos Architectos Portuguezes”, ano III, 1907, p.37-38 e na revista “A Architectura
Portugueza”, ano II, n° 6 , 1909, p.21-23, curiosamente a casa da família daquele que testamentou a intenção do dito prémio em 1898, viria a beneficiar do tambemdo titulo em conjunto com o arquiteto que o construiu.

Pormenor da fachada principal, casa Viscondes de Valmor
Avenida da República 38-38A / avenida Visconde de Valmor 22, (Miguel Ventura Terra 1906)

Projetado pelo Arq. Miguel Ventura Terra foi construído entre 1905 e 1906 para a viúva do Visconde de Valmor, D. Josefina Clarisse de Oliveira. Revela uma grande unidade na sua inserção urbana, aspeto visível na disposição harmoniosa da sua planta irregular, e no movimento sugerido pelos diversos planos e pelo equilíbrio dos 3 volumes que integram o edifício.


Perspectiva da lateral, casa Viscondes de Valmor ,
Avenida da República 38-38A / avenida Visconde de Valmor 22, (Miguel Ventura Terra 1906)

Revestido a pedra lisa, traduz um ecletismo na sua decoração, conjugando elementos neorromânicos, neoclássicos, de Arte Nova, para além de fazer alusão ao padrão da “Casa Portuguesa” diz um site da especialidade. Apesar de se assemelhar a uma moradia destinava-se, de facto, a ser um prédio de rendimento. A casa está inserida num lote 1.280 metros quadrados, o que lhe confere uma exposição ainda de maior registo e notoriedade.


Pormenor (vidros e azulejos) da fachada principal, casa Viscondes de Valmor
Avenida da República 38-38A / avenida Visconde de Valmor 22, (Miguel Ventura Terra 1906)

A partir de 1983, a casa foi arrendada para ser sede do Clube de Empresários e do seu sofisticado restaurante mas, em 2007, o restaurante viria a ser fechado pela ASAE e o projeto definitivamente gorado.
Atualmente à venda, são visíveis os muitos estragos que atingem o edifício e tendem a agravar-se exponencialmente, já que muitas dos vidros das janelas do imóvel estão partidos, permitindo a entrada das águas das chuvas, dos pombos, da ruína…


Ficha técnica com parte da planta da casa Viscondes de Valmor
Avenida da República 38-38A / avenida Visconde de Valmor 22, (Miguel Ventura Terra 1906)

Fontes:
A Casa Unifamiliar Burguesa na Arquitectura Portuguesa, Rui Jorge Garcia Ramos, FAUP, 2004;
http://www.cm-lisboa.pt/equipamentos/equipamento/info;
lisboadeantigamente.blogspot.com;
miseriasdelisboa.blogspot.com;
diarioimobiliario.pt;
art.nouveau.world;

Fotos extraídas da net e editadas por mim.